Quarta-feira, 6 de Novembro de 2013

Cartas à Mil Vezes Mais #4

 

Minha querida MVM,

 

Está a chover. Não é que a chuva me incomode; adoro dias de chuva que convidam a um refúgio naquele café da esquina ao final da tarde e me deixam apreciar o bulício dos pedidos para o lanche, cá dentro; as pessoas que fogem da chuva, correm para o autocarro, seguem para casa, lá fora. Gosto da sensação de aconchego que as vidraças embaciadas nos transmitem. Detectam o calor humano. E há dias como o de hoje em que aprecio verdadeiramente o caminho para casa:  de botas calçadas sigo rua abaixo de mão dada com a sensação de um dia completo nas costas e a vontade de chegar a casa sem pressas. 

 

Adoro dias como este, em que me lembro das pessoas, em que reservo uns momentos do dia para pensar nelas. Foi por isso que hoje me sentei à secretária, peguei numa caneta, no papel de carta, e escrevi pausadamente como se esperasse uma resposta imediata a cada frase que depositasse no papel.

 

Sentei-me e escrevi. Escrevi sentimentos, lembranças que são sentimentos, memórias, recordações. Já viste como tudo são sentimentos? Escrevi sobre coisas pequenas, sem tamanho até. Escrevi sobre coisas grandes, tão grandes que nem cabiam na folha. Demorei o meu tempo. Gosto de desenhar cada palavra, sabias? Dá-me tempo de a absorver. O que pode parecer estranho, confesso. Se ela vem de dentro, porque a quero eu reabsorver?

Sinto-me feliz. Ao ver que os bons sentimentos permanecem sempre dentro de  nós. Que crescem connosco. Amadurecem ao mesmo tempo (no nosso tempo) porque os carregamos connosco durante todo o percurso. E depois transformam-se. Como as crisálidas.  

 

Temos de marcar um lanche para o final de uma destas tardes. Pode ser cá em casa. Poderia ser no mesmo cafezinho das vidraças embaciadas. Mas depois terás de fazer comigo o percurso até casa. Quero que conheças o meu caminho e deixes os teus passos gravados nas pedras da calçada só para elas também guardarem a tua memória.

 

 

 

Um abraço forte e um beijo de faces rosadas pelo frio do Norte.

 

Blue

 

 

 

 

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publicado por blue258 às 21:49
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4 comentários:
De Calipso a 6 de Novembro de 2013 às 23:00
Adorei a imagem que criaste das vidraças embaciadas por reconhecerem o calor humano. São quentes também as tuas palavras e cheias de sentimento. Bastante agradável este texto ao final de um dia. Obrigado!


De blue258 a 13 de Novembro de 2013 às 01:58
Obrigada eu pelas palavras :)


De mvm a 11 de Novembro de 2013 às 10:07
Querida Blue,

Está sol por aqui, mas a aragem já começa a arrefecer, e o toque dela no rosto traz-nos lembranças tão presentes vindas do Norte. Páro para senti-las por um segundo. Há segundos que fazem a vida parar, como se o tempo não tivesse lugar, não achas?

Eu absorvo esses segundos como tu absorves cada letra. São sentimentos sim, e esses reabsorvemos uma e outra vez, porque nos transportam para o interior de nós, apertam ali o estômago, fazem-nos recordar tempos em que a intensidade de um sentir ultrapassou tudo o que é/era racional.

Tenho tantos segundos desses, minha querida Blue. Tantos. Ainda me trazem lágrimas aos olhos, sabias? Mas isto não é altura para falar dessas coisas, estou muito feliz por estares aí, por te ver percorrer um caminho, absorvendo cada passo aposto! e mais feliz ainda pela oportunidade de conhecer as pedras da tua rua, da tua história. Tens um mundo dentro de ti!

Temos de marcar um lanche sim, vou querer olhar-te nos olhos,abraçar-te num tempo tão nosso, com a certeza de que compreenderás tudo o que sinto. Que há coisas que nos ultrapassam e não há palavras que alcancem o seu verdadeiro significado.

Um abraço apertado vindo da margem sul de um rio, onde as pontes unem e os sentimentos permanecem.

Mvm


De blue258 a 13 de Novembro de 2013 às 09:12
Há segundos que fazem a vida parar, sim, pois é nesses mesmos momentos em que o tempo não tem lugar que eu leio e releio a tua carta. Em que a guardo sem ter ainda respondido para a poder reler uma e outra vez. Para a saborear. Porque queremos segurar nas mãos as palavras que nos fogem por entre os dedos. 


E eu escrevo-te porque preciso. Porque procuro essas palavras (momentos) que nos fogem. Porque poderás saber delas, dessas palavras fugidias, porque as conheces, porque reconheces o seu sabor e o seu aroma, porque me poderás dizer por onde andam.


Porque sei dos apertos no estômago, dos segundos amargos que (ainda) ousam banhar(-nos) os olhos. Porque temos de afastar essas lágrimas que teimam em molhar-te a pele, porque sim, porque não pode ser, porque não deixo para lá. E sim, temos de marcar esse lanche, e num abraço forte não deixar espaço para mais nada a não ser o riso das recordações, a alegria das histórias e a felicidade do reencontro.


Abraço-te à espera desse abraço.


Blue


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