Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017

Quando descobres

Que o Grooveshark foi à vida.

Polar Bear Facepalm.jpg

 

E com ele, a tua conta e todos os players que tinhas na tag Aquela casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto. Isto tudo só porque ontem te lembraste de ir espreitar. Quando viste o trabalho que ia dar rectificar cada música, adiaste mentalmente para uma altura mais oportuna.

Depois pensas mais um bocadinho, mesmo que a muito custo (isto hoje), e oh wait, obviamente perdeste TODOS os players do Grooveshark no blogue.


publicado por blue258 às 14:05
link do post | dá-me um pouco da tua cor | favorito
|
Segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

#54 And we sail away

 


Tu e eu num abraço do tamanho do mundo. O teu. A minha cabeça apoiada no teu peito. Olhos semi-cerrados, como num sonho, a dormir. Mãos que acariciam... a tua pele. Pele, pele, pele. Sempre pele. Apenas pele. Pareces ser pele, pele onde mergulho, onde me delicio, onde me resguardo. Os teus braços seguram os meus, as tuas mãos deslizam: sobem e descem parecendo querer gravar na memória o contorno dos meus braços. Os teus olhos, sempre abertos, desatentos a tudo o resto. 


 


And then, you whispered these words:

 

Blue, songs are like tattoos
You know I've been to sea before
Crown and anchor me
Or let me sail away

 

 

 

 

Porque há palavras que são tatuagens indeléveis gravadas na pele com tinta invisivel. Porque há momentos que mapeados desenham constelações estreladas. Porque nunca foi preciso dizer adeus. O adeus não se diz, não se escreve, não é para nós. Não chegamos ao fim. Seguimos no caminho que os nossos passos escrevem a cada dia. 

 


You kissed me, held me tight and with our eyes closed you finally said:


Everybody's saying that hell's the hippest way to go
Well I don't think so
But I'm gonna take a look around it though
Blue, I love you

Blue, here is a shell for you
Inside you'll hear a sigh
A foggy lullaby
There is your song from me...




música: Blue - Cat Power

publicado por blue258 às 23:39
link do post | dá-me um pouco da tua cor | favorito
|
Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

#53 ...

 

 

 

 

A casa.  Prática e funcional. Sólida. Elegante e despretensiosa. Um espaço encerrado nas memórias agora habitado pelo som do mar que invade a sala, o vento que percorre as traves de madeira, a luz que ainda ousa reluzir os tons vibrantes e a música que ecoa em cada pedra.  

 

Uma casa, uma história de peles. Escrita na pele pela sede, uma sede que  nunca se saciou, que se sacia a cada dia, que sorve o amanhã.

Uma história de reticencias, faladas, escritas, sentidas, nunca explicadas. Porque há coisas que simplesmente não se explicam.

 

Long days, short nights. Heart rate, sky high. Time flies. Come to me, you know what to do. You say the things that i wanted to hear. But i'm not sure if you are what i need...

Long days, short nights. Heart rate, sky high. Time flies. Can you hear that sound... It's the sound of my heart and it's beating just for you.                                    Hope you feel it too.

 

Uma casa agora vazia. Faltas tu, falto eu. Falta a minha pele na tua. Peles que se tocam, que se falam, que se adivinham a cada gesto. Agora resta o vazio.  A espera. O relógio conta os segundos. Os minutos. E a cada hora os dias tornam-se mais longos. O coração bate compassado com a cadência do mar e é dessa forma (apenas dessa forma) que ainda (sobre)vive. Porque o mar não morre. O mar não morre nunca!

Uma casa visitada por almas errantes que apenas saciam a sede, a sua própria sede, uma sede que se agarra às memórias como os moluscos se agarram às rochas negras. Que se entranha na pele. 

 

Aquela casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto... 

 

 

música: Long Days - I wil, I swear

publicado por blue258 às 19:18
link do post | dá-me um pouco da tua cor | favorito
|
Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

#52 Diz-me que me amas

 

 

Diz-me que me amas, em sussuro, ao ouvido. Olha-me nos olhos e sorri, com esse sorriso que me encanta... que me estilhaça a alma! Exala as palavras mais uma vez no meu pescoço. Escreve-as novamente nos meus ombros. Marca-as na minha pele. Tatua o meu corpo com o teu amor.

 

Envolve a minha pele na tua, enquanto que os lençóis voam ao sabor da paixão. Perde-me nos teus braços. Solta-me. Liberta-me. Enleva-me. Abraça-me: é nos teus braços que me quero encontrar de novo ao regressar. Ao voltar... e de cada vez que volto... a ti.

 

Deixa que a luz do sol me desperte. Não, não corras as cortinas. Não saias do meu lado, nem por instantes, não, não descoles o teu corpo do meu. Agora sou eu que te abraço. Que te envolvo. Que marco o teu corpo com amor. Deixa que a manhã nos encontre assim, por entre o tumulto dos lençóis.

 

O meu corpo, em cima do teu, segue a cadência do mar... aquela cadência que tantas vezes se impôs aos nossos corpos. A maresia desperta-nos os sentidos, e, não tarda nada, o mar revoltar-se-á por não acompanhar a cadência que descrevemos. As ondas quebram nos rochedos negros, e jazem depois, extenuadas, no areal molhado, na praia que espera por elas. Naquela praia. Naquele lugar. Junto à casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto.  

 

 

E agora sou eu que te digo: meu amor, mais uma  vez... mais uma vez.

 

 

 

mas eu descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
aqui tudo é mais forte e há mais cores no céu maior
aqui tudo é tão novo e o que pode ser amor

e onde tudo morre tudo volta a nascer
em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar

já é dia e a luz está em tudo o que se vê
cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover
na cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar.

 

 

 

 

 

música: O Lugar - Tiago Bettencourt

publicado por blue258 às 12:59
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (4) | favorito
|
Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

# 51 Soulless or soulful

 

Trocamos o sofá pela cama. A luz das estrelas incide na clarabóia, projectando sombras aqui e ali, no quarto, nos lençóis, no meu corpo e no teu. O mar retumba no silêncio da noite. Ruge, querendo acordar a vida que há nos corpos extenuados. Nas almas exultadas.

 

Wake up
Look me in the eyes again
I need to feel your hand upon my face

 

Acordo e vejo-te dormir nos meus braços. Acaricio o contorno do teu rosto. A barba, aquela barba... Sorrio. Deslizo os dedos pelos teus lábios. Desenho carícias com a ponta dos dedos... na tua pele. Aproximo o rosto do teu: o teu perfume, o teu cheiro. O calor que emana do teu corpo. Beijo suavemente cada pálpebra adormecida. E deposito um beijo leve e doce nos teus lábios. Sorrio, e abraço-te forte. Acordo-te com um sorriso nos lábios e um sentimento que parece pulular em cada célula do meu corpo.

 

I think I might've inhaled you
I could feel you behind my eyes
You've gotten into my bloodstream
I could feel you floating in me

 

 

Pesa sobre mim o ritual do qual já te tornaste indissociável. Sucedem-se as imagens que conheço tão bem, repetidas vezes sem conta. O meu rosto no teu peito, naquele sítio, naquele. O teu cheiro, o teu perfume. A minha respiração que teima em te beijar o ombro, o pescoço. O meu olhar que segue os contornos do teu queixo, foge da tua boca, e vagarosamente, demoradamente, desenha a tua pele morena, só para depois desaguar no teu. A minha boca que se detém no teu beijo. Sorrio. A tua mão segura-me o rosto e os teus dedos acariciam os meus lábios. E esse sorriso malandro, esse, esse mesmo, esse sorriso maravilhoso, deliciado com a entrega desmesurada que sabes que é a minha. Gestos, rituais, tão próprios, tão teus, tão meus, tão... nossos.

Não falas. Sabes que comigo não é preciso falar. Sabes o que valem os silêncios comigo. Tanto, tanto... Ao veres o meu olhar embevecido - de que outra forma posso eu olhar para ti? - o teu abre-se num abraço, e sinto os teus braços rodearem-me e cingirem-me o corpo. E apertas-me, abarcas todo o meu ser nesse abraço. E eu estremeço, estremeço como se fosse de medo, mas não é de medo, é a certeza de todos os medos que me abandonam. Nos teus braços sinto-me segura. É o que me parece dizer-te a minha pele. Nos teus braços sinto-me segura.

Um abraço desenfreia o sangue adormecido, que aos poucos volta a circular frenético, quente, no meu corpo. Esse abraço não se move apenas pelo contacto da pele, pelo toque dos corpos, não. Esse abraço potencia o movimento do sangue no corpo, fazes do meu corpo o mar, do meu sangue, a força das marés. Tu... e esse abraço que é o teu.

 

 

 

música: Bloodstream - Stateless

publicado por blue258 às 00:14
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (5) | favorito
|
Domingo, 3 de Outubro de 2010

# 50 Arder... em fogo lento

O temporal ruge lá fora. Tal é o seu rugido, que o mar, escarpado, parece atacar inimigos invisíveis que se passeiam ao longo da costa. As folhas ainda verdes - poderosa resistência - são rasgadas pelo vento, sem piedade. As árvores balançam sob a batuta do vento, soltam raízes, apoiando-as desnudas na terra molhada.  Lá fora, toma lugar a batalha infernal dos elementos. Cá dentro, a madeira seca crepita na lareira. O teu corpo desnudo abraça o meu. Os corpos beijam-se continuamente no espaço exíguo do sofá. E nele passamos a noite. Nele começou o temporal que agora se arrasta lá fora.

 

 

 

 

 

 

 

música: Nude - Radiohead

publicado por blue258 às 16:21
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (4) | favorito
|

# 49 O cheiro da chuva

O vento perde-se em brincadeiras: enleva docemente as primeiras folhas caídas do Outono. Enleva-nos a todos na doçura do frio, este frio que é bom, que nos abraça no calor do nosso corpo.

Já as nuvens se movimentam no céu ainda azul - a chuva não tardará muito - dirijo-me para casa, embalada pela frente fria. O meu olhar perde-se ao longo da costa, no areal branco, no mar em tons de azul, nas rochas negras. Ergo o olhar, perco-me na imensidão do horizonte, deslizo pelo céu polvilhado de nuvens. Envolvo-me nos meus braços. O frio. Este frio bom que pede aconchego, pede o calor do teu abraço.

Sinto as primeiras gotas de chuva acariciarem-me o rosto. Uma delas desliza pela pálpebra direita; resvala nas pestanas e pende, e ali permanece, presa num hiato de tempo, querendo lançar-se no rosto e ao mesmo tempo querendo ali permanecer. Outra gota beija-me os lábios: prendo-a, lambendo os lábios e retendo o seu sabor. Deslizo a língua pelos lábios. Penso no teu sabor. Mordo os lábios. Demorarás muito a chegar? A casa, aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

 

Down here the river, meets the sea
And in the sticky heat I can feel you open up to me
Love comes out of nowhere, baby, just like a hurricane
And it feels like rain and it feels like rain

Lying here underneath the stars right next to you
And I'm wondering who you are and how do you do? How do you do, baby?
Clouds roll in across the moon and the wind howl out your name
And it feels like rain and it feels like rain

 

Deixo a porta aberta para que os aromas de Outono se instalem, mesmo sem pedir licença. Sente-se a humidade no ambiente da sala. O cheiro da chuva que já cai lá fora. Aquela chuva boa, que cai como que sem querer. As cortinas corridas emolduram a vidraça  que espelha o extenso areal e o mar que o banha. Perco novamente o olhar no horizonte. Demorarás muito a chegar?

 

Oiço-te chegar. Estacionas o carro e já os teus passos se dirigem para a porta da frente. Aproveitas para entrar em casa, vendo o mar, absorvendo o cheiro a maresia, deixando que o salgado tempere a doçura do teu rosto. És como eu: amas este mar. Faz parte de ti, tal como de mim. Somos feitos do mesmo.

Saio para abraçar-te no alpendre. Recebes-me com um sorriso. Eu, com o coração. Ambos em silêncio; sabemos que chegaste a casa, e que agora sim, estou em casa. Eu sou tua e tu és meu. Passo as minhas mãos pelo teu rosto. Olho enlevada para o teu olhar profundo, para esse sorriso que me prende, passo a mão direita pelo teu cabelo, as pontas dos dedos brincam com as gotas de chuva. Seguras a minha mão esquerda com a tua, aproximas os lábios, e beijas-me a pele. O meu coração estremece. Eu sou tua e tu és meu.

A minha mão direita acaricia-te o rosto, os dedos tocam os teus lábios ao de leve. Deslizo pelo pescoço. Seguro-te pela nuca  e aproximo o meu corpo do teu. Absorvo o teu perfume, o teu cheiro, beijo-te com a respiração. Prendes-me junto a ti, envolves-me nesse teu abraço. Enlevas-me como faz o vento outonal. Sei amar-te. Rendo-me ao teu abraço. E rendida, beijo-te ao de leve nos lábios. Vejo nos teus olhos a cena que acabou de se passar, percebo como te deixaste estar, como compreendes este ritual que eu não consigo deixar de fazer. Vejo-te sereno, de sorriso nos lábios. És a minha fonte de serenidade. És. E eu sou tudo, nos teus braços. Pouso a cabeça no teu peito, naquele sítio, naquele. E é quando te digo, vamos, vamos para dentro.

 

Ao olhar-te de novo, embevecida, derretida, pegas-me ao colo e levas-me para a sala. Pousas-me delicadamente no sofá. Beijas-me na testa, nos olhos, no rosto, no queixo, no pescoço. Finalmente, sinto a tua boca na minha e já o meu corpo implode de desejo. Abraço-te ainda com mais força. Sinto o corpo a querer prender-te com todas as forças. A roupa voa pela sala, cai tranquilamente no chão, enquanto que a tempestade, essa, somos nós que a criamos. Os corpos movimentam-se sob a cadência do desejo. Oh desejo! A pele resvala entre o calor e o frio. O fogo implode agora violentamente na alma. O cheiro do meu corpo guarda o do teu e o cheiro da chuva. E eu beijo cada gota de chuva na tua pele. Os lábios conquistam, a língua apossa.

 

Tudo se resume a condensação. Tudo. Cada gota de suor no teu corpo. Cada gota que escorre pela vidraça. Cada gota de chuva que sulca a areia lá fora. Cada gota que se junta ao salgado do mar. Cada gota que sorvo, deliciada. Cada gota tua. Cada gota.

 

 

 

 

 

Participação de Outubro

 

 

música: Feels like rain - Jonh Mayer & Buddy Guy

publicado por blue258 às 00:37
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (21) | favorito
|
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

# 48 Touch and go

 

 

música: Touch and Go - Buddha Bar VI

publicado por blue258 às 23:43
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (5) | favorito
|

# 47 Some kind of wonderful

[Post não recomendado para mentes tacanhas. Se o caso for esse, é favor não ler. Nem ver o vídeo, já agora. Be open-minded, please.]

 

 

 

 

Aproveitamos os dias solarengos que nos restam.  Os finais de tarde na praia. Os mergulhos no mar. O pôr-do-sol.  Os beijos entontecidos.  Os jantares no alpendre à luz de velas. A noite quente que ainda nos envolve quando as estrelas se deitam. Pool party: casa de  férias de um casal amigo. Amigos em comum, amigos novos. Caipirinhas e muito álcool. Piscina. Banhos nocturnos. Diversão pela noite dentro.

 

 

 


publicado por blue258 às 23:30
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (4) | favorito
|

# 46 Silêncios

 

 

Lá fora a chuva cai sem vontade. O vento embate no mar. Sem vontade. A água decalca a areia ainda quente. Sem vontade. O dia amanhece sem querer. Dentro do quarto, deixamos cair a chuva lá  fora. Mergulhamos mais uma vez por entre os lençóis. Embatemos o desejo nos corpos. Sucumbimos. À nossa vontade.

A minha pele é o mapa da tua viagem. Guarda o perfume do teu corpo como um tesouro. Encerra beijos e segredos. Só meus. E teus.

Beija-me. Aqui. Beija-me outra vez. Aqui. O dedo indica onde se detêm os teus lábios. Aqui. Ali. Aqui e ali. Na minha pele. No meu corpo.

 

Tinha os pés entrelaçados nos teus. Chamei-te meu amor em surdina. Calei-me num sorriso. Disse que te amava num silêncio. E esse silêncio retumbou cá dentro como o mar em dias de tempestade. Sempre disseste que o meu  silêncio diz tanto. Tanto. E diz.  Desenha o meu mundo quando estou contigo. Quando me fazes inteira.

 

 

I'll stop the world and melt with you
You've seen the difference and it's getting better all the time
There's nothing you and I won't do
I'll stop the world and melt with you

 

 

Beijamos como quem faz amor, entretecemos bordados na pele, encetamos viagens sem destino. Tu e eu. Dentro de quatro paredes que deixam de existir no momento em que os nossos corpos se tocam.




 

 

 


música: I melt with you - Nouvelle Vague

publicado por blue258 às 00:09
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (7) | favorito
|
Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

# 45 When a tornado meets a volcano

 

O dia parece soçobrar pelo peso da noite que impiedosamente se abate sobre ele. O céu parece querer libertar as águas que aí aprisiona. Querer. Até o céu tem querer. O mar que retumba sem parar, parece agitado, não pela força do vento estranho que lhe escarpa as ondas, mas pela tempestade que se quer formar. Querer. Há um querer que se foi alimentando durante o dia, sorvendo tudo à sua volta, acrescentando, engolindo tudo em que toca, encrespando-se na crista de um tornado, impulsionado pela demora de ter. De te ter.

 

 

 

just gonna stand there and watch me burn
that’s alright because i like the way it hurts

 

A sala quente, crepitante,  vibra quase silenciosamente nos aromas de laranja e canela, nos tons alaranjados que a compõem.  Um vulcão. És lava que me corre nas veias. Que me incendeia. E eu sou tempestade. Os meus desejos parecem comandar  os ventos, as marés, a cadência da chuva e das estrelas. Abres a porta, e os ventos inflamam o incêndio que me queima a pele. E ao entrares, trazes contigo o tornado que te espera. Voas para os meus braços, e é o meu fogo que te queima a pele.  Sou eu que te consumo, que te quero consumir, que me consumo a mim própria contigo. Em te querer. Querer. Este querer que balança no ar, contagiando-nos, aliciando-nos, iludindo os sentidos.

 

Os corpos envolvem-se numa dança que conhecemos tão bem. Sabem de cor os passos, mas sinto-os improvisar a cada toque, a cada arrepio. O sabor da pele dita o compasso da entrega. De te receber. De te ter.

E os meus braços perdem-se nos teus. A minha boca palminha o teu corpo, tacteando cada centímetro, na escuridão intrincada. O meu cheiro dispersa-se no teu. O teu sabor grava a passagem por cada recanto do meu corpo. Os teus dentes marcam-me os ombros. As minhas unhas marcam-te as costas. Cedemos. Soçobramos sob a fúria que se abate sobre nós. Somos tempestade. Somos.

 

Encostamos os corpos suados à vidraça gotejante da sala. O mar, lá fora, reage à provocação da cadência dos nossos corpos desnudos. Vergamos os  corpos ao desejo, amamos, sugamos a vida, consumimos a energia sem fim. Pára. Sentes? Juntos originamos um terramoto violento, cujo epicentro se forma aqui mesmo. Aqui. E agora.

 

 

música: Love the way you lie - Eminem ft Rihanna

publicado por blue258 às 23:04
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (6) | favorito
|
Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

#44 Pinto a tua pele (parece-me que precisa de bolinha vermelha - é do calor, eu não tenho culpa - está calor, não está?)

No estúdio, as tintas cedem sob a loucura do calor. Loucura? Diria tortura. Sim, tortura. Também eu cedo como elas a esta tortura, a este calor. Nem o mar possante acalma o fogo que se faz sentir. A brisa passeia-se sómente pela casa, aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

 

 

música: Lounge - Maria Gadú

publicado por blue258 às 00:07
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (18) | favorito
|
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

#43 Espero por ti

Sentada no sofá. Aconchegada no teu abraço. Cabeça pousada naquele sítio, naquele, naquele... tu sabes, tu sabes... Envolta por uma doçura que parece não ter fim... e o teu cheiro impregnado em mim, em mim, em mim... E espero o toque das tuas mãos, o calor do teu corpo, o mel do teu olhar... enquanto os meus olhos vislumbram a chuva que brinca na praia e o vento que acaricia a vidraça. Espero por ti, na casa da praia, aquela, sem vizinhos por perto.

 

 

Give me more than one caress
To satisfy this hungryness
We are creatures of the wind
Wild is the wind

 

O marulhar sobe de tom e o vento sibila a tua ausência... o mar ama revoltado, voltando-se para a lua, suplicando a sua doçura. E a lua, impávida e serena, parece troçar lá do alto. O mar, agora encrespado, procura lançar o seu manto salgado cada vez mais alto. Quer atingir a lua, tocá-la, envolvê-la, e diluir-se na sua doçura. Falha, e rebenta a sua fúria nas rochas. Maldiz a lua e jura amor ao sol. Ao sol, a quem vê indiferente de dia. Ao sol.

Mas é a lua que ama, foi esta quem  o enfeitiçou. E eis que chegas tu, acalma a revolta lá fora,  e um calor se apodera do meu corpo. Entras, e ao ver-te, o meu coração bate descompassado a melodia afinada do amor. Aproximas-te, e os acordes soam mais alto. Levanto-me e voo na tua direcção: já o coração pula de emoção. Corro para o teu abraço, inspiro profundamente o cheiro da tua pele, uma e outra vez... mais uma vez. Resguardo o meu corpo no calor do teu, afundo-me na tua doçura, perco-me no castanho dos teus olhos. Acaricio-te o rosto, e ronronando como um gato, peço-te: abraça-me com força. Abraça-me...

Abraça-me. E tu sorris, desarmando-me, quando desarmada estava eu, e mesmo que não estivesse, ao ver-te sorrir com o olhar, deixo cair as armas ao chão, e ao ver esse sorriso doce nos teu lábios, perco as forças, e rendo o meu corpo ao teu. A ti. À tua vontade.

 

You... touch me... I hear the sound of mandolins
You... kiss me... With your kiss my life begins

Love me, love me... Say you do
Let me fly away... With you

 

 

música: Wild is the Wind - Cat Power

publicado por blue258 às 00:09
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (29) | favorito
|
Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

#42 Have me in your arms

I was a heavy heart to carry, my beloved was weighed down. My arms around his neck, my fingers laced to crown.

I was a heavy heart to carry, my feet dragged across the ground... and he took me to the river, where he slowly let me drown.

My love has concrete feet. My love's an iron ball. Wrapped around your ankles... over the waterfall.

 

 

 

Cala-me. De paixão. Atordoa-me. De querer. Sufoca-me. De desejo. Mata-me. De prazer. Morde-me o pescoço, os ombros. Marca-me a pele. Tolda-me o espírito. Acorrenta-me. Prende-me com a paixão. A ti, a ti, a ti.

Encaixada, enlaçada. Presa, perdida. Os meus braços, no teu pescoço.  Os teus, sustentam o peso do meu corpo. A minha boca, na tua pele. A tua, desvairada, morde, beija e marca. As minhas pernas envolvem-te pela cintura. As tuas, encaminham-nos para o mar.

 

Corpos entrelaçados sob um manto escuro, sobre uma cama molhada. E a água fria beija-nos a pele. Arrepia a exultação dos corpos na água. A animação do teu... no meu. E do meu, do meu, do meu...

Abraço. Arranho. Beijo. Mordo.  Sacio a fome. A fome... Mitigo a sede. A sede... Do teu corpo. Da tua boca. De ti.

Solto o teu pescoço. Deito as costas no mar. Pairo sobre a água. Agarro o céu.  As tuas mãos comandam sucessivas invasões. Fortes e destemidas.

Abrandas o ritmo. Avanças... e eu deliro. Recuas... e eu espero, insaciável.

A cadência das estrelas. O compasso do mar.  O balanço dos corpos. O batimento do coração. A força  maior que rege o universo.

E eu sou tua. E tu, meu. E eu recebo-te, todo. Em mim, em mim, em mim.

 

 

This will be my last confession... I love you never felt like any blessing. Whispering like it's a secret, only to condemn the one who hears it with a heavy heart. I was a heavy heart to carry, my beloved was weighed down. My arms around his neck. My fingers laced to crown.

 

I was a heavy heart to carry
But he never let me down
When he had me in his arms
My feet never touched the ground

 


música: Heavy in your arms - Florence + The Machine

publicado por blue258 às 00:41
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (4) | favorito
|
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010

# 41 E tu... (bolinha vermelha ainda pequenina... ainda...)

 

Louco. O desejo que se apodera do meu corpo. Louco. O desejo que incendeia a alma. Louco. Este querer, louco. O beijo, louco.  A loucura num beijo. Loucura.

A tua pele morena. O teu perfume. O teu cheiro. Os teus olhos castanhos.  O olhar penetrante. A tua boca. O teu sabor.   A envolvência que me aprisiona. O teu sorriso.  O teu rosto. O teu pescoço. Os teus ombros. Os teus braços fortes. As tuas mãos. Os teus dedos. Todo o teu corpo. Tudo em ti é loucura.

A forma como te quero. Como te desejo. A minha alma quer entrelaçar-se na tua, enquanto que o meu corpo resume o seu querer ao teu corpo. A ti. A ter-te. Selvagem e frenética. Jovem e impetuosa.

Toma-me. Nos teus braços. Na tua boca. Na tua pele. Inflama este corpo que arde de desejo pelo teu. Cala esta boca que espera pela tua. Sustém o arrepio gelado que percorre a  pele  que queima. A alma que arde. Toma-me nos teus braços. Abraça este corpo que estremece.  De frio.  De calor. De prazer. Desejo.

 

 

On candystripe legs the spiderman comes
Softly through the shadow of the evening sun
Stealing past the windows of the blissfully dead
Looking for the victim shivering in bed
Searching out fear in the gathering gloom and

Suddenly! A movement in the corner of the room!
And there is nothing I can do, when I realise with fright
That the spiderman is having me for dinner tonight!

 

A ténue luz lunar, revela fragmentos de pele expostos, aqui e ali; concede tons dourados à areia; dá voz ao mar silenciado. E nós, ambos de olhos semi-cerrados. Percebo a sede no teu sorriso, a fome no teu olhar. Apercebo cada gesto, cada movimento. Apercebo-te.

Deslizas as mãos pelo meu corpo. Entranhas-te cada vez mais em mim. Eu morro um pouco de cada vez. E tu trazes-me de volta à vida, a cada vez.

 

Libertas-te das minhas pernas que te entrelaçavam. As tuas mãos perdem-se no seu contorno. Definem os músculos exaltados. Acariciam a pele.

Olhas para mim com aquele olhar que incendeia. Sorris, com aquele sorriso que me mantém cativa. Escrava. Prisioneira.

Os teus lábios frios beijam a pele. Cada centímetro de pele. Decididos. Demorados. A tua boca, prova, saboreia. A tua língua, serpenteia. E eu, deliro.

 

His arms are all around me and his tongue in my eyes
"Be still be calm be quiet now my precious boy
Don't struggle like that or I will only love you more
For it's much too late to get away or turn on the light
The spiderman is having you for dinner tonight"

 

Demoras-te na virilha, no interior da coxa. E mordes. E sugas. E mordes. Sugas. A minha carne, na tua boca. E eu deixo de ser um corpo, para ser apenas carne. Pele e carne. A minha, e a tua. A tua boca, as tuas mãos, na minha carne.  A minha carne, na tua boca... eu, nas tuas mãos.

A forma como me tocas... beijas e mordes. A forma como me sabes tua. Deixo de sentir a carne e sinto apenas as tuas mãos. E as tuas mãos tornam-se parte do meu corpo. E o meu corpo... parte de ti.

 

 

música: Lullaby - The Cure

publicado por blue258 às 00:20
link do post | dá-me um pouco da tua cor | ver outras cores (7) | favorito
|

.10 anos, 10 razões :)

10 anos de Blogs do SAPO

.mais um pouco de azul


. procura-me

. segue-me

. 101 seguidores

.azuis recentes

. Quando descobres

. #54 And we sail away

. #53 ...

. #52 Diz-me que me amas

. # 51 Soulless or soulful

. # 50 Arder... em fogo len...

. # 49 O cheiro da chuva

. # 48 Touch and go

. # 47 Some kind of wonderf...

. # 46 Silêncios

.a cor da minha música

.pesquisa-me

 

.arquivos azuis

.azul também por aqui:

.links

.favoritos

. este mundo que nos ensina...

. passando, sem ficar.

. quando o medo te assalta.

. um abraço. o meu lugar.

. como comer sushi como um ...

. A Dani, segundo a MilVeze...

. ...

. abre parêntesis

. menos não (me) chega.

. 30 coisas sobre ti (que n...

.tags

. todas as tags

SAPO Blogs

.subscrever feeds