Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

O amor está nas pequenas coisas

Encontrei o amor, hoje de manhã, na sua letra manuscrita. A surpresa de simples palavras marcadas num ticket de compras, muito provavelmente encontrado ali à mão e estrategicamente colocado sobre o teclado do meu computador. Mal eu sabia, ao acordar, que ia encontrar o amor.

 

 


publicado por blue258 às 15:57
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Da qualidade e dos amores

 

 

Isto dos amores, é muito relativo e não deixa de ser uma grande falácia. In the end, in the very end, vai tudo dar ao mesmo. E sim, são todos iguais. São todos homens. E nós, mulheres. Ora vejamos: se não fosse o amor, aquele sentimento, sim esse sentimento que nos faz andar por aí com os olhitos a brilhar, e de cabeça no ar, se não fosse esse sentimento, veríamos as coisas exactamente como elas são logo à partida. Preto no branco e branco no preto. Mas não, o amor, aquele sentimento vil enebria-nos os sentidos e exalta as qualidades do outro aos nossos olhos. Porque ele é perfeito. Perfeito. Mesmo com as suas manias, os seus pequeníssimos (ênfase nos pequeníssimos) defeitos. É perfeito. E depois lá vem o tempo, e o tempo passa, e com o passar do tempo, aquele manto de nevoeiro que nos andava a toldar a visão até agora começa a esfumar-se em pleno Outono. Porque eles são humanos. Como nós. Imperfeitos. Teimosos. E regra geral, também não nos dão o devido valor como porventura outrora nós não demos a alguém. E agora?

 

 

 

 

 

 

Agora? Aqui estou eu, a ouvir música de qualidade, que é para me lembrar que eu ainda tenho alguma qualidade.

 

 

música: Cry Wolf - Melody Gardot

publicado por blue258 às 16:27
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Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Cheguei tarde?

Não, isto no amor não há tarde nem cedo. Há o momento. Aquele, sem jeito, a meio jeito ou mesmo sem jeito algum. Porque o amor não tem horas marcadas nem datas previstas. O amor acontece sem pedir licença. Entra-nos pela casa adentro, desarruma-nos a certeza do ser, perturba-nos a confiança do acreditar. E mexe connosco, mexe, altera-nos, mesmo sem darmos por ela,  faz-nos sonhar acordados, e ostentar um sorriso parvo nos lábios. Isso é o amor*.

 

 

 

Whenever I'm alone with you...

You make me feel...

 

 

 

* É o que eu penso... claro que posso estar enganada.

 

música: Lovesong - Adele

publicado por blue258 às 01:20
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Domingo, 9 de Janeiro de 2011

...

 

«Acho que o Amor, quando acaba, deixa nas coisas esta mesma fragrância. Nas caixas, nos automóveis, nas casas, nas ruas, nos cafés e principalmente na cama. E que não se vai de vez. Antes fosse. É uma espécie de dança doce que sabe como se fosse amarga. E não acredito em homens apaixonados que passem incólumes por esta dança fantasma.»

 

 

Bagaço Amarelo, no não compreendo as mulheres

 

 

 

Ler texto na íntegra, aqui.


publicado por blue258 às 22:46
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Há palavras que nos beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill



publicado por blue258 às 00:55
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Quarta-feira, 7 de Julho de 2010

Comentários que viram post

 

«ai, não sei porquê tanta coisa quando se diz a palavra amor, AMOR sim, há várias formas de amor, há amor nas palavras.»

 

Samy

 

 

 

Sem dúvida, Samy, sem dúvida.

 



publicado por blue258 às 01:24
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Domingo, 27 de Junho de 2010

Fairytales

Once upon a time in a faraway kingdmon, there was an Enchanted Princess and her Prince Charming. They met, fought the ugly witch, married and lived happily ever after. How's this for a short fairytale?

 


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Era uma vez uma princesa e o seu príncipe encantado...
O Príncipe Encantado não era perfeito, e tal como qualquer homem, tinha os seus defeitos. Provavelmente, também deixava o tampo da sanita levantado, respingava por todo o lado e não limpava.  Não era perfeito. De todo. Então porquê esta coisa toda de encontrarmos o nosso príncipe, se ele não é perfeito, e se em muitos casos, nem rasgos de perfeição possui?
Ora, a perfeição não existe. E então, porque é que a princesa se apaixonou? Fácil. O sentimento, o dito amor, tornava o príncipe perfeito aos olhos dela. Daí não adiantar nada procurarmos o homem perfeito. Ele não existe. Príncipes encantados, muito menos. São um mito. Princesas, só as do Mónaco e afins. Lembrem-se disso. E até essas casam com plebeus. Ah pois é. Por alguma razão, não vêem príncipes nos que o são efectivamente. Encontram-nos nos plebeus. A verdade é que encontram o amor. E é o amor que torna o mais comum dos mortais num príncipe encantado digno das histórias da Disney.
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E foram felizes para sempre. Foram? Não sabemos. É que a história ficou por ali. E as nossas histórias, também ficam por ali. Quando terminam. Quando o sentimento evapora. Mas no caso dos príncipes encantados e das princesas, caso houvesse continuação, a história seria igual a tantas outras. Bastava darmos-lhe seguimento. A princesa tem 3 ou 4 filhos, engorda 20 quilos, sente-se frustrada por estar no castelo e não fazer nada de útil com a vida dela, não tem sexo com o príncipe há sabe-se lá quantos meses,  dá-lhe no xerez como se não houvesse amanhã, e para cúmulo dos cúmulos, descobre que o príncipe anda é preocupado em montar... a filha da criada.

E por falar em filhos, as cozinheiras que ainda permaneciam no castelo - tinham salários em atraso por receber, por isso não arredavam pé dali tão cedo - fazem queixa à segurança social da época - não estão para aturar os filhos dos outros - que vai até ao castelo e trata de levar a pirralhada para um centro de acolhimento.

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Mais, com tanta festa, gente a fugir aos impostos, as contas começam a amontoar, e as ameaças dos credores sobem de tom. Há consertos e obras a fazer no castelo. O príncipe não quer saber.  Nunca teve queda para a bricolagem. E hoje em dia, é vê-lo agarrado ao cigarro, é que nem o larga para montar (a cavalo ou a filha da criada). A princesa quer vestidos novos. De tão gorda que está, são necessários metros e metros de tecido para lhe fazer um simples vestido. E discutem. O príncipe monta, no cavalo (desta vez), e vai galopar porque não está para aturar os gritos histéricos da princesa. Ela, devora chocolates até rebentar com as costuras do vestido. Berra e chora. Os seus gritos desalmados ecoam pelo castelo vazio e até às redondezas. De castelo encantado, passou a castelo assombrado.

 

 

Moral da história: qualquer princesa, pode tornar-se numa velha matrona. O encanto do príncipe,  evapora, tal como parecem evaporar os abdominais rijos e o sorriso pepsodent. E o que começa como uma história encantada, termina muitas vezes assombrada.

 

 

 

 

 

 

 


publicado por blue258 às 21:24
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Sábado, 26 de Junho de 2010

...

Que sejamos incendiários

 

 

«(...) o amor é o amor e o resto é conversa, o coração dispara e atravessa-se num beijo, a paixão é a heroína da vida, a amizade é a água que nos mata a sede. Bombeiros falhados aqueles que apagam o fogo da paixão.

(...) o amor não é coração, não é razão, é vontade, vontade no sentir, é ouvir e coração e deixá-lo bater, abrir-lhe a porta e deixá-lo correr numa paixão, é voltar a recolhê-lo e deixá-lo aninhar-se no amor calmo, confirmado na alma para além do corpo, é deixá-lo descansar dos sentidos, é o amar e dizer eu amo sem ses, sem medos, dar nome ós bois, dizer amo-te porra, libertá-lo num grito e não dizer amo-te fora de tempo, aguarda aí pelo 2ºtempo que eu depois do intervalo faço um golo no teu coração, Não!

O amor não tem tempo, não tem ética, não tem razão, ai del rei que traí, pior, ai del rei que para não trair o outro traí-me a mim e pior enganei o outro fazendo o querer que a minha lealdade, fidelidade qualquer coisa acabada em ade é prova do meu amor, tretas, prova da minha cobardia, do meu medo em deixar bater o coração, medo do desconhecido, medo de abrir a porta e ele fugir disparado e já não nos pertencer...mais...e em nome da lealdade/fidelidade mais fidelidade do que lealdade comete-se a maior atrocidade de todas, calar o coração, corações não se calam, é como dizer a um leão que não pode rugir...não, patetas de vós que escolhem o caminho mais fácil quando o outro mais sinuoso talvez é tão mais em linha recta.»

 

 

A Rapariga que Matou o Coração

 

 

Mais um roubo descarado, mas se é para roubar, que sejam preciosidades destas. Sentimentos que jorram em palavras. Li o texto provavelmente como foi escrito, de rajada,  e com a ânsia de beber cada uma delas e o tumulto no coração. Coração que me aponta o dedo e diz: vês, vês como é? Vês como te escondes e não adianta nada? E grita ainda: cobarde, cobarde, cobarde. O destino, o universo ou seja o que for arranja sempre maneira de te apontar  o dedo.   E verdade, tão verdade que é, verdade que nos apresenta, assim, com um jeito doce e no entanto forte e decidido. Verdades, do coração.


Para ler o texto na íntegra, clicar no título.


publicado por blue258 às 17:55
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

"Amor de língua"

«O problema do amor, é ter deixado a língua cá dentro. De a ter retraído com o passar do tempo. De a ter cativa na sua boca. O amor, esse que nos encosta à parede e nos apressa os compassos cardiovasculares e nos tira a roupa e nos desmancha a cama e nos faz não atender o telefone – porque é que nos ligam sempre a estas horas? – esse amor de que agora falo, que nos faz sentir vontade de chegarmos a casa mais cedo e mandarmos uma sms a dizer que estamos inquietos no trabalho só de pensar que daqui a pouco estaremos juntos – E vamos estar juntos - e telefonar só para ouvir a voz do outro, e mandar uma tosta mista para o emprego dela com um papel a dizer “ Toma, é para ti!” , esse amor ouçam: esse amor, precisa de língua. E por isso mesmo, nunca se poderá celebrar com um chochinho!»

 

 

Fernando Alvim, no Espero bem que não


publicado por blue258 às 23:35
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Sábado, 12 de Junho de 2010

...

"You may not be her first, her last, or her only. She loved before, she may love again. But if she loves you now, what else matters?
She's not perfect - you aren't either, and the two of you may never be perfect together but if she can make you laugh and admit to being human and making mistakes, hold onto her and give her the most you can. She may not be thinking about you every second of the day, but she will give you a part of her that she knows you can break - her heart.
So don't hurt her, don't change her, don't analyze and don't expect more than she can give. Smile when she makes you happy, let her know when she makes you mad, and miss her when she's not there."


Bob Marley

 

 

 

Roubado a uma estrelinha*


publicado por blue258 às 18:02
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Cola e vapores

Há uma cola invisível que une duas pessoas no momento de toda aquela exaltação romântica. Todos nós estamos cientes de que, em qualquer relação, os primeiros tempos são os melhores. Porque os olhos estão mortalmente embevecidos pelos vapores da cola - já por isso há quem cheire cola (e este post assume uns contornos totalmente diferentes daqueles que teria se o tenho escrito ontem).

Há uma enlevação quase mística (e isto são ainda efeitos da feira medieval), dos intervenientes aos olhos um do outro. É nesta fase em que até os defeitos de cada um são adoráveis e motivo de reforço para toda essa envolvência.

 

O grande defeito desta história toda, é que é bom quando se está sobre o efeito dos vapores da cola (lá está, por isso há quem seja viciado nessa merda). E isso ninguém nega. É que tudo parece ter outro sabor (deve queimar as vias respiratórias com toda a certeza) e vemos a vida com outros olhos (de tão vidrados que estão, é natural que assim seja).

No entanto, quando essa cola se gasta, ou eventualmente perde a força (é o que dá comprar super-cola 3 nos chineses), já nada resta a segurar aquelas duas pessoas. A envolvência evapora da mesma forma que a cola.

 

É um fenómeno para o qual podemos tentar encontrar explicação, embora as respostas encontradas, regra geral, não nos satisfaçam. Podemos pensar que a cola não seria das melhores - daí não ter resistido muito tempo.  Podemos até pensar, que hoje em dia os produtos vêm todos da China e consequentemente, são de má qualidade - embora a China tenha produtos de grande qualidade, os que se encontram mais comummente são maus, muito maus. Chegamos até ao cúmulo de pensar que nós próprios é que fomos incapazes de aplicar a cola convenientemente.  E depois há aquela básica: nada é para sempre. Basta a isso adicionarmos produtos de fraca qualidade e mão de obra pouco qualificada e o resultado não poderia ser outro.

 

 

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publicado por blue258 às 15:04
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

"O Romeo, Romeo, wherefore art thou Romeo?"

Juliet:
O Romeo, Romeo, wherefore art thou Romeo?
Deny thy father and refuse thy name;
Or if thou wilt not, be but sworn my love
And I'll no longer be a Capulet.

Romeo:
[Aside] Shall I hear more, or shall I speak at this?

Juliet:
'Tis but thy name that is my enemy:
Thou art thyself, though not a Montague.
What's Montague? It is nor hand nor foot,
Nor arm nor face, nor any other part
Belonging to a man. O be some other name!
What's in a name? That which we call a rose
By any other word would smell as sweet;
So Romeo would, were he not Romeo call'd,
Retain that dear perfection which he owes
Without that title. Romeo, doff thy name,
and for thy name, which is no part of thee,
Take all myself.

Romeo And Juliet Act 2, scene 2, 33–49

Ainda há quem acredite no amor romântico e espere desalmadamente (ou não) pelo seu  Romeu. Será que os há? Há. Ocasionalmente encontramos um ou outro. Por vezes, ouvimos apenas relatos.  E o que será afinal um Romeu? Será aquele que nos escreve os versos mais profundos e canta  as músicas mais doces? Não me parece. Lembrem-se que por mais bonita que possa ser a  música desses Romeus que andam por aí,  não é a música de qualquer um que nos deixa rendidas a seus pés. É um facto.

O que é então um Romeu para vós? O que é que realmente importa? Será...

Aquele homem que nos prende num encantamento, aquele homem cujo sangue faz fervilhar o nosso, aquele homem cujo abraço é um porto seguro. Um homem que nos transmite calma, segurança, serenidade e uma jovialidade proveniente desse encantamento com que nos aprisiona. E que acima de tudo mexe connosco, atribula a nossa forma de pensar e revolve os nossos sentimentos. Porque um Romeu  na nossa vida é como uma descarga eléctrica que atravessa cada célula do nosso corpo. Atinge-nos como um raio e parece despertar-nos para a vida.

 

 

Julietas? Há-as todos os dias. Ou havia. Agora, cada vez menos. O amor tornou-se comercial, um produto à venda munido de uma belíssima campanha publicitária. E a publicidade é enganosa, já se sabe. Mas a sociedade parece ter-se habituado a procurar determinados  produtos e marcas. Quando falta em stock o chamado ideal (ou produto alvo) - e aqui há assunto para outro post - a tendência é munir-se de um sucedâneo qualquer.

Temos também de ter em atenção que muitas vezes vemos apenas o que queremos ver. Ah e tal, parece  mesmo de marca, não parece? É mais barato e faz o mesmo. E esquecem-se que isto não é bem assim. Levam-nos para casa e surpreendem-se quando ao fim de dois ou três dias aquela porcaria avaria e deixa de funcionar.

 

Vejo as mulheres procurarem homens com algum estatuto - leia-se bom emprego, boa conta bancária, boa casa e bom carro - e com um embrulho apresentável. Esquecem-se do mais importante: aquilo que não se vê no extracto bancário, aquilo que não se vê pelo carro, pela casa. Não se vê, simplesmente. Sente-se.

 

 


publicado por blue258 às 23:57
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Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

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tentei, está bem?


«Passei por ti tão incerto. Acho que nesses dias andava a recolher das ruas a minha própria vida, aos pedaços. Às vezes no falso vigor dum café quente, outras vezes no constante adeus daqueles que passam e não ficam. Como se assim um dia pudesse tê-la toda. Não podia. Talvez pensasse que ela estava fragmentada por aí, como peças dum puzzle por construir. Não estava. O amor é sempre assim. Ou a falta dele, pensei depois. Uma extensão de fragmentos.

 

E vi-te tão incerta. Acho que nesses dias houve um segredo qualquer. O amor começa sempre assim, pensei depois. Num olhar que é um segredo, num cheiro que é um segredo, numa vontade que é um segredo. Seja lá o que for. No princípio é sempre um segredo. Sempre. E tu disseste que os segredos são o Big Bang do amor. Tinhas razão. Todo o amor comprimido num único ponto pronto a ser o Cosmos. Às vezes devagar, outras vezes mais depressa.
E eu que já me tinha esquecido da mania que o amor tem de não fazer apresentações. Primeiro entra em nossa casa sem bater, deixando pegadas de terra na carpete da sala; depois desarruma-nos os objectos pessoais e a mobília. E rio-me com isso. E rimo-nos com isso. Às vezes também vai à cozinha servir-se dum café expresso. E quando perguntamos: "o que diabo se passa aqui?" já nem queremos saber a resposta. Queremos que o fim da cama seja a nossa linha do horizonte. É que às vezes é, até porque é atrás dela que passa a nascer o dia. Que passa a nascer a noite.

Tinha nascido a noite quando surgiu a dúvida: "o que dirá o dicionário sobre a palavra amor?". E tu riste-te. Se os dicionários são tão grandes deve ser só por causa dessa palavra, disseste. E eu ri-me. Fomos ver. Dizia que é o sentimento que induz a obter ou a conservar a pessoa ou a coisa pela qual se sente afeição. E rimo-nos os dois. Não é, pois não? Como é que o Big Bang podia ser só isso? O dicionário não sabe nada. E pediste-me para tentar escrevê-lo. Acabo de o tentar, meu amor, com este texto que é para ti. Só que eu também não sei nada. Tentei, está bem?»

 

bagaço amarelo, in não compreendo as mulheres

 

 


publicado por blue258 às 11:31
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...

«Os desgostos de amor são horríveis. E, por serem horríveis, as pessoas dizem que fazem parte; que são o preço; que são um caminho; que dão força e fazem crescer. Tal é o medo de aceitar a totalidade da tragédia que são, que se chega ao ponto de ver os desgostos de amor como um rito de passagem não só para a humanidade como para o próprio amor – o que é muito mais grave. É sempre outrem que fala assim levemente, alguém que, se calhar, nunca teve um desgosto de amor digno do nome ou, se o teve, já o esqueceu e, ao esquecê-lo, provou que nunca amou, por muito desgostoso que tenha ficado. Porque também existe o desgosto de ser abandonado por alguém de quem nos habituámos a fugir, e de já não ser amado por quem nunca amámos. Mas isso é um simples desgosto que nada tem a ver com o amor.


Já um desgosto de amor é um desgosto completo: uma desilusão e uma angústia; uma frustração de quase não existir, que começa por nós próprios, num incêndio de chuva que vai por aí afora até estragar o mundo inteiro, incluindo o que mais se queria proteger: a pessoa amada. Os abutres da consolação pretendem reclassificar os desgostos e ofender o amor e, distraídos pelo prazer necrófilo de cheirar, mesmo numa pessoa amada, a morte do amor alheio – tão secreta e infinitamente invejado! -, chegam a dizer as três palavras mais estúpidas, cruéis, inúteis e indignas daquelas circunstâncias: “Foi melhor assim.” Acrescentando, às vezes, mais duas: “Deixa lá.” Como se pudéssemos responder: “Boa ideia – vou deixar!” Os desgostos de amor estragam a alma. É preciso ter muito medo deles. Respeito. Cuidadinho. Tratar o amor nas palminhas. Mesmo antes de chegar a pessoa que se vai amar.

É que os corações partidos ficam partidos. Deixam de poder amar. E, em vez de amar, tornam-se músculos leves e cínicos, trocistas e elegantes. Pode até ser muito giro ser assim. Mas está para o amor como o gosto duma pedra de sal está para o mar. E às vezes ainda é mais triste: é o próprio gosto pelo amor, como quem gosta de um prazer qualquer, que mata o amor – a possibilidade de amar – logo à nascença. Será este o único desgosto, por muito caladinho que seja, tão grande como um desgosto de amor.»

Miguel Esteves Cardoso


publicado por blue258 às 00:07
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Broken/Empty Hearts - Técnicas para esquecer (parte I)

 

Quando estamos, vá, apaixonados, encantados, ou mesmo naquela fase de perder o chão, tudo naquele/a que é o objecto ou causador  desse efeito, nos parece perfeito, sublime. Mas não o é. Isso vos garanto. Tal como nós temos defeitos e qualidades, eles/elas também os têm. E quando a coisa acaba, não resulta, ou pura e simplesmente, nunca se chegou a dar, o que nos resta fazer? Esperar que passe. Ora, esperar é fudido. Muito. E o que tenho andado a pensar é o seguinte: torna-se necessário distanciarmo-nos da situação - tentarmos pôr o sentimento de lado e analisar as coisas objectivamente. Há então que pôr o encantamento de parte e analisar a situação a frio. A x graus negativos, de preferência. Vamos lá começar:

 

 

Quando gostamos de alguém, há todo um encantamento que toma conta de nós: verdade, ou verdade? E o que queremos a toda a hora, a cada minuto é esse alguém. Pensamos em como seríamos felizes se o/a tivéssemos: ai como seria bom... tão bom. Eu seria tão feliz... ele/a é perfeito para mim. Pois, lá está. Toca a fazer um loop e avançar essa fase. Não é avançar para a fase Alice no País das Maravilhas, imaginando que o/a temos, em que tudo é maravilhoso, uma descoberta a cada passo, a cada beijo. Não. Façam outro loop. Avancem para a fase em que a névoa do encantamento se começa a dissipar. Não, não é para aquela fase em que mesmo os seus defeitos nos fazem sorrir, nos encantam. Porra, não é isso. Vá lá, ajudem-me um bocado. Façam um esforço, pelo menos. Avancem para aquela fase em que o mar de rosas começa a trazer os espinhos para  a praia. As dificuldades, os imprevistos, as resistências que nunca pensaram encontrar. O facto de ninguém ser perfeito, e dentro dessa imperfeição a que todos estamos sujeitos, existirem aqueles pontos que consideramos toleráveis ou intoleráveis. Centrem-se nos intoleráveis. Garanto que ajuda.

 

Mais: tentem pensar no que que ele/ela tem, e que simplesmente não vos convém. E não me venham dizer que tudo é perfeito. Não acredito. Há sempre qualquer coisa. Arranjem qualquer coisinha, vá. Um esforço, sim? Seja o credo, a ideologia política, o clube de futebol, qualquer coisa serve. Qualquer coisa. Pensem, ah e tal, ele/a é portista, eu sou benfiquista... prefiro um benfiquista como eu. Por exemplo. Ou então centrem-se em coisas mais importantes, naquelas que realmente interessam.

 

Pensem em todos os encontros a que faltou. Pensem em todas as vezes que vos deixou à espera. Pensem em todas as promessas que fez e não cumpriu. Pensem em todas as vezes em que sentiram que vos falhou - todas as vezes que sentiram precisar dele/a e não o/a encontraram - esta é das melhores na minha opinião, das melhores.  Releiam aquele texto do Alvim - este aqui - que é um belo balde de água fria quando deixamos que o calorzinho bom do que foi, ou do que passou, nos volte a invadir o pensamento.

Lembrem-se que quem nos quer, quer acima de tudo estar connosco. Nos bons momentos, nos menos bons e nos maus. Em suma, em todos. Lembrem-se que não há imprevistos, não há desculpas - há um querer estar. E quando se quer, está-se. Ou faz-se por isso, pelo menos. Logo, se não está, é porque não quer. E ponto final. Metam isso na cabeça. Ok, esta foi forte... Pronto, vá, calma. O facto de tomarem consciência disto não vai afastar automaticamente o sentimento, ok? É só uma forma de nos tentarmos distanciar... desse mesmo sentimento. E esse é o propósito deste post. Portanto:

 

Apaguem tudo. Tudo.  Emails, mensagens, números de telefone - todo e qualquer contacto. É um dos passos mais importantes logo a seguir ao acima mencionado - é o passo primordial. É o verdadeiro passo na tentativa de esquecer/cortar com tudo o que ainda vos prende. Portanto, toca a apagar tudo - se tiverem coragem para isso.

 

NOTA IMPORTANTÍSSIMA: Não façam isso a não ser que o queiram mesmo fazer. Não façam isso a não ser que tenham tentado tudo o resto e mesmo assim não tenha resultado. Não façam isso se ainda estão naquela fase em que relêem o que foi escrito... e um sorriso do mais parvo que há ainda vos assoma aos lábios. Não façam isso.  Ou então apaguem, se e apenas se, têm forma de voltar a recuperar o que foi apagado.

Aconselho-vos o seguinte: dizermos a nós próprios que não temos nada que reler aquilo - que se acabou, acabou, que se não há nada ali para nós, não há nada ali para nós. E ponto. Sabemos que não podemos (devemos) reler e fazemos um esforço descomunal para tal. Quando efectivamente vamos lá e relemos (parvoíce de todo o tamanho), pronto, pensem só o desgosto que seria não ter lá nada para ler. E convenhamos: tudo são recordações. Memórias de um tempo, de um sentimento, de paixões desmesuradas. Registo de borboletas no estômago.

 

Cartas, bilhetes de concertos, de cinema, fotografias - devia dizer-vos: queimem tudo. Mas não. Opto antes por vos falar nas caixinhas. Sim, caixinhas. Lindas, de madeira, de qualquer outro material ou até uma simples caixa de sapatos: guardem tudo lá dentro. Tudo. O ideal era conseguir armazenar o sentimento também, mas isso já sabemos que não é possível - se há por aí alguém que ainda pensa que tal é possível, desengane-se o quanto antes. Façam-no. Arrumem tudo dentro de uma caixinha e guardem-na numa gaveta ou, de preferência, no sótão - o acesso é mais difícil e torna-vos a vida mais complicada de cada vez que vos apetecer pegar na caixinha, abri-la, e... pronto... aquela coisa que é aquele recordar babado. Aquele segurar nas mãos dos momentos, das alegrias, dos sorrisos, dos vôos agitados das borboletas. O que não convém. Nada, mesmo nada. Pelo menos quando se trata de tentar esquecer.

 

 

 


publicado por blue258 às 00:10
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