Terça-feira, 22 de Março de 2011

E aquela lua, aquela...

 

*

 

 

 

A28, noite de sábado: era algo assim que eu via. Não podia parar para fotografar, mas guardo o momento na memória. Bem guardado. A vida é mesmo feita de momentos.

 

Linda. Enorme. Os tons alaranjados a rasar o horizonte. E nós a caminho do Porto. E eu perdida a olhar para ela. Perdida a pensar em ti. E passei a noite toda a querer roubar um beijo. Um beijo.

 

 

Ao voltar, quero crer que a lua fugiu para o mar. Não voltei a pensar nela,  nem a voltei a ver até chegar a casa. Espelhava o mar de prata de uma forma que eu nunca antes tinha presenciado.

 

 

 

*imagem retirada da net


publicado por blue258 às 01:45
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

...

 

Se eu fosse a tua pele. Se tu fosses o meu caminho. Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho. Trocamos as palavras mais escondidas que só a noite arranca sem doer. Seremos cúmplices o resto da vida. Ou talvez só até amanhecer.

 

 

Mafalda Veiga, in Cúmplices

 

 

 

 

P.S. Roubado à Dani. Só podia.

 

 

 

 

 


publicado por blue258 às 00:50
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Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010

...

Tu aprendes todos os dias, certo? Portanto, nada melhor do que te deixares ir, e viveres um dia de cada vez. A saída de sábado foi surreal, foi, mas terá sido isso mesmo que fez com que eu nem pensasse uma única vez em ti. E tinha-te mesmo ali ao meu lado. E tu falas, tratas e preocupas-te comigo da mesma forma. E tudo parece ser como antes. Parece, porque não o é propriamente. Mas está lá perto.

 

 

 

 

P.S. E o truque é não sairmos só os dois. Acho que esse é o truque. Depois, é só juntar-lhe umas noites como a de sábado, em que nem um nano-segundo tenho disponível para pensar seja no que for.

Eu sou boa a fazer controlo de danos. E tu és bom a controlar os ânimos. Desde cedo que te achei muito parecido comigo. Manténs a cabeça fria no meio da confusão. Manténs-te sóbrio, no meio da embriaguez. E há uma lucidez que nos segura a todos no meio da loucura.

 

 


publicado por blue258 às 02:29
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Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

Dos convites para tomar café

Ao final do dia, antes de jantar. E que se estendem até às duas da manhã. Do que fica por dizer. Do que fica por fazer. Super. Super*.

 

 

* Private joke


publicado por blue258 às 02:15
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Domingo, 14 de Novembro de 2010

Do sábado

Consegui deitar-me uma hora mais cedo do que na semana passada. Lembrei-me de ter dito que ia trocar o pôr-do-sol pelo nascer. Sabia que às nove tinha de me levantar. Levantei-me às dez menos vinte. Dormi três horas e vinte minutos. Olheiras deliciosas: cada vez mais gosto de mim. À tarde, trocam-se de novo mensagens. Um devagarinho delicioso. Sem pretensões. Amiga liga para sair à noite: veste-te e vou-te buscar. Quanto tempo demoras? À noite chove e venta como se fosse o fim do mundo. Sair assim à rua? Claro.

Amiga está impossível, mostra-se cada vez mais impossível, e eu com cada vez menos paciência. Vamos buscar o amigo da amiga, agora, também meu. O mesmo bar do Halloween. Mas hoje mando eu: kalashinkov's. Amigo alinha deliciosamenrte.

A noite é passada entre muita gente, música alta, fumo, álcool, e sussurros. Dos sussurros falarei mais tarde.

 

 

 

 

Alors on sort pour oublier tous les problèmes. Alors on danse…
Et la tu t'dis que c'est fini car pire que ça ce serait la mort.
Qu'en tu crois enfin que tu t'en sors quand y en a plus et ben y en a encore! Ecstasy dis problème les problèmes ou bien la musique. Ça t'prends les trips ca te prends la tête et puis tu prie pour que ça s'arrête. Mais c'est ton corps c’est pas le ciel alors tu t’bouche plus les oreilles. Et là tu cries encore plus fort et ca persiste...
Alors on chante. Lalalalalala, Lalalalalala,
Alors on chante. Lalalalalala, Lalalalalala
Alors on chante . Et puis seulement quand c’est fini, alors on danse.
Alors on danse. Et ben y en a encore.

 


publicado por blue258 às 14:30
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Domingo, 7 de Novembro de 2010

Sexta-feira,

O meu telemóvel parecia uma central telefónica. Como é possível que uma simples saída possa implicar tanta logística?

 

Saiu-se. Bebeu-se. Fumou-se. Bebeu-se mais um bocado. Fumou-se ainda mais. Conversou-se até altas horas da madrugada. Ouviu-se Placebo, Massive Attack, Portishead. Boa música, portanto.

 

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publicado por blue258 às 21:51
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Do Halloween

 

Este Halloween foi diferente do ano passado, isso foi. Sem dúvida. Gaja tinha planeado isto, ou aquilo em alternativa. Ou ainda aquilo, mas aquilo era mesma a terceira opção. Gaja está a caminho de casa e a pensar, estou toda bonita, toda gira, e já vou para casa? Gaja pensa em enviar mensagem a amiga a perguntar: onde estás? O que fazes? Pondera que é mais do que provável que amiga esteja em casa e pensa ligar-lhe e dizer-lhe: prepara-te para sair, passo aí para te ir buscar, quando amiga liga a gaja por volta da meia-noite e meia. Nina, onde estás? Estás sozinha? Oh, vamos sair. Vamos, oh vamos...

Fomos, claro. Caso contrário, não haveria nada para contar.

 

Entramos no bar, acompanhadas pelo amigo da amiga, a quem se juntam depois o primo nº2 e nº 3. Gaja, não é muito extrovertida, fala, mas pouco, e deixa-se estar na dela. Gaja observa local, analisa o ambiente, pede bebida, e volta analisar ambiente. Gaja não gosta da confiança do primo nº2 com a amiga. Gaja pensa: ok, se isto continua assim, é o tempo de tomar esta bebida e ala que se faz tarde.  Gaja prepara-se para dizer à amiga: bebemos e bazamos. Mas amiga põe primo nº2 no lugar, a coisa acalma e gaja diz para si mesma: ok, podemos ficar mais um bocadinho. Gaja volta a analisar ambiente. Salientam-se dwarf nº1, que saltita sem parar na pista de dança, e sem largar aquele sorriso, estúpido/parvo e dwarf nº2 , mais parado, mas de igual sorriso irritante.

 

Pensamento nº1 da noite: onde raios eu me vim meter!

 

Entretanto o ambiente anima, e animado está primo nº3. Grupo encaminha-se para a pista, e gaja deixa-se estar: wrong move. Really wrong move. Gaja é assediada pela direita. Depois, pela esquerda. Gaja pensa: porra que isto está bonito.

 

Pensamento nº 2 da noite: porra, já não me lembrava de me sentir um pedaço de carne em exposição.

 

Amigo da amiga diz à amiga para ir buscar gaja para junto deles no exacto momento em que dwarf nº2 lhe dizia: não te costumo ver por cá. Costumas aparecer por aqui? Gaja procura ser educada, a noite ainda está a começar, e responde secamente: não costumo vir cá. Gaja é salva pela amiga no momento certo. Amigo da amiga diz qualquer coisa como: estás melhor aqui. Gaja responde: realmente, ali não estava nada bem. Os homens não podem ver uma mulher sozinha. Amigo da amiga: nem todos os homens são assim. Vá, a maior parte deles são. Mas nem todos. Remata com um sorriso e recebe outro de volta.

 

Pensamento nº3 da noite: é por estas e por outras que eu nunca gostei de sair só com gajas. Valeu-me o amigo da amiga.


 

Pelos vistos, a animação de primo nº3 continua a aumentar. Gaja, não gosta, mas tenta levar a coisa na desportiva, é Halloween, é natural esta animação toda. Mas gaja não gosta de tanta animação fortuita, não. Gaja é obrigada a dizer um "menos" quando o que Gaja queria era assentar a mão na cara de primo nº3. Mas gaja controla-se. Não faças estrilho, pensa ela. Amigo da amiga apercebe-se da situação, e troca duas palavrinhas com primo nº3. Primo nº3 afasta-se, e parece acalmar.

Entetanto, resolve voltar à carga, e gaja começa-se a passar. Gaja procura controlar-se, o que é difícil. Amigo da amiga intervém. Primo nº 3 parece compreender e deixa gaja sossegada. Mas primo nº3 parece ser teimoso que nem uma mula, e volta a atacar. Amigo da amiga intervém prontamente e estabelece conversa mais demorada com primo nº3. Amigo da amiga parece sério. Primo nº 3 também fica sério. Primo nº3 dirige-se a gaja e diz: somos amigos, ok? Sem problemas. Gaja pensa: será que é desta? E responde: ok, mas menos, muito menos.

 

Pensamento nº4 da noite: irra, tá dificil de perceber a mensagem...

 

Gaja pede a segunda bebida, e começa a sentir-se mais à vontade (efeito da vodka red bull e da aparente calma da qual sente poder usufruir). Gaja procura não olhar muito em volta. Gaja vê dwarf nº1 a olhar fixamente para ela. Ignora, pensa ela. Pensava ela nisto quando dwarf nº2 lhe dirige novamente a palavra: não devias fumar tanto. Gaja não resiste a responder logo de tacada: vim aqui para ouvir música, beber e fumar. E só para isso. (ênfase nesta última parte)

 

Pensamento nº 5 da noite: só a mim, isto só a mim!

 

Dwarf nº 2 ergue a sobrancelha, e não se dando por vencido, contra-ataca: os teus pais não te deixam fumar, é? Gaja, mantendo uma cara séria como só ela o sabe fazer, responde: é. Gaja é salva novamente pela amiga e aproveita a deixa para se partir a rir. Amigo da amiga aproxima-se, e diz-lhe ao ouvido: parece que tens mel. Gaja sorri. Por fora e por dentro.

Gaja perde-se a pensar em outras coisas, em outros momentos, em outras pessoas. Gaja é desviada de tais pensamentos quando, fulano nº1 passa e diz a gaja: o meu amigo quer-te conhecer. Gaja catapulta automaticamente o pensamento para um WTF? I'm 16 again?? Gaja tenta aguentar mas parte-se a rir com a amiga. Gaja nem cai na asneira de olhar para trás e ver a figura de fulano nº2. Gaja sabe que caso o fizesse estaria muito certamente a encorajar fulano nº2 a dirigir-lhe a palavra. Amigo da amiga  olha para gaja e ri-se deliciosamente.

 

Pensamento nº6: ainda bem que o amigo da amiga é assim... porreiro.

 

Gaja pensa que afinal, a noite até está a ser engraçada. E pede o terceiro vodka redbull. Gaja começa a sentir o efeito do "dá-te asas". Gaja repreende-se por se ter esquecido de jantar. Mas gaja que é gaja, aguenta-se bem do alto dos seus saltos agulha. Mas gaja conhece-se bem. Gaja fala com amiga e combinam ir embora: vou só à casa de banho e vamos. Gaja entra na casa de banho mesmo a tempo. Dá-se a trasfega dos vodka red bull. Do copo para a boca e para o estômago. Do estômago para a boca e finalmente para... a sanita. Gaja tranca a porta, trasfega mais um bocado, baixa o tampo, senta-se e abre a torneira. Lava as mãos, a boca, o rosto. Fecha torneira e pensa: estou bonita, estou.

 

Pensamento nº7: lembrar-se de jantar e depois esquecer-se de o fazer, dá um resultado bonito!!!

 

Gaja volta a abrir a torneira - a água fresquinha sabe tão bem - e procura recompor-se. Gaja arranja-se e sai da casa da banho. Vê o amigo da amiga à espera. A amiga já tinha saído. Amigo da amiga levanta-se e gaja segue-o. Amigo da amiga abre a porta para gaja passar. Gaja pensa: foda-se*.

 

 

Pensamento nº8 da noite: foda-se, ainda há gajos em condições.

 

Gaja e amiga, despedem-se do amigo da amiga e dos primos. Gaja leva amiga a casa.

 

Pensamento nº9 da noite: ainda bem que moramos perto.

 

 

Gaja sente os pés moídos de tantas horas em cima dos saltos altos; gaja quer tirar os sapatos, mas está a conduzir. Gaja espera até entrar em casa, descalça-se, pega nos sapatos, no saco, e sobe. Chega ao quarto, despe-se, enfia-se na cama e pousa a cabeça na almofada. Gaja discorre em pensamentos sobre aquela noite - notas mentais - dignos de registo. Gaja adormece sem dar por ela.

 

Pensamento nº10 da noite: há noites dignas de registo.

 


* e este foda-se tem muito que se lhe diga, tem.


publicado por blue258 às 10:32
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Sábado, 23 de Outubro de 2010

Girl talk

Pela quarta ou quinta vez consecutiva ao telefone, e mesmo depois de eu ter passado em casa dela ao final do dia, e de já se ter falado no assunto. Se eu não nos conhecesse tão bem...

 

— Que fazes? Estás aborrecida?

— Eu? Não, estou aqui a ouvir música (era John Mayer).

— Ah... pensei que fosses sair.

— Hum, não, por acaso não. Estou cansada. Também estou doente e assim... Mas não vou sair porque muito sinceramente não tenho disposição. Se a tivesse, pegava no carro e saía.

— É como eu. Também não vou sair, estou de todo com esta alergia, e também estou cansada...

— Então fazes bem em descansar. Vá, vai lá. Eu vou pôr a música mais alto e deixar-me estar por aqui...

— Está bem, falamos depois.

— Pronto, falamos depois.

— Beijinho.

— Beijinhos.

 

(nem dois minutos volvidos - que dois minutos, dois segundos, toca o telemóvel mais uma vez)

 

— Diz...

— Oh, vamos sair! Não podemos ficar em casa feitas velhas! E é sexta-feira à noite! Logo numa sexta-feira!

(eu a querer dizer logo que sim, mas a pensar vá-se lá saber em quê, e ela insiste)

— Vamos Raquelinha, vamos beber um copo, um, só um, e vimos cedo.

— Ok, vamos então. Mas não é para demorar muito.

 

E eu adoro estas alturas em que se diz: é só um copo, vimos cedo, não vamos demorar. Adoro. Porque geralmente, acaba por não ser um só copo, as horas parecem correr, nós parecemos não nos importar, e o cedo faz-se um não tão cedo assim, e o demorar pouco transforma-se naquele, ficava mais, a música está boa, mas já estou no ponto para me atirar para a cama e adormecer em menos de 30 segundos.

 


publicado por blue258 às 16:02
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

...

Há um silêncio enganador. Uma calma aparente. A noite apresenta-se despida de preconceitos, fresca e jovial. Diz-nos, vem a mim, com voz lânguida e aquele brilho no olhar que nos hipnotiza. Voltei sem ver as estrelas. Há estrelas no céu, hoje?

À superfície, o mar mostra-se sereno, calmo, apaziguador. Mas os rugidos que ainda oiço, mostram-me que não. Não serena. Não acalma. Não apazigua. A grande profundidade, as correntes seguem o seu curso, endiabradas. Revolvem. Não esperam por ninguém.

 


publicado por blue258 às 00:16
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Onde estás? Onde?

 

Procuro-te e não te encontro. Resvala a chuva no alcatrão negro, sucedem-se as linhas brancas, as luzes intermitentes. Sobe o ponteiro da velocidade, somam os quilómetros. Os vermelhos electrizantes.  As rotundas despidas. As rectas do nada. Procuro e não encontro.

 


publicado por blue258 às 00:08
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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

O pôr-do-sol e os morenos

Ao final da manhã de ontem, e a caminho de Gaia, para almoçar com um amigo, cruzo-me com um belíssimo moreno, trintão, numa carrinha BMW. Ai mãezinha, que tu com um genro destes é que ficavas feliz, penso eu.

 

Almoço com outro moreno, esse, amigo, amigo de longas horas de conversas, de desabafos, raivas, incursões a horas tardias pelo meu computador, risos e boa-disposição. Boa-disposição que eu sabia que não faltaria, tal como a sangria e a belíssima tarde com que Gaia nos brindou. A francesinha comeu-se fria - prova maior que a conversa foi boa - e daí ter continuado numa esplanada  a céu aberto. Quando as pessoas me surpreendem, e pela positiva, quando são ainda mais do que eu já sentia que fossem,  sinto-me tremendamente feliz por terem entrado na minha vida.

 

Parto  com o pôr-do-sol a insinuar-se no horizonte. Faço-me à A28, e não resisto a fazer um desvio pela Póvoa e a dar uso à máquina fotográfica. Mas  não há pôr-do-sol como em Viana. Não há.

 

 

De novo na A28, saio em Esposende - teria de passar lá perto - e aproveito para fotografar os resquícios fulgurantes que pintavam o final de tarde.

 

 

 

 

Perto de casa, não resisto a passar pela praia, a minha praia, o meu cantinho, meu, tão meu, lindo, tão lindo. O azul  negro do mar, as cores que ainda serpenteavam pelo horizonte e uma última fotografia.

 

Entretanto, surge um convite - e de forma totalmente inesperada - para tomar café, à noite, com outro moreno. Este, de olhos azuis. Minha nossa senhora, e que olhos! Concentra-te rapariga, concentra-te.

Passo em casa, tomo banho, vejo as horas, e percebo que já estou atrasada. E eu gosto de ser pontual. Visto os jeans pretos,  calço as  adidas e saio,  prática, desportiva, corpo quente e cabelo ainda molhado. Peço desculpa pelo atraso, bem-educada que eu sou, e brindam-me com um não faz mal, o dia que correu tão bem, não poderia acabar melhor. Sorrio.  A pressa manteve-me quente, enquanto que a noite se mostrava fria. E ai como eu gosto deste frio, que nos  envolve no quente do corpo, este frio que convida a senti-lo e desafia o calor do próprio corpo.

Sento-me na esplanada, já molhada de orvalho, e o café que eu deduzia que durasse entre uma  a duas horas, prolongou-se até às três da manhã. Falamos de coincidências. De estrelas cadentes - embora eu não tenha visto nenhuma, já que aqueles olhos azuis tiveram o dom de obliterar qualquer outra cadência.

 

Volto para casa a pensar noutro moreno, esse, de olhos castanhos, e que por um motivo ou por outro, não parece nunca sair-me do pensamento. Costuma acordar-me pela manhã, acompanha-me na viagem de carro, e muitas vezes distrai-me de tal modo que tenho de lhe pedir que me deixe os pensamentos - preciso de me concentrar, digo-lhe eu. Só aqueles olhos azuis  pareceram arrebatar um pouco da minha atenção. Mas pouco, muito pouco. Adormeço a pensar em morenos. E não mais me lembrei do pôr-do-sol.

 

 

 

 

P.S. Chego a casa, ligo o pc, e lembro-me de outro moreno, amigo, grande amigo, com o qual tinha estado a conversar na noite anterior até horas tardias e a viajar pela China. Ficamos de continuar a conversa. De tarde, também me lembrei de outro morenaço, com o qual a conversa também ficou pendente. O dia tem apenas 24 horas. E morenos a mais! Mas eu sempre disse que gostava era de morenos.

 


publicado por blue258 às 23:19
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

...

Tomar café, logo depois de jantar, junto ao mar. O frio salgado que nos envolve o corpo, as malhas suaves de meia estação que nos acariciam a pele. Sente-se o retumbar do mar, a areia salgada,  o vento e a noite que brindam entre si. Sente-se a  serenidade de uma alma reconfortada. Um frio bom, que nos enrubesce a pele, acelera a circulação sanguínea e faz bombar o coração apressado. E apressado já ele é.

 

 

 

 

bum bum bum bum bum bum bum bum
bum bum bum bum bum bum
bum bum bum bum bum bum

 

 


publicado por blue258 às 00:58
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Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010

É hora de ir caçar novamente

Chegamos a um impasse. Nesta encruzilhada, a chuva começa a cair sobre nós. O fumo desprende-se da terra quente como que sem vontade.  A puerilidade do acto de deixar-se ir. Etéreo.  Aprendi com o caminho percorrido até aqui. Aprendi. Assimilei cada detalhe do teu rosto, cada característica do teu corpo, cada sinuosidade do teu movimento.

A chuva cai sobre nós, as gotas deslizam pela pelagem, tombam na terra escura. Uivamos em uníssono.  Pareces despedir-te de mim, deixando-me um até já, nunca um adeus. Pode ser que nos voltemos a encontrar. No mesmo espaço, noutro tempo. Agora foi fora de tempo.  E eu uivo, querendo dizer-te que também vou partir, mergulhar na noite, correr por aí. Correr, pelo simples prazer de correr. Correr.

Lançamos de novo o uivo em direcção à lua cheia, que o rebate na solidão da noite. Quebramos barreiras. Um nervosismo parece tomar conta de mim: mantenho o olhar fixo na lua, enquanto que te avalio de perfil. Permaneces imóvel. E hoje, acima de tudo hoje, imponente.

Pareces esperar, pacientemente. Esperas que parta de mim a decisão. A decisão de partir. Encorajo-me e centro o meu olhar em ti. Deixa-me gravar-te na minha memória mais uma vez. Já fazes parte de mim. E quando me lançar nessa escuridão, levo-te comigo. Parte de ti vai comigo. E deixo-te parte de mim. Uma caçada mal sucedida somente aperfeiçoa as habilidades e reaviva o desejo. E eu lanço-me a correr. Não espero que partas tu primeiro, não conseguiria ver-te partir. Corro. Corro. Cada vez mais. Corro.

Caçadora incansável. Destemida, impetuosa. É hora de ir caçar novamente. Esta noite, corro por aí... perdida. Enquanto o meu uivo ressoa na escuridão desta noite fria.

 


publicado por blue258 às 00:10
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Sábado, 11 de Setembro de 2010

...

Ontem: martini bianco. Hoje: almoçar fora. Chegar, dizer bom dia quando são três e meia da tarde. A resposta que obtenho: boa tarde. Sim, boa tarde, digo eu. Alguém se lembra de pedir café e whisky. O whisky escorrega que é uma maravilha. Cá para mim, dança que é uma maravilha com o martini da noite passada. Cá para mim. Isto só cá para mim.

 

sinto-me: slightly hungover

publicado por blue258 às 17:52
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

...

«Fiquei muda, e não por ter sido apanhada de surpresa. A sua intenção era clara, a minha era mais dissimulada. Mas acabei por não levantar muitos obstáculos. Deixei-me smplesmente seduzir e naquela noite dormi nos seus braços, claro, depois de termos feito amor como se o conhecesse desde sempre.»

 

Amalia Decker Márquez, Tardes de Chuva e Chocolate

 

 

 

 

Vídeo roubado daqui.


publicado por blue258 às 02:07
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