Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Cartas à Mil Vezes Mais #5

Minha MVM,

 

Estendo o braço direito, envolvo-te num abraço e encosto-te a mim: percorremos a avenida às gargalhadas e na brincadeira como se (ainda) fôssemos adolescentes. E somos. Ainda somos. Livres, felizes e despreocupadas. Sem nenhuma preocupação que nos pese nos ombros, contamos os passos da calçada molhada, percorremos as montras, partilhamos as histórias da semana, os planos para o Natal.

 

Esquecemos os nós na garganta, os apertos no estômago, o rajar do olhar que ainda nos assoma de longe a longe. Ainda ontem senti um na garganta - já não lhe recordava o aspecto, já não imaginava sequer o que sentia. Apareceu-me assim do nada, sem contar, sem motivo aparente, aquele nó que não nos deixa respirar como se a sua motivação fosse mesmo asfixiar-nos. Mas não é. Procura apenas assustar-nos. É isso que quer, é apenas isso que procura. Vive do medo, do nosso medo.

E a menina pequenina que mora cá dentro assustou-se como  todas as meninas pequeninas se assustam com os monstros no escuro. E eles inflamam-se: o medo é o seu alimento. Quanto mais medo, maior o seu tamanho, maior o nó, maior a dificuldade em respirar. Então engoli-o. Engoli o medo, tentei respirar, tentei sossegar. Nem me importei com as lágrimas que queriam vergastar os olhos. Queres raiar-me o olhar, raia, vê se me importo. E engolia em seco enquanto tentava livrar-me daquela sensação terrível com o que nó me deixara.

 

Hoje é um dia feliz, dito eu. O amargo que ainda sinto na boca não me deixa esquecer o nó de ontem: mas é bom que assim seja. É bom que eu me lembre e daí retire a força para corrigir o que (ainda) não está certo. É o que tenho a fazer, é o que procuro fazer, é o que faço agora. Não deixo mais os maus sentimentos fechados numa caixa. Sem saber e sem querer, por acidente ou distracção, podem facilmente evadir-se quando alguém desafortunadamente abre a caixa onde estavam enclausurados. 

Por isso falemos. Do bom, do menos bom e até do mau. Falemos de tudo. Só assim nos poderemos sentir livres para percorrer a avenida já iluminada. As luzes, as decorações e os pinheirinhos de Natal encantam as meninas pequeninas :)

 

É bom escrever-te, falar contigo, por isso procuro fazê-lo mais vezes.

 

 

Um abraço daqueles que abarca toda uma avenida.

 

Blue

 

 


 

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publicado por blue258 às 06:23
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