Segunda-feira, 24 de Junho de 2013

Cartas à Mil Vezes Mais #3

Minha querida MVM,

 

Já não te escrevo há tanto tempo. Tenho saudades de ti, saudades das nossas palavras, e lembrar-me delas sobrecarrega ainda mais a saudade.

Sei que andei ocupada, a vida é assim mesmo, tem momentos em que nos ocupa, assolapa-nos de afazeres, cuidamos de nós, cuidamos dele (muito mais do que cuidamos de nós), cuidamos dos outros, cuidamos da casa, vivemos o dia e chegamos à noite com um sentimento de dever cumprido. A noite é feliz: partilham-se travesseiros, puxam-se lençóis e o sono envolve-se em conversas e leituras a dois. Já não estamos sós e o "2" agora faz-se completo, faz-se a dois. Se lhe subtraíres "1", o teu um mantém-se, único, indivisível. Já não se parte, já não se separa, já não se desfaz em pedacinhos. E é assim que deve ser. Sempre.

 

Sei que também tens andado ocupada, com a tua vida, com os teus afazeres, tal como eu. Ocasionalmente, lá nos encontramos, e mesmo que apenas se troquem umas palvras de fugida, o abraço que nos damos acalenta-nos durante horas e ajuda a minimizar as saudades. Os abraços são assim. Aqueles, grandes, cheios de amizade e amor porque a amizade é amor. Aqueles verdadeiros. Sentidos. E esses não encontras em qualquer lado. E é por isso que quando os consegues encontrar, de raros que são, costumas guarda-los como tesouros.


O calor chegou finalmente, e calor que é calor, pede água. O meu corpo sinto-o quente e cansado e penso em mergulhar. Mergulhar é um estado de alma. Eleva-nos de tal forma que nos sentimos etéreos. Imagino ser por isso que se sentem tão felizes os golfinhos e as baleias. E deve ser por isso que eu penso em água e em mergulhar. Depois de uns belos mergulhos, nada como nos deixarmos estar na margem: a areia brinca com a nossa pele, a água banha-nos de alegria, o sol brilha nos nossos olhos e sorrimos. A felicidade (amizade) não se faz só de palavras, compreende os silêncios e abraça os sorrisos.

 

 

Não sei porque razão a melancolia me enviou hoje um postal. Estaria de férias? Mas a verdade é que deu notícias e pôs-me a pensar. Acho que é bom falarmos nas coisas e usarmos as palavras. Não as podemos deixar esquecidas num recanto qualquer a apanhar pó. Temos de as ler, temos de recordar e lembrar que tudo tem o seu lugar. Que tudo encaixa de alguma forma na nossa vida. Que tudo faz sentido. Se o deixarmos de fazer durante muito tempo, acumulamos qualquer coisa cá dentro.

Qualquer coisa que eu nem sei bem o que é, ainda não sei o que é, mas talvez não seja nada, talvez seja apenas o cansaço que hoje sinto. Será cansaço, mvm? Lá no fundo, bem no fundo, fazem-me falta as tuas palavras e um abraço que dura horas. Por isso te escrevo.

 

Espero encontrar-te bem, atarefada nas coisas da vida, cansada apenas da azáfama que é cuidarmos de nós e dos outros que são a nossa vida.

Termino esta carta com um abraço. Um daqueles que duram horas. 

 

 

Beijo, Blue. 

 

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publicado por blue258 às 22:03
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4 comentários:
De mvm a 25 de Junho de 2013 às 13:43
Minha querida Blue... (Tão bom ter noticias tuas!)
 
Há um tempo para tudo. Um tempo para cuidarmos, um tempo para nos sentirmos cuidados. Tempo com falta de tempo, e outro tempo que nos sobra e vemo-nos a braços com ele sem sabermos o que fazer.

E no meio desse tempo há segundos.

Segundos em que o tempo pára, como se o mundo não girasse, e nos abstraímos em pensamentos. Naqueles só nossos. E esses segundos surgem só porque o vento nos tocou, ou porque a música bateu ao ritmo do coração, porque o sol aqueceu a pele, porque a lua se mostra especialmente enorme, ou tão simplesmente porque sim... porque precisamos de tempo para nos ouvirmos a nós mesmas.

Também não te escrevo assim com palavras há muito tempo, mas escrevo-te mentalmente muitos desses segundos, por vezes até te ligo, imagina!! A ti. Porque tu compreenderias esses/estes meus segundos, os meus silêncios, o meu olhar, as palavras que digo e as que calo.

Porque os amigos estão connosco, mesmo quando fisicamente estão a quilómetros, quem gostamos está a um passo de nós, bem dentro do coração.

E tu, para mim, estás ali (bem aqui), numa margem do meu rio, a dar-me a mão. E eu, embora longe, estou aqui, para te abraçar horas a fio, até esse cansaço ou esse nada desaparecer de ti, numa amizade que se sente.

Por tudo isto Blue, pelo calor, pela amizade, pelas paixões, pelo amor, por ti, principalmente por ti, mergulha no teu mar, sente-o daquela forma tão especial como só tu sabes sentir, mergulha tantas vezes quantas aqueles que te fizerem feliz, para que todas as noites, ao te deitares, quando o teu corpo se aninhar no teu outro eu, tu possas sentir que estás em casa, que vale a pena e que este tempo é o tempo de viver, de sorrir e de sentir.

Um abraço mil vezes mais.

Beijo,
M.


De blue258 a 26 de Junho de 2013 às 03:58

Eu estou cá, sabes que eu estou sempre cá para ti mesmo que não apareça sempre, mesmo que a vida me ocupe e distraia das palavras que amo e das margens que adoro. Sabes que basta deixar um bilhetinho sob uma pedra na margem do rio, uma fita presa a um galho numa árvore e eu sei, sei que tenho de te encontrar.


No meio do tempo há segundos, dizes-me tu, e eu que pensei que esta carta fosse demorar mais tempo, tanto tempo a chegar a ti, mas sabia que chegaria eventualmente e as tuas palavras viriam a voar para mim.

Neste momento, sinto esse vento, oiço essa música, procuro refrescar a pele ainda quente nas águas do rio banhadas pelo luar. Também eu sei o que é falar-te e escrever-te nos sonhos, porque os amigos guardamos no coração e acompanham-nos a cada hora. Aproveitam o sono para correr e mergulhar, conversar e desabafar, rir e sorrir nos silêncios. Aproveitam o tempo. O tempo que não têm, o tempo que encontram.

Só sei que preciso que me dês a mão, que me fales, que me sorrias num silêncio. Sei que preciso e nem consigo explicar porquê. Também sei (sinto) que tens toda a razão quando dizes que eu preciso de mergulhar e aproveitar o tempo, o meu tempo. Mas precisava (preciso) de ti, de ler as tuas palavras. Preciso dessa força que retiro delas. De ti. Porque me compreendes. Porque sabes mesmo sem eu perceber porquê. 

Abraça-me sempre.

Beijo, Blue.


De mvm a 26 de Junho de 2013 às 09:10

Dou-te a mão, sim. As duas. Depois puxo-te para um abraço forte, que conforte.

Anda lá... Vamos sentar-nos um pouco aqui, à margem do rio. Temos tanto para contar uma à outra, tenho tanto para te dizer, e mesmo que as palavras não saiam o sorriso é uma certeza de que os nossos olhares, em silêncio, se entendem, Blue!

Abraço-te sempre!


De blue258 a 27 de Junho de 2013 às 23:14

 
Se as tuas palavras já me confortam, imagina o que não fará o teu abraço!




Sentemo-nos. A noite está quente e a margem do rio convida. Mesmo sem falar, deixemos a brisa levar os nossos pensamentos, deixemos que eles se entendam e nos deixem a nós, sós, na calma aparente de um sorriso. 




Porque precisamos de estar sós. Precisamos fechar os olhos e ouvir apenas o curso da água. Vê-la delinear as margens do rio, cada pedra molhada que encontra, de olhos fechados. Precisamos do silêncio para sentir cada folha que rasa a água. Olha, aquela, que agora acaba de se lançar à água destemida. Como é livre, como é feliz, uma simples folha nas águas do rio.




Deixemo-nos estar assim. Sem pensar. Livres, destemidas e felizes como folhas :)


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