Quarta-feira, 20 de Novembro de 2013

Cartas à Mil Vezes Mais #6

Minha querida MVM,

 

Logo de manhã, abri a caixa do correio sem saber que a tua resposta chegara e  esperava por mim.  Levei a tua carta comigo, e assim passou o dia: comigo e por abrir. Continua sem abrir enquanto te escrevo porque sei ter as tuas palavras guardadas, sei que as poderei ler e reler sempre.

Já não chove, e as nuvens geladas trouxeram o frio. Sabes como adoro a neve e a promessa dela está escrita nos céus - já nevou na Serra da Estrela - e como eu queria fugir para um recanto, juntar as familias, acender as lareiras dos bungalows, preparar petiscos perfeitos para este tempo e saborear o vinho morango (do Norte) quente e doce e quem sabe, o ponche que já promete o sabor do Natal. 

E assim nos juntamos, guardamos momentos, colmatamos saudades, estreitamos laços. Aproveitamos uns dias de descanso - que falta que eles nos fazem - e diversão na neve. Por vezes tenho sonhos bons, não achas? Eu também penso o mesmo.

Cheguei a casa gelada, movida pela ânsia de aquecer a alma. Liguei o forno, preparei uma bôla de carne e o apetite aguçou cá em casa. Preparei as maçãs, polvilhei-as com açucar amarelo e canela e é quando os aromas começam a dançar que eu me sento a escrever para ti.

Porque é importante escrever para ti, falar também de coisas banais, das coisas pequenas que nos preenchem os dias. No aconchego deste aroma delicioso que me enleva a alma, preparo-me para finalmente abrir a tua carta e ler as tuas palavras.

 

Abraço-te agora. Abraço-te sempre.

 

Blue

 

 

 

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publicado por blue258 às 21:15
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2 comentários:
De mvm a 21 de Novembro de 2013 às 14:26

Querida Blue ,

Hoje é daqueles dias em que te escrevia, mesmo sem o correio me ter devolvido uma resposta tua.

É os sentimentos de novo, que me confundem, baralham, não me deixam ter noção do que fazer. Todos os segundos, a cada passo que damos, efectuamos uma escolha, às vezes imperceptivelmente, sem dar conta, mas a todo o momento escolhemos, optamos. E hoje eu não sei que fazer.

Partilho contigo os cheiros que povilham a tua vida, os cheiros trazem-nos um certo tipo de introspecção, fazem-nos olhar para dentro de nós, para aquele interior que teimamos esconder, mas que existe. Dávamos em doidas se não o escondessemos por vezes, não achas? Ter noção de tudo o que sente e conseguir lidar com isso não é tarefa para todos.

Espero que esses cheiros me ajudem a descobrir os meus próprios caminhos, e que os recantos onde possamos juntar a familia estejam mais perto do que esperamos. A familia são também os amigos, aqueles que escolhemos para partilhar aquilo que é tão nosso, querida Blue . E são também as outras margens do rio, do nosso rio.

Não é um sonho bom, é um passo, o inicio daquilo que queremos concretizar.

Já nevou sim, os dias arrefeceram, mas o calor das palavras mantêm-se. Há coisas que não mudam, mesmo que a gente mude :)

Abraço enorme, apertado.

mvm


De blue258 a 23 de Novembro de 2013 às 15:11
Minha querida mvm,


Eu leio-te, percebo-te e sinto-te tanto. Como eu não quero que te sintas assim porque sei tão bem e também o que é sentir-me assim. E eu não quero que te sintas assim. Quero que te sintas feliz com os aromas, com a surpresa de um novo vaso de rosmaninho para a tua cozinha, com uma tarde passada entre receitas, uma tarde em que por umas horas o nosso mundo será a cozinha em que o frio gela os vidros por fora e nós o derretemos por dentro, com aromas e risos e tanta, mas tanta alegria. E é assim que eu quero que seja esta tarde: a cozinha não será um fardo, a casa estará arrumada e todos nela estarão em sintonia, ocupados e felizes enquanto o tempo deixa de contar na tua cozinha e as amigas aparecem, trazendo o abraço mais caloroso e mais intenso e mais tudo: aquele abraço que estás a precisar de lembrar e que é aquele abraço que eu te deixo agora. E é assim que passaremos esta tarde. Entre aromas mágicos, ponche com sabor a Natal e a felicidade de estarmos com a família que também escolhemos.


Abraço-te tanto, tanto! E a minha margem corre agora com mais força, corre com pressa, com urgência para se juntar à tua. Não estás sozinha, eu estou aqui, estarei sempre aqui para ti. Sempre. Tanto.


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