Terça-feira, 3 de Maio de 2016

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E quando o sono desaparece, o cansaço que tinhas evapora, levantas-te e vens fumar um cigarro. Pões a música a tocar e ficas ali, colada, a olhar para o monitor. Pensas no que gostarias de fazer, com quem gostarias de falar, o que gostarias de dizer. É quando surgem as palavras injustas que te disseram. E deixas-te ficar, assim, a ouvir a mesma música e a olhar para o  monitor. Amanhã é outro dia e tu sabes disso. E sorris. Pode ser forçado, mas é um sorriso. É. 

 

música: If I be Wrong - Wolf Larsen

publicado por blue258 às 01:13
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Sábado, 22 de Junho de 2013

Blogue e coisas (palavras)

Perdi as horas a rever posts antigos. A um ou outro, ajustei o espaçamento, adicionei a tag música onde via que estava em falta. Acabei por desistir de ajustar o espaçamento porque percebi, a dada altura, que o mesmo, ou a falta dele, se verificava em todos. Coloquei 6 posts em privado. Apenas 6. Privados, demasiado privados, achei eu. Nada de importante, nada de maior importância para o blogue. Desabafos, simples desabafos que se fazem à(s) melhor(es) amigas. Àquelas do peito. Cospe na mão e aperta aí. Qualquer coisa do género. 

 

Reli posts carregados de sentimento. Abismei ao ler coisas escritas (sentidas) por mim. Coisas. 

 

Ouvi músicas postadas (nunca gostei deste termo). Música boa. Alguma roubada - fazia parte de uma categoria aqui do blogue. Dava-me para trazer emprestado. Que é como quem rouba. Música, palavras. Que me diziam - disseram - tanto. Que por incrível que pareça, ainda dizem. Tanto.

 

Dei por mim a viajar na  minha própria vida. Foi giro. Uma volta no carrossel. Velocidade a mais e fico de cabeça tonta. Páro, acalmo e sigo. Há ali uns meses que por mim apagava. Sinto-me irritada, até. Porque será? Há ali uma altura da minha vida que por ter sido a altura que foi, a altura em que sufocava, sim sufocava, por falta de ar, mas por falta de algo muito mais importante. Que conta mais do que o ar que respiramos. 

Depois músicas que são... foram. Imagens. Porque associas e não dá como não o fazer. Tenho de te ligar, saber de ti. Há pessoas que marcam. Umas ficam, outras nunca foi suposto ficarem. 

                                                                                  ...

 

Continua a música boa, mas tão boa que dá gosto ouvir. Conforme recuo no tempo (blogue) percebo que escrevi umas coisas giras. Outras parvas (muito parvas). Tinha (ou tenho) o meu q.b. de miúda parva. Se me arrependo? De nada. Se faria tudo de outra forma? Já não teria sido eu a miúda parva daquela altura. Hoje seria diferente. Continuo a ser a mesma miúda parva que não gosta de dormir fora de casa. A não ser que a minha casa esteja comigo. Home is where your heart is, remember?


Encontro coisas (palavras) tão giras, tão giras, que um dia faço um best of. Com coisas minhas (que na realidade não são só minhas, são também de quem as lê), coisas roubadas que não eram minhas, mas a partir do momento em que as trouxe para aqui, passaram a ser minhas também. Blue258 não se fez (faz) sozinho. Fez-se com coisas minhas, coisas roubadas, e coisas que cá foram deixadas.

 

De propósito ou sem querer. Mas a verdade é que aqui guardo pedacinhos. Memórias. Valeu a pena esta coisa do blogue. 

 

 


publicado por blue258 às 09:16
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011

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«...não há mundos perfeitos...pessoas perfeitas...há gestos perfeitos...que encaixam com perfeição...como se tudo no mundo fizesse sentido...como o teu.»

 

 


Tu

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publicado por blue258 às 01:49
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

Cartas à Mil Vezes Mais #1

 

 

Minha querida MVM,

 

Eis-me aqui de novo, a lembrar-me de ti. Recordo os mergulhos no rio, a corrente, o frio... o sol que nos acalentava o rosto, quando nos sentávamos naquela pedra, mesmo no meio do rio. O calor que por momentos nos inundava e afastava o frio que nos gelava a alma. Porque isto de ter a alma gelada, não é fácil, nada fácil. E tu sabes... tão bem.

Escrevo-te hoje em tom de desabafo. Tantas vezes precisei do teu ombro e tu do meu, mas hoje, sim hoje, é mais um desabafo. Tenho de dizer isto a alguém que me compreenda, que perceba aquilo de que estou a falar. A vida continua (continuou) e eu, tal como tu, que tanto olhava para aquela margem à espera de um sinal, deixei-me levar pela corrente. Não me abandonei a ela, não, isso não, mas deixei que me levasse. Mergulhei, nadei, deixei a pele secar ao sol só para depois mergulhar de novo. Pelo prazer de mergulhar.

Os dias foram passando, a vida impôs-se, como só ela se sabe impôr, e eu, acabei por pensar cada vez menos... naquele abraço. Cheguei ao cúmulo de ontem me passar pelo pensamento o seguinte: "penso cada vez menos em ti". Cheguei quase ao ponto de o escrever... mas se o fizesse, seria como registar uma verdade que me doía, que me feria. Não o fiz.  E hoje, hoje, dei por mim a pensar nele, outra vez nele. No sorriso, no abraço, no calor... Senti este pensar de forma intermitente ao longo do dia. Algo me levava até ele, e por uns breves momentos, pensava nele. Sinto tê-lo feito de forma quase inconsciente ao longo do dia. E agora à pouco, ao início da noite,  quis, tu imagina só, quis ligar-lhe só para ouvir a voz dele. Poderíamos falar do tempo, qualquer coisa que fosse, mas o que eu queria era mesmo ouvir a voz dele. Só pelo prazer de o ouvir. MVM, tu diz-me, diz-me, isto não é de loucos? Numa altura em que eu até tenho uma ou outra distracção, em que supostamente deveria andar entretida com outras coisas, volto a pensar? Este pensar que é um recordar? Um sentir?

Minha querida, responde-me o quanto antes. Ajuda a sossegar este coração que é tão parvo. Porque tu percebes... tu sentes. Da mesma forma. Esta forma que transcende as palavras. Este sentimento que inunda as letras.

 

 

Um abraço, daqueles. Sempre.

Beijo, Blue.

 

 


publicado por blue258 às 21:20
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Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Meu devagarinho delicioso,

Eu, que por vezes pareço ter o dom da palavra, e disserto sobre qualquer outro tema, quando respondo aos teus emails, parecem-me faltar as palavras. Pareço poupá-las, como se fossem preciosas. Raras, tão raras. E não percebo porquê. 

 

 


publicado por blue258 às 20:50
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Domingo, 7 de Novembro de 2010

...

 

 

Que ninguém me fale mais em seguir o coração. Ou em ser verdadeira para comigo própria. Que ninguém ouse abrir a boca. Se o faço, se o fiz, foi por saber o valor do que fazia. Valor para mim, e para ninguém mais. Que ninguém ouse voltar a dizer-me que se deve deixar falar o coração.

As palavras magoam, ferem, perfuram o coração, destroem a alma. Que ninguém ouse então falar-me do valor que tem cada uma destas coisas quando há sofrimento no meio. Não me falem da dor nas palavras, quando a vejo nos olhos de quem quero bem. Quando a sinto.

Não me falem em ser verdadeira, quando inflijo tanta dor. Quando destroço o coração de alguém por quem tenho tanta afeição. Não me falem mais no coração, quando acabo de partir um em mil e um pedacinhos.

 

 

 

 

 


publicado por blue258 às 22:41
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Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010

...

«Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos, depois voltamos ao princípio, tornamos a pensar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas secas, insignificâncias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terra de tufões. Outras vezes uma palavra é quanto basta.»

 

José Saramago, in Jangada de Pedra

 

 

 

 

 

Encontrado aqui, no Tudo o que tenho cá dentro.


publicado por blue258 às 22:59
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Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Há palavras que nos beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill



publicado por blue258 às 00:55
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2010

Dos silêncios

«Os silêncios. Todo o tempo é sempre pouco. Todos os momentos são possíveis de serem congelados e suspensos no tempo. E todos os sorrisos são diferentes. E todas as maneiras, todas as palavras, todos os sustos são puro fascínio. Só olhar. Só ficar. Só ver. Só sentir. E os silêncios não incomodam. Há muito que os silêncios criavam angústia e incerteza. E depois as mãos. E depois as palavras. O eco das palavras. O timbre das palavras. O isolamento de tudo em torno dessas palavras. A ausência das palavras.

Os silêncios já não me incomodam.

Quando a única certeza era a de que, mais do que grande parte da população conseguia, mais do que os infelizes que nunca tinham tido a oportunidade, mais do que ter a oportunidade, eu tinha tido tudo nas mãos, um dia. Tinha esperança num novo fôlego, mas tinha a certeza de que nada seria igual, e que haveria alguém que ainda não tinha feito a primeira viagem e no meio dos desígnios divinos e das oportunidades, eu poderia estar a roubar o bilhete da oportunidade a esse alguém. A hipótese era aceite e abafada pela certeza de que nada fora em vão.

Acordei, tinha o bilhete, a passagem nas mãos e corroía-me a alma. Não sei o caminho, não conheço a viagem, não quero saber a duração… pelos silêncios ou pela ausência deles.

Tive sorte. Voltei a acertar nos números.»

 

 

VI

 

 

 

P.S. E em silêncio estava eu. Quebro-o agora, como poderia não o quebrar? Porque não importa o número de seguidores de um blogue, o número de visitas ou de comentários - interessam sim, aqueles 4 ou 5 que valem por mil. E esses, esses, vão para além do blogue.

A emissão retoma-se aos poucos, com palavras dos outros, palavras, simples palavras, música, literatura e fotografia. Pelo menos até eu decidir quebrar o silêncio das minhas próprias palavras.

 

 

 


publicado por blue258 às 22:49
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

...

«Meu amor, não quero mais palavras rasgadas. Nem o tempo cheio de pedaços de nada. Não me dês sentidos para chegar ao fim. Meu amor, só quero ser feliz. Meu amor, não quero mais razões para apagar o que nasce e renasce e nos faz acordar. A loucura faz medo se for medo o teu chão, mas é ar e é terra dentro do coração. É ar e é terra dentro do coração. Meu amor, não quero mais silêncio escondido. Nem a dor do que cai em cada gesto ferido. Quero janelas abertas e o sol a entrar. Quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. Eu quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. E hoje vê, a estrada é feita para seguir. E hoje sente, a vida é feita de sentir. E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor. Deste lado é mais puro, é teu, é tão maior. Deste lado é mais puro, é meu, é tão maior.»

 

(Mafalda Veiga, Estrada)

 

 


Roubado do Abraça-me bem.  E ironia do destino: abraça-me bem.



publicado por blue258 às 22:57
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Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010

Sorrio-me

Leio-me.

 


publicado por blue258 às 00:07
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Sábado, 25 de Setembro de 2010

E o blogue também se transforma

Porque é meu. Porque faz parte de mim. Porque me acompanha, registando aquilo que eu lhe dito que pode registar.  Porque exala perfume, descobre a paixão da pele, guarda o cheiro de uma memória. Porque marca o passar dos dias, desenha as estações do ano ao de leve e escreve o que me vai na alma.

 

 

«A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi "Sou". Se quiser dizer que existo como alma separada, direi "Sou eu". Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo "ser" senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi "Sou-me".»

 

Fernando Pessoa

 


publicado por blue258 às 01:01
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Domingo, 19 de Setembro de 2010

Pássaros, pessoas e agradecimentos

estive uns tempos com a asa partida, sem poder voar. o processo de recuperação foi lento e teve os seus altos e baixos, como tudo na vida, aliás.  vi passar a Primavera, o Verão, o Outono e o Inverno, até aparecer de novo a Primavera. sucedeu-lhe o Verão, depois o Outono e novamente o Inverno. e eu deixava-me estar.  pequenas micro-fracturas proporcionaram-se ao longo do tempo, a cada novo embate, mas entretanto, a asa sarou.

a alma... a alma é que o mais complicado de cuidar. e a de um pássaro ainda pior. é suposto que um pássaro voe, é suposto que o faça de forma mais ou menos desajeitada, mas é suposto que voe. um pássaro pode quebrar uma asa, mas não pode deixar de voar. não pode. se o faz, deixa de ser pássaro. enquanto a asa se cura, tem de continuar a voar. caso contrário, morre.  e a verdade é essa: mesmo de asas partidas, devemos continuar a voar.

o meu erro foi esse. mesmo de asa partida, fiz o que não devia ter feito: deixei de voar. depois da asa curada, pensava que não voltaria  a voar. perdi as minhas capacidades, dizia eu. já não consigo voar. e enquanto que me deixava assim a pensar, morria. o pássaro morria. e pássaro que é pássaro tem de voar. pássaro que deixa de voar, deixa de ser pássaro.

foi preciso aparecer um pássaro garboso, um amigo daqueles que se quer guardar para toda a vida, que se quer a voar a  nosso lado, para me olhar do fundo daqueles  olhos brilhantes e me dizer: o que estás a fazer aqui perdida? pergunta para a qual eu não tinha resposta. perguntas. respostas. palavras. como tudo se pode resumir a tão pouco. e a tanto. tanto. agora sinto-me de novo com forças para voar, e vejam, vejam como me lanço agora num voo escarpado, como me desafio confiante não do local onde vou aterrar mas do voo que entretanto encetei. confiante do meu voo. de mim.

custou a levantar do chão. custou. custou a levantar voo. ainda agora tenho momentos em que  olho lá para baixo e penso: e se eu pousasse por um bocado? um bocadinho só, digo eu. mas não. há que voar. tenho de voar. pássaro que é pássaro tem de voar. e eu sou pássaro.

 

 

acompanham-me nos voos dois pássaros, mais fortes, que voam decididos -  parecem ter voado sempre assim - como os admiro. tanto. confiantes. brincalhões. mesmo sem lhes pedir, deram e dão a  força e a energia que preciso para voar. impelem-me a voar mais alto, a testar-me a mim própria,  a conhecer-me. a ser eu. de perto acompanham os meus progressos, as piruetas que desenho no ar. os saltos que me comprometo a dar. de vez em quando, voam comigo, testando não a recuperação da minha asa, mas a da alma. a da alma. e eles sabem. eles vêem(-me).

 

tenho ainda outro pássaro pequenito, mas grande, tão grande, tão... faz voos curtos e suaves, colorindo o meu dia. outro, um pássaro doce e ferido como eu, partilha os meus refúgios no rio. abrigamo-nos numa pedra, vendo as águas correrem para o mar. também nós querendo correr... para o nosso mar.

 

um dos pássaros que me acompanha há mais tempo, segue-me carinhosamente do seu ninho de amor, sem me perder de vista, apoiando-me, fortalecendo-me nas minhas escolhas. outro, brincalhão, entretém-se no seu ramo preferido, saltando, chamando-nos sempre com a sua boa disposição.

 

outros pequenos pássaros enchem o caminho de sons, cores e sentimentos. dou por mim, a assistir o voo de outros, quando o meu ainda se define com a rota que procuro traçar. correntes ascendentes, descendentes, dias de sol, dias de chuva. e nós voamos. e eu voo.

 

 

 

 

but you can skyrocket away from me
and never come back if you find another galaxy
far from here with more room to fly
just leave me your stardust to remember you by

 

 

 

Sei que a melhor forma de reconhecimento é voar. Voar convosco. Acompanhar-vos. Ver-vos voar. Deixar-vos ver-me voar. Voar. E eu voo.  Hoje voo. Sigo o meu caminho. Vou desenhando a rota que pretendo cumprir. Tenho-vos a todos nela, e isso faz-me feliz. E por isso vos agradeço.

 

 

 

Atenção: qualquer semelhança com a realidade NÃO é mera coincidência.

 

 

P.S. Não foi propositado o uso de minúsculas, tão ao estilo de valter hugo mãe - escrevi a dada altura um post, esse sim, propositadamente escrito desta forma. Desta vez, comecei por apontar as primeiras frases do que me ocorria escrever, desvalorizando as minúsculas: depois corrijo, pensei eu. Entretanto, o texto foi-se alongando e a minha vontade de o editar como que se desvaneceu. E agora fica assim, para que possa ser lido sem travões, em pleno voo.


publicado por blue258 às 21:00
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Sábado, 18 de Setembro de 2010

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Já não me lembrava de sair à varanda, descalça, e a estas horas. E com este sentimento que conheço tão bem. E a banda sonora que me parece perfeita. Apesar de, esta noite, o céu não estar estrelado. E para ver a lua tenho de olhar na direcção do mar e pôr-me em bicos de pés porque está baixa e o pinheiro em frente quase não me deixa ver. Mas vejo-a da minha varanda. Vejo-a.

 

 

E com isto quero dizer... aquilo que já não digo há algum tempo. E que há exactamente 57 segundos atrás (o tempo em que fiquei bloqueada a pensar no que ia escrever) tinha a firme convicção de que o ia dizer aqui no blogue. Primeiro, pensei num sms. Depois disse a mim mesma que não. Um email? Isso é que não, decidi eu rotundamente. Blogue! No blogue sim, pensei eu. E cá vim eu.

 

Comecei por banalidades, fiz um drifting numa private joke... e dei por mim a ponderar novamente. Vi logo que estava tudo fudido. Menina, trata é de escrever que afinal não vais dizer o que cá vinhas dizer.

 

 

P.S. Este blogue já não é o que era.

 

 


publicado por blue258 às 01:58
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Domingo, 12 de Setembro de 2010

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E depois, há blogues assim, como o anterior, que encontro sem saber bem como, e que me prendem e apaixonam. Chamou-me a atenção o título - Tardes de chuva e chocolate - por ser o de um livro que li recentemente. Soube-me conquistada no momento em que li o excerto de um poema de Fernando Pessoa:

 

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…


Entrei, pretendia abrir a porta, e espreitar devagarinho, mas quando dei por ela, já estava lá dentro, sentada, maravilhada. Sentia-me em casa, ou numa casa que me fazia lembrar a minha. Sentia-me em casa. Reconhecia o cheiro, o padrão das cortinas, a cor da colcha. Depois envolveu-me o cheirinho do chocolate quente, e deixei-me embalar pela chuva que caía lá fora e entreguei-me ao sentimento que conheço tão bem. A este. A ti.

 


publicado por blue258 às 18:28
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