Quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

#53 ...

 

 

 

 

A casa.  Prática e funcional. Sólida. Elegante e despretensiosa. Um espaço encerrado nas memórias agora habitado pelo som do mar que invade a sala, o vento que percorre as traves de madeira, a luz que ainda ousa reluzir os tons vibrantes e a música que ecoa em cada pedra.  

 

Uma casa, uma história de peles. Escrita na pele pela sede, uma sede que  nunca se saciou, que se sacia a cada dia, que sorve o amanhã.

Uma história de reticencias, faladas, escritas, sentidas, nunca explicadas. Porque há coisas que simplesmente não se explicam.

 

Long days, short nights. Heart rate, sky high. Time flies. Come to me, you know what to do. You say the things that i wanted to hear. But i'm not sure if you are what i need...

Long days, short nights. Heart rate, sky high. Time flies. Can you hear that sound... It's the sound of my heart and it's beating just for you.                                    Hope you feel it too.

 

Uma casa agora vazia. Faltas tu, falto eu. Falta a minha pele na tua. Peles que se tocam, que se falam, que se adivinham a cada gesto. Agora resta o vazio.  A espera. O relógio conta os segundos. Os minutos. E a cada hora os dias tornam-se mais longos. O coração bate compassado com a cadência do mar e é dessa forma (apenas dessa forma) que ainda (sobre)vive. Porque o mar não morre. O mar não morre nunca!

Uma casa visitada por almas errantes que apenas saciam a sede, a sua própria sede, uma sede que se agarra às memórias como os moluscos se agarram às rochas negras. Que se entranha na pele. 

 

Aquela casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto... 

 

 

música: Long Days - I wil, I swear

publicado por blue258 às 19:18
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Quinta-feira, 3 de Março de 2011

E eu não resisto. É que não resisto mesmo.

 

*roubada à Lolita


publicado por blue258 às 17:47
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Ou depois de amanhecer.

Se eu fosse a tua pele. Se tu fosses o meu caminho. Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho. Trocamos as palavras mais escondidas que só a noite arranca sem doer. Seremos cúmplices o resto da vida. Ou talvez só até amanhecer.

 

Mafalda Veiga, in Cúmplices

 

 

 

P.S. Sim, dois posts exactamente iguais. Ou quase. Porque nada nunca bateu tão certo.

 


publicado por blue258 às 00:33
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Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2011

...

 

Se eu fosse a tua pele. Se tu fosses o meu caminho. Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho. Trocamos as palavras mais escondidas que só a noite arranca sem doer. Seremos cúmplices o resto da vida. Ou talvez só até amanhecer.

 

 

Mafalda Veiga, in Cúmplices

 

 

 

 

P.S. Roubado à Dani. Só podia.

 

 

 

 

 


publicado por blue258 às 00:50
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Dos roubos (que se sentem)

 

[ela escreve-lhe quase todos os dias numa tentativa de fixar o que não se pode prender senão por dentro.
atravessei a rua e quase fui atropelada porque hoje não consegui ainda sacudir-te da roupa que trago vestida. da pele. dos dedos. da saliva.
não terás provavelmente noção desta invasão e eu não saberia como a explicar se precisasse de o fazer.
foste-me sempre familiar porque já te havia sonhado e por isso demorou tão pouco até que agarrasses tudo o que naquela altura me restava por dentro. se calhar é isto a loucura de que falam nos livros que leio.
saí atrasada (e por isso atravessei a rua sem olhar) porque não me apetecia (e nunca me apetece) separar da tua presença que habita a minha casa e que eu provoquei com as histórias escritas nas horas vagas e para preencher a espera.
lembras-te de como sem querer enchemos de intimidade o espaço entre nós? nessa altura eu pensava que eras tanto de verdade quanto de mentira. saber tanto e tão pouco sobre ti. de ti e da tua satisfação sempre incompleta.
há noites em que não posso adormecer. imagino-te a moveres-te noutra cidade, a atravessar a rua, distraído como eu, a desenhar numa mesa de café. como foi que tu me seduziste a razão?
não sei porque te conto isto. talvez precise de apagar de mim aquilo que te escrevo.
às vezes não ser satisfeito é parte de um desejo.]


Ana, no Fogo Posto





publicado por blue258 às 21:47
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

# 51 Soulless or soulful

 

Trocamos o sofá pela cama. A luz das estrelas incide na clarabóia, projectando sombras aqui e ali, no quarto, nos lençóis, no meu corpo e no teu. O mar retumba no silêncio da noite. Ruge, querendo acordar a vida que há nos corpos extenuados. Nas almas exultadas.

 

Wake up
Look me in the eyes again
I need to feel your hand upon my face

 

Acordo e vejo-te dormir nos meus braços. Acaricio o contorno do teu rosto. A barba, aquela barba... Sorrio. Deslizo os dedos pelos teus lábios. Desenho carícias com a ponta dos dedos... na tua pele. Aproximo o rosto do teu: o teu perfume, o teu cheiro. O calor que emana do teu corpo. Beijo suavemente cada pálpebra adormecida. E deposito um beijo leve e doce nos teus lábios. Sorrio, e abraço-te forte. Acordo-te com um sorriso nos lábios e um sentimento que parece pulular em cada célula do meu corpo.

 

I think I might've inhaled you
I could feel you behind my eyes
You've gotten into my bloodstream
I could feel you floating in me

 

 

Pesa sobre mim o ritual do qual já te tornaste indissociável. Sucedem-se as imagens que conheço tão bem, repetidas vezes sem conta. O meu rosto no teu peito, naquele sítio, naquele. O teu cheiro, o teu perfume. A minha respiração que teima em te beijar o ombro, o pescoço. O meu olhar que segue os contornos do teu queixo, foge da tua boca, e vagarosamente, demoradamente, desenha a tua pele morena, só para depois desaguar no teu. A minha boca que se detém no teu beijo. Sorrio. A tua mão segura-me o rosto e os teus dedos acariciam os meus lábios. E esse sorriso malandro, esse, esse mesmo, esse sorriso maravilhoso, deliciado com a entrega desmesurada que sabes que é a minha. Gestos, rituais, tão próprios, tão teus, tão meus, tão... nossos.

Não falas. Sabes que comigo não é preciso falar. Sabes o que valem os silêncios comigo. Tanto, tanto... Ao veres o meu olhar embevecido - de que outra forma posso eu olhar para ti? - o teu abre-se num abraço, e sinto os teus braços rodearem-me e cingirem-me o corpo. E apertas-me, abarcas todo o meu ser nesse abraço. E eu estremeço, estremeço como se fosse de medo, mas não é de medo, é a certeza de todos os medos que me abandonam. Nos teus braços sinto-me segura. É o que me parece dizer-te a minha pele. Nos teus braços sinto-me segura.

Um abraço desenfreia o sangue adormecido, que aos poucos volta a circular frenético, quente, no meu corpo. Esse abraço não se move apenas pelo contacto da pele, pelo toque dos corpos, não. Esse abraço potencia o movimento do sangue no corpo, fazes do meu corpo o mar, do meu sangue, a força das marés. Tu... e esse abraço que é o teu.

 

 

 

música: Bloodstream - Stateless

publicado por blue258 às 00:14
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Terça-feira, 28 de Setembro de 2010

...

Tomar café, logo depois de jantar, junto ao mar. O frio salgado que nos envolve o corpo, as malhas suaves de meia estação que nos acariciam a pele. Sente-se o retumbar do mar, a areia salgada,  o vento e a noite que brindam entre si. Sente-se a  serenidade de uma alma reconfortada. Um frio bom, que nos enrubesce a pele, acelera a circulação sanguínea e faz bombar o coração apressado. E apressado já ele é.

 

 

 

 

bum bum bum bum bum bum bum bum
bum bum bum bum bum bum
bum bum bum bum bum bum

 

 


publicado por blue258 às 00:58
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Sábado, 25 de Setembro de 2010

...

 

Porque eu sou terra. Sou água. Sou chuva, rio e mar. Sou as luzes que se reflectem nas águas. Sou o crepúsculo que abraça a cidade. Fui pele, paixão tórrida e querer louco. Fui areia, sol, mar, lua e estrelas. Fui. Deixo que me invada agora o Outono e procuro que me tempere a alma e apazigue o coração. Procuro ser... Eu.

 

 


publicado por blue258 às 01:15
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Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010

# 48 Touch and go

 

 

música: Touch and Go - Buddha Bar VI

publicado por blue258 às 23:43
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# 47 Some kind of wonderful

[Post não recomendado para mentes tacanhas. Se o caso for esse, é favor não ler. Nem ver o vídeo, já agora. Be open-minded, please.]

 

 

 

 

Aproveitamos os dias solarengos que nos restam.  Os finais de tarde na praia. Os mergulhos no mar. O pôr-do-sol.  Os beijos entontecidos.  Os jantares no alpendre à luz de velas. A noite quente que ainda nos envolve quando as estrelas se deitam. Pool party: casa de  férias de um casal amigo. Amigos em comum, amigos novos. Caipirinhas e muito álcool. Piscina. Banhos nocturnos. Diversão pela noite dentro.

 

 

 


publicado por blue258 às 23:30
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# 46 Silêncios

 

 

Lá fora a chuva cai sem vontade. O vento embate no mar. Sem vontade. A água decalca a areia ainda quente. Sem vontade. O dia amanhece sem querer. Dentro do quarto, deixamos cair a chuva lá  fora. Mergulhamos mais uma vez por entre os lençóis. Embatemos o desejo nos corpos. Sucumbimos. À nossa vontade.

A minha pele é o mapa da tua viagem. Guarda o perfume do teu corpo como um tesouro. Encerra beijos e segredos. Só meus. E teus.

Beija-me. Aqui. Beija-me outra vez. Aqui. O dedo indica onde se detêm os teus lábios. Aqui. Ali. Aqui e ali. Na minha pele. No meu corpo.

 

Tinha os pés entrelaçados nos teus. Chamei-te meu amor em surdina. Calei-me num sorriso. Disse que te amava num silêncio. E esse silêncio retumbou cá dentro como o mar em dias de tempestade. Sempre disseste que o meu  silêncio diz tanto. Tanto. E diz.  Desenha o meu mundo quando estou contigo. Quando me fazes inteira.

 

 

I'll stop the world and melt with you
You've seen the difference and it's getting better all the time
There's nothing you and I won't do
I'll stop the world and melt with you

 

 

Beijamos como quem faz amor, entretecemos bordados na pele, encetamos viagens sem destino. Tu e eu. Dentro de quatro paredes que deixam de existir no momento em que os nossos corpos se tocam.




 

 

 


música: I melt with you - Nouvelle Vague

publicado por blue258 às 00:09
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

# 45 When a tornado meets a volcano

 

O dia parece soçobrar pelo peso da noite que impiedosamente se abate sobre ele. O céu parece querer libertar as águas que aí aprisiona. Querer. Até o céu tem querer. O mar que retumba sem parar, parece agitado, não pela força do vento estranho que lhe escarpa as ondas, mas pela tempestade que se quer formar. Querer. Há um querer que se foi alimentando durante o dia, sorvendo tudo à sua volta, acrescentando, engolindo tudo em que toca, encrespando-se na crista de um tornado, impulsionado pela demora de ter. De te ter.

 

 

 

just gonna stand there and watch me burn
that’s alright because i like the way it hurts

 

A sala quente, crepitante,  vibra quase silenciosamente nos aromas de laranja e canela, nos tons alaranjados que a compõem.  Um vulcão. És lava que me corre nas veias. Que me incendeia. E eu sou tempestade. Os meus desejos parecem comandar  os ventos, as marés, a cadência da chuva e das estrelas. Abres a porta, e os ventos inflamam o incêndio que me queima a pele. E ao entrares, trazes contigo o tornado que te espera. Voas para os meus braços, e é o meu fogo que te queima a pele.  Sou eu que te consumo, que te quero consumir, que me consumo a mim própria contigo. Em te querer. Querer. Este querer que balança no ar, contagiando-nos, aliciando-nos, iludindo os sentidos.

 

Os corpos envolvem-se numa dança que conhecemos tão bem. Sabem de cor os passos, mas sinto-os improvisar a cada toque, a cada arrepio. O sabor da pele dita o compasso da entrega. De te receber. De te ter.

E os meus braços perdem-se nos teus. A minha boca palminha o teu corpo, tacteando cada centímetro, na escuridão intrincada. O meu cheiro dispersa-se no teu. O teu sabor grava a passagem por cada recanto do meu corpo. Os teus dentes marcam-me os ombros. As minhas unhas marcam-te as costas. Cedemos. Soçobramos sob a fúria que se abate sobre nós. Somos tempestade. Somos.

 

Encostamos os corpos suados à vidraça gotejante da sala. O mar, lá fora, reage à provocação da cadência dos nossos corpos desnudos. Vergamos os  corpos ao desejo, amamos, sugamos a vida, consumimos a energia sem fim. Pára. Sentes? Juntos originamos um terramoto violento, cujo epicentro se forma aqui mesmo. Aqui. E agora.

 

 

música: Love the way you lie - Eminem ft Rihanna

publicado por blue258 às 23:04
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...

Admiro entontecida as cintilantes luzes da cidade reflectidas nas águas serenas do rio. E é o teu sorriso que vejo. A cidade tranquila. E é em ti que penso. E indago o porquê deste sorriso parvo que assoma aos meus lábios. De cada vez que penso em ti. De cada vez. E hoje não me saíste do pensamento. Levei-te logo pela manhã comigo. E permaneceste no meu sorriso. O dia todo.

 

Hoje, durmo abraçada a ti. Sonho nos teus braços. Abraça-me bem.

 

 

Deitados no leito do rio, beijo-te vagarosamente a pele. Embriago-me no teu perfume. Delicio-me com o teu cheiro. Embargo as palavras na tua boca. E entrego-me. Sim, entrego-me. Desnuda. A ti. A ti. A ti.

 

 

 

 

Aconteceu... e por me teres feito cego, recordo o sabor da tua pele e o calor de uma tela que pintámos sem pensar. Ninguém perdeu, e enquanto o ar foi escuro, despidos de passados, talvez de lados errados, conseguiste-me encontrar.

Foi dança, foram corpos de aço entre trastes de guitarras que esqueceram amarras e se amaram sem mostrar.
Foi fogo que nos encontrou sozinhos, queimou a noite em volta, presos entre chama à solta, presos feitos para soltar... Estava escrito. E o mundo só quis virar a página que um dia se fez pesada...

 

E o suor que escorria no ar, no calor dos teus lábios, inocentes mas sábios... no segredo do luar. Não vai acabar. Vamos ser sempre paixão. Vamos ter sempre o olhar ao nível de ninguém. Dei-te mais...! Valeu a pena voar... Estava escrito. E a noite veio acordar a guerra de sentidos travada num céu.

 

Nem por um segundo largo a mão da perfeição do teu desenho e do teu gesto no meu... foi como um sopro estranho... e aconteceu...

És fogo em mim, és noite em mim. És fogo em mim.

 


publicado por blue258 às 00:21
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Domingo, 12 de Setembro de 2010

Can you feel it?

Fecho os olhos. Sinto o gosto da tua boca na minha. Sinto o cheiro da tua pele na minha.  Fecho os olhos. Sinto o teu abraço. Os teus braços fortes que envolvem o meu mundo. O teu abraço do tamanho do mundo. Fecho os olhos. Vejo as tuas mãos que envolvem e fortalecem as minhas. Os teus dedos entrelaçados nos meus. Sinto-te. Aqui. Agora.

 

Close your eyes. Do you still feel me?

 


publicado por blue258 às 18:28
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Terça-feira, 7 de Setembro de 2010

...

O dia de hoje foi belíssimo*  para ronronar, aconchegar a pele, sentir as páginas dos livros fluirem por entre os meus dedos e a alma esquecer-se de si. Esquecer-me de mim. Ou pensar única e exclusivamente em mim.

 

 

* e para conversas que roçam a pele, marcam o corpo e incendeiam a alma. Há um tempo (vontade) para tudo.


publicado por blue258 às 00:21
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