Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Cartas à Mil Vezes Mais #1

 

 

Minha querida MVM,

 

Eis-me aqui de novo, a lembrar-me de ti. Recordo os mergulhos no rio, a corrente, o frio... o sol que nos acalentava o rosto, quando nos sentávamos naquela pedra, mesmo no meio do rio. O calor que por momentos nos inundava e afastava o frio que nos gelava a alma. Porque isto de ter a alma gelada, não é fácil, nada fácil. E tu sabes... tão bem.

Escrevo-te hoje em tom de desabafo. Tantas vezes precisei do teu ombro e tu do meu, mas hoje, sim hoje, é mais um desabafo. Tenho de dizer isto a alguém que me compreenda, que perceba aquilo de que estou a falar. A vida continua (continuou) e eu, tal como tu, que tanto olhava para aquela margem à espera de um sinal, deixei-me levar pela corrente. Não me abandonei a ela, não, isso não, mas deixei que me levasse. Mergulhei, nadei, deixei a pele secar ao sol só para depois mergulhar de novo. Pelo prazer de mergulhar.

Os dias foram passando, a vida impôs-se, como só ela se sabe impôr, e eu, acabei por pensar cada vez menos... naquele abraço. Cheguei ao cúmulo de ontem me passar pelo pensamento o seguinte: "penso cada vez menos em ti". Cheguei quase ao ponto de o escrever... mas se o fizesse, seria como registar uma verdade que me doía, que me feria. Não o fiz.  E hoje, hoje, dei por mim a pensar nele, outra vez nele. No sorriso, no abraço, no calor... Senti este pensar de forma intermitente ao longo do dia. Algo me levava até ele, e por uns breves momentos, pensava nele. Sinto tê-lo feito de forma quase inconsciente ao longo do dia. E agora à pouco, ao início da noite,  quis, tu imagina só, quis ligar-lhe só para ouvir a voz dele. Poderíamos falar do tempo, qualquer coisa que fosse, mas o que eu queria era mesmo ouvir a voz dele. Só pelo prazer de o ouvir. MVM, tu diz-me, diz-me, isto não é de loucos? Numa altura em que eu até tenho uma ou outra distracção, em que supostamente deveria andar entretida com outras coisas, volto a pensar? Este pensar que é um recordar? Um sentir?

Minha querida, responde-me o quanto antes. Ajuda a sossegar este coração que é tão parvo. Porque tu percebes... tu sentes. Da mesma forma. Esta forma que transcende as palavras. Este sentimento que inunda as letras.

 

 

Um abraço, daqueles. Sempre.

Beijo, Blue.

 

 


publicado por blue258 às 21:20
link do post | dá-me um pouco da tua cor | favorito
|
10 comentários:
De Daniela Barreira a 26 de Janeiro de 2011 às 00:36
não vou responder à tua pergunta, porque é a mvm que tem que responder-te.


mas... um dia tens que escrever assim também para mim :))
ela já escreveu... agora quero as tuas palavras dirigidas a mim também :) sim sim? :)


De blue258 a 26 de Janeiro de 2011 às 00:46

eu sabia que tu também ias querer, eu sabia. e escrevo, é claro que escrevo. não por quereres, não por eu querer também, mas no momento em que as palavras sentirem o que tem de ser escrito.

e apesar de isto ser dirigido à mvm, é claro que quero saber o que pensas. o que sentes... em relaçao ao q aqui está escrito.


De Daniela Barreira a 26 de Janeiro de 2011 às 00:51
mas sabes... também não tenho muito a responder-te... porque no que toca a algo que é tanto assim tanto... qualquer resposta de palavras, racional... não chega. não chega àquilo que é. àquilo que tu sabes, transcende. vai sempre mais além. é sempre tanto mais além. por isso não tenho muito a dizer-te. não é de loucos. é de... tu sabes o que é. é, ponto. mas se é de uma resposta que te sossegue o coração que queres. então eu dou-ta. mesmo que não diga muito. digo-te que não faz mal. não faz mal minha querida. podes "cair" as vezes que forem. hoje, daqui a mil meses, daqui a mil anos. todos os dias. as vezes que forem. não faz mal. tu... continuas a ser o que és. tanto. e depois vais levantar-te de novo e continuar a sorrir. e vais continuar a ser o que és. tanto. não faz mal. prometo. não faz. e depois... o meu abraço estará sempre aberto. e fechado. sempre aberto para ti. sempre fechado contigo nele.


De blue258 a 26 de Janeiro de 2011 às 00:57

uma vez disseram-me: estas coisas não se explicam. e procurar-lhes explicação, é retirar-lhes significado. e é verdade.

aceito o abraço. quero muitos, aliás. porque muitos são os momentos...

um abraço minha querida. as tuas palavras são sempre, tão... tanto.


De Daniela Barreira a 26 de Janeiro de 2011 às 00:58
sim, não expliques. não é preciso. nem possível.

são sempre minhas. e, neste caso como tantos casos, tuas.
terás muitos. todos. os que precisares.


De mvm a 26 de Janeiro de 2011 às 09:25
Minha querida Blue ...
Estou aqui a ler as tuas palavras, tenhos os olhos rasos de água e não sei o que te responder.
Sempre senti que estavas um passo à minha frente. ainda o sinto. Porque ainda não alcancei o estado em que tu estás hoje. Lá chegarei um dia, provavelmente...
Não sou de todo a pessoa certa para te responder, quando nem eu acho as respostas às perguntas que me coloco... mas... sei o que sentes. Sei tão bem.
Podia aqui te falar da razão, mas então não seria eu a responder-te, pois não? Há dias (muitos até) que eu não quero ouvir falar da razão. Ela machuca, aleija, fere. Quero-a fora de mim, para poder seguir em paz com o que me diz o coração... porque isso sim... iria me tranquilizar o peito, iria retirar o nó preso na garganta que não me deixa engolir.
Blue</a> , todos aqueles que são importantes nós guardamos, guardamos no peito. Não importa que margem do rio eles ficaram. Não importa a razão pela qual não é mesma margem que a nossa. Eles vivem dentro de nós.
E mesmo que a vida continue, tem dias, tem momentos que eles nos invadem e nos mostram que na realidade... nunca sairam.
E nós... sentimo-nos de novo no meio do rio, o frio a entranhar no corpo, as lágrimas a cair, o olhar preso numa margem que não é a nossa, e que se encontra vazia, em silêncio.
E se o silêncio consegue ser o ponto mais alto da cumplicidade, também consegue ser destruidor quando imposto pela razão, pela vida, pela distância.
Este reviver de sentimentos, de memórias, de recordações faz-nos escrever. Não só como desabafo... mas porque é tão sentido o que se diz, o que se escreve, que quase acreditamos que, mesmo ausentes, mesmo distantes,  não podem deixar de nos ouvir, não podem deixar de sentir de algum modo o que escrevemos, o que sentimos. Não aqueles para as quais as nossas palavras são dirigidas...
Blue</a> , por fim quero te dizer que não é de loucos não... É apenas de alguem que sentiu de verdade o que os prendia, o que os ligava. É apenas de alguem que guardou quem foi (e será sempre) importante. Um sentimento que transcede as palavras sim... transcede tudo aquilo que se possa dizer. Não tem explicação, não se procura sequer explicar... simplesmente se sente.
Mil vezes mais... sente-se mil vezes mais.

Agora... serena o teu coração, volta a colocar no peito quem guardaste. Tens uma vida lá fora... sorri-lhe. E nunca, nunca deixes de sentir... assim.

( P.s. Agora eu, limpo mais uma vez as lágrimas, sinto-me perita nestas coisas agora... sistematicamente invadida por uma sensação de impotência, de algo que vai para além da minha capacidade de entendimento, que avança na minha direcção e se alastra dentro de mim . Sei que sabes o que isso é. Onde ia... limpo as lágrimas sim, que já olham para mim de lado, ainda tenho um longo caminho a percorrer e a corrente não está a meu favor).

Beijo e abraço. Daqueles.


De blue258 a 1 de Fevereiro de 2011 às 00:23
Minha querida MVM, com isto, isto, disseste (dizes) tudo:
«Blue, todos aqueles que são importantes nós guardamos, guardamos no peito. Não importa que margem do rio eles ficaram. Não importa a razão pela qual não é mesma margem que a nossa. Eles vivem dentro de nós.
E mesmo que a vida continue, tem dias, tem momentos que eles nos invadem e nos mostram que na realidade... nunca sairam.»


Quanto à lágrimas, só te posso dizer (já que eu vou um passinho mais adiante), que essas, essas acabam por desaparecer... acredita, um dia, olhas para trás, para o que viveste, e recordas com carinho  e ternura o que viveste, quem tiveste. Recordas e um sorriso assoma aos teus lábios, por recordares algo que foi tão belo, tão forte. Pode a mágoa pesar-te ainda um pouco o coração nesse momento, mas depois passa...

E eu queria ser a amiga que está ao teu lado quando essas lágrimas caem... porque já chega de te ver sofrer. E quero ser a amiga que te agarra a mão e não deixa que a corrente te leve.

Abraço, forte, forte, forte.
Beijo, minha querida.


De mvm a 1 de Fevereiro de 2011 às 09:17
E és Blue... e vai passar, um dia passa... eu sei que sim.

Beijinho.


De maluca a 26 de Janeiro de 2011 às 09:47
Incrível como conseguiste transcrever para o blog tudo aquilo que tem-me corroído por dentro nestes últimos dias.
É essa sensação, essa mesma sensação de falta, de saudade, de vontade de o ter novamente, mesmo que à distância de um telefonema, apenas uma vez mais, que tem-me deixado mais tristinha por estes dias.
É essa a sensação, sem mais nem menos...
E a verdade é que fico impotente, sem saber o que fazer com esse sentimento...
Perdida nos sentimentos, é como fico.
Beijito


De blue258 a 1 de Fevereiro de 2011 às 00:12

ai... entretanto acalma... mas depois volta outra vez. e voltamo-nos a perder nós também.

beijo


Colorir

.10 anos, 10 razões :)

10 anos de Blogs do SAPO

.mais um pouco de azul


. procura-me

. segue-me

. 101 seguidores

.azuis recentes

. Where’s the light I used ...

. Maio

. And I'll do it a thousan...

. Abril

. ...

. Diz que é dia mundial do ...

. Só porque sim

. Para ti, enquanto não dou...

. Fevereiro

. Janeiro

.a cor da minha música

.pesquisa-me

 

.arquivos azuis

.azul também por aqui:

.links

.favoritos

. este mundo que nos ensina...

. passando, sem ficar.

. quando o medo te assalta.

. um abraço. o meu lugar.

. como comer sushi como um ...

. A Dani, segundo a MilVeze...

. ...

. abre parêntesis

. menos não (me) chega.

. 30 coisas sobre ti (que n...

.tags

. todas as tags

SAPO Blogs

.subscrever feeds