Quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Cartas a ti #1

Pego numa folha amachucada que tinha guardada e volto a ler o que agora me parecem notas soltas do que pensei enviar-te da última vez em que me sentei a escrever cartas. Aliso-a o melhor que posso, e nem sei o que te diga: não eram as palavras erradas, não estavam elas mal escritas. Daí alisar o papel e procurar reanimar a tinta das palavras.

 




5 de Novembro

 

Meu querido, 

 

   Como estás? Como tens passado? O que é feito de ti? Por onde correm os teus passos calmos, onde pára a tua certeza, onde mora a tua confiança? Onde te demoras tu?

 

Começo logo por te bombardear com perguntas, já sabes como sou e eu sei que sabes e aceitas daquela forma que não pede concessões. Aquela forma que até poderia ser dos outros mas que nunca é porque nela colocas tanto de ti; uma forma que eu agora sinto que só podia ser tua.

Sabes que por vezes tenho vontade de conhecer o teu fim de tarde? Perguntar-te como foi o dia. Saber como foi o acordar e o pequeno-almoço no café da esquina. Como foi o teu café depois de almoço. Saber de ti. Saber-te feliz. E enquanto conversamos, perguntas-me pelo meu dia e eu aproveito para contar-te...

 

Contar-te o meu dia, este dia, porque nem todos os dias são dias de te encontrar e abraçar a saudade deste tempo que já foi tanto tempo, tempo que parece não querer parar, tempo que continua a contar os dias, as horas; perde-se nos minutos e já nem conta os segundos. E é nestes dias que aproveito o bálsamo de um abraço, o sossego de um porto seguro, o aconchego do brilho de um olhar.

Dizer-te que hoje decidi, assim do nada, mas a querer algo em concreto, brindar o jantar com um belo tinto.  Abri a garrafa, quase  não deixei respirar e enquanto cozinhava, pensava: não há datas a celebrar, não é uma ocasião especial. Eu não preciso de um motivo qualquer para mimar o dia!, disse para mim mesma e sorri.

 

 

Enquanto te escrevo, tenho uma música a tocar em repeat; faz-me lembrar de ti de uma forma que eu não consigo precisar nem explicar. Sei não precisar. Quis enviar-ta (ei, não há por aí um cd com o meu nome?); juntá-la a esta carta porque a música sempre teve significado, e transcrever parte da letra que me diz tanto e faz sorrir.

 

 

Take me back to your place, 
Show me how to dance 
Let’s go watch the sunset 
With me in your hands 

Fly me on a jetplane, 
Take me to the moon, 
Wherever you go, 
I’ll follow 

 

 

Sabes o que é uma recordação querida? Uma memória que ganha corpo, e eu não sei se é do vinho, do aroma que se instalou pela casa, mas imagino que a poderia guardar numa caixinha. Como um tesouro. 

Ouve. Escuta. Sorri. Discorda ou concorda. Neste refrão vejo a tua cara. Será que ainda te percebo e tu  a mim?

 

Take me in your mustang, 
Let’s go cruise the streets, 
We’ll stay young forever, 
Cos love knows my beat 



Pergunto-me se o dia de hoje marca alguma coisa em especial. Passada. Pelo menos uma coisa te digo: marca o dia em que finalmente me sentei e escrevi uma carta para ti.

 

 

Um abraço. Daqueles. Do tamanho do mundo.


Da tua Blue.



música: Bella Ferraro - Set Me O+n Fire
tags: ,

publicado por blue258 às 01:48
link do post | dá-me um pouco da tua cor | favorito
|
2 comentários:
De Daniela Barreira a 6 de Novembro de 2013 às 19:54
isto transportou-me para um tempo lá atrás. mais ou menos na altura em que te conheci. e me abraçaste pela primeira vez. e te abracei pela primeira vez. e soube que ia ficar. e fiquei. e ficámos. :)


De blue258 a 15 de Novembro de 2013 às 06:54
foi sim, num tempo lá atrás. mais ou menos nessa altura :)


Colorir

.10 anos, 10 razões :)

10 anos de Blogs do SAPO

.mais um pouco de azul


. procura-me

. segue-me

. 101 seguidores

.azuis recentes

. Where’s the light I used ...

. Maio

. And I'll do it a thousan...

. Abril

. ...

. Diz que é dia mundial do ...

. Só porque sim

. Para ti, enquanto não dou...

. Fevereiro

. Janeiro

.a cor da minha música

.pesquisa-me

 

.arquivos azuis

.azul também por aqui:

.links

.favoritos

. este mundo que nos ensina...

. passando, sem ficar.

. quando o medo te assalta.

. um abraço. o meu lugar.

. como comer sushi como um ...

. A Dani, segundo a MilVeze...

. ...

. abre parêntesis

. menos não (me) chega.

. 30 coisas sobre ti (que n...

.tags

. todas as tags

SAPO Blogs

.subscrever feeds