Quinta-feira, 7 de Novembro de 2013

Cartas à Dani #2

 

Minha doce Dani, 

 

As saudades que eu tenho sentido nestes dias de Outono. Das pessoas. Das minhas pessoas. Das pessoas que me fazem falta ao fim do dia. A vontade que tenho de encontrar o abraço que quero à porta de um qualquer lugar. O sorriso estampado nos nossos rostos, a alegria, a felicidade de enchermos os corações num abraço. Naquele abraço.

 

A vontade de nos perdermos entre abraços, entre sorrisos, entre portos de abrigo. Em acotovelarmos a fala com o que nos dizem as mãos, os sorrisos, os abraços. Em falarmos tanto e ao mesmo tempo. Em nos atropelarmos e sorrirmos porque nos atropelamos, em nos rirmos à gargalhada dos  nossos atropelos. Em sorvermos cada palavra dos nossos silêncios.  Porque dizem sempre tanto. Tanto.

E é sempre tanto, tanto,  e lutamos para sorver todo o momento, como se fosse único, porque cada encontro, cada abraço é sempre único mas é o mesmo, é sempre grande, tão grande e é sempre tanto. É tanto que acabamos por acampar num abraço que nunca mais acaba à porta de um lugar qualquer. Demoramos o tempo, o nosso tempo quando todos os outros entram e saem, passam por nós nunca indiferentes àquele abraço. E nós sabemos que muitos dos que passam por nós levam a vontade de um abraço mesmo sem se aperceberem.

 

Adoro esta época. As folhas caídas no chão, as árvores pintadas de amarelos, castanhos, dourados. As botas, as echarpes, os casacos quentinhos. Acho que é uma altura aconcehgante, em que saimos a rua e queremos sentir-nos aconchegados: daí as botas, os lenços, os casacos compridos. Daí os lanches em locais lotados de barulho e calor. O caminho de regresso a casa que nos sabe tão bem. Entrar em casa, descalçar as botas, pendurar o casaco, tirar o lenço do pescoço. E sentir-me aconchegada de novo. Orientar o jantar e sentar-me à secretária para escrever. Tempo para escrever. Tempo para saborear o momento em que coloco um abraço dentro de um envelope.

 

E foi assim que pensei em ligar-te, assim, do nada, e fazer-te uma surpresa. Porque já falamos tanto, mas tanto, que eu apenas sinto que não te vejo há tanto tempo, demasiado tempo e daí as saudades. Estas saudades que me fazem escrever e abraçar. Tanto.

 

 

Um abraço destes, intermináveis, que não tem começo nem fim e não precisa de lugar ou hora marcada.

 

Blue.

 

 

 

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publicado por blue258 às 20:08
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1 comentário:
De Daniela Barreira a 7 de Novembro de 2013 às 23:40
o mesmo abraço, desses intermináveis, que não tem começo nem fim, tem eu e tu a fundirmos o que somos e o que (nos) sentimos, nem precisa de lugar ou hora marcada, precisa do meu e do teu coração a fazerem-se casa um do outro por instantes. esses instantes imortais.


ps: amanhã respondo-te no meu cantinho :))


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