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Blue 258

Blue 258

<3 <3 <3

07
Fev20

E quando dás por ti, estás a controlar. A controlar-te. Sentes a falta mas aguentas. Tentas aguentar. Perdes as forças  por momentos. As saudades tomam-te de assalto e tu afundas lentamente num mar mais negro que a noite. Mas abres caminho até à superfície e respiras. Engoles a raiva que te dá quereres falar, quereres dizer e teres de te controlar. De segurar as palavras. De as guardar. As palavras não são para serem guardadas. São para serem escritas. Para serem ditas.

 

I miss you. I miss you so so so much. I miss you so damn much.

And I've been trying not to miss you.

But I do miss you.

<3 <3

06
Fev20

E dás por ti a querer abraçar, a querer envolver toda aquela luz e toda aquela escuridão. A querer ter o poder de apagar toda aquela dor; uma dor que nem é tua. Mas que reconheces. E abraças. Num abraço que é tanto. Porque queres proteger. Queres proteger e nem sabes nem pensas porque o queres. Apenas sentes que queres. Queres mostrar que há portos de abrigo seguros. Que tu és um porto de abrigo seguro. E quando dás por ti,  toda a tua luz tem um só sentido, uma só direcção.

Quando dás por ti, já abraçaste mesmo sem tocar. Abraças de uma forma que nem sabias ainda ser possível. Abraças. Envolves. És envolvida.

Quando dás por ti, saltaste para o meio da tormenta, uma tormenta que nem era tua, sem pensar duas vezes. Não há tempestade que te assuste. O mar picado, a chuva torrencial, os relâmpagos que riscam o céu. E tu, lá no meio. 

E quando deste por ela, já tu eras toda doçura. E de cada vez que o teu coração pulsa, inunda-te de doçura uma e outra vez mais. E os teus lábios sorriem sem pedir permissão. E é algo que não consegues explicar. Algo que não tem explicação. Algo para o qual nem sabes se há explicação. Embora saibas que aconteça. Muito raramente. Mas acontece. E tu sabes disso.

 

 

[E este post estava em rascunho. Há mais de uma semana. Na incerteza de o publicar ou não. Mas as palavras servem para isto mesmo]

 

 

 

 

 

<3

29
Jan20

E depois há pessoas que entram de mansinho, quase sem te aperceberes.  Que te inundam com toda a sua doçura. Mostraram-te a sua dor, a sua escuridão. Assim, sem meias medidas. Sem esperar. Sem pretextos. Estás aí, eu estou aqui e este é o meu oceano de dor. Esta é a minha escuridão. E eu ali, calada. A ver-te. A sentir-te.

I see you. I feel you.

 

Perdida num turbilhão que não era meu mas que reconhecia bem. E eu ali, calada. A ver-te. A sentir-te. A ver a tua luz, aquela luz que emerge no meio da tempestade que marca o horizonte. Aquela luz no meio da escuridão. A tua luz. A tua escuridão. 

I see you. I feel you.

 

Há pessoas que tu abraças com toda a sua escuridão. Com toda a tua luz e toda a tua escuridão. Pessoas que possuem uma luz que encanta. Acabas por nem conseguir perceber se foi a luz ou a escuridão que te atraiu na sua direcção. Nem importa.

Há pessoas assim. Pessoas que possuem uma luz imensa e que no meio da sua própria escuridão nem se apercebem que são luz. Mas são. São luz e escuridão. Como tu.

 

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And our demons will dance together

21
Jan20

Há pessoas que se entranham em nós como alcatrão quente. Quando dás por ti, está na tua pele, na tua respiração, pulsa nas tuas veias. A dada altura, podes até pensar em remover o alcatrão mas depressa percebes que não consegues. Que nem queres. 

Pessoas que conseguiram entrar e te marcam. Conheces-lhes os demónios e não há um que te assuste. Porque os conheces bem. Porque também tu tens os teus. Porque aprendeste a viver com eles. Fazem parte de ti tal como fazem parte dos outros. Sabes reconhecê-lo. Tens pontaria. Aliás, sempre tiveste pontaria certeira. E deixas que te mostrem. Um a  um. Sem medo. Sem pressas. Tudo a seu tempo.  Let them dance.

Há pessoas assim. Há. Que balançam o teu mundo. Que mexem contigo e que gostam da pessoa que tu és. Sem filtros. Raios, que te fazem ser a pessoa que és. Que deliram ao ver-te. A ti. Como és e como poucos conhecem.

Porque há pessoas que fazem a diferença. Que (te) importam. E são as que importam, as que fazem a diferença, as que mexem contigo, as que te deixam ser quem és que tu queres na tua vida. Ou que, pelo menos, cruzem o teu caminho.

Resultado de imagem para Because our demons will dance together.

 

Para que te lembrem. Quem és. Por inteiro.

A Daniela.

31
Dez19

Esta miúda, a quem eu chamo de miúda, de minha menina dos abraços, mas que é mulher e um dos seres mais extraordinários com quem eu tive o prazer de me cruzar nesta vida. Este ser de luz que cruzou o meu caminho para me lembrar o que importa, para eu nunca perder o meu norte, para me guiar quando me desvio da rota em dias de tempestade e para me sorrir, sempre, nos dias de sol. Em qualquer dia. 

Esta miúda, a minha miúda, a minha menina dos abraços, esta mulher que é um assombro de mulher e que escreve. E como escreve! E diz tudo. Tudo o que eu quero dizer (e por vezes ainda sem eu o saber), tudo o que eu podia dizer, tudo o que eu sinto, tudo o que eu sei e ela me lembra. Assim, desta forma. Gentil, suave, discreta. E uma explosão cósmica quando deixas que te tatue o coração. Está escrito nas estrelas, Daniela. Para sempre. Tanto.

 

Os anos vão passando. E, quando olhas bem para dentro de ti, quando percorres cada pedaço do teu coração, onde guardas (só) o que importa, percebes que há coisas que tu vais aprendendo. Os anos vão passando e tu aprendes que, no meio deste mundo que te exige tanto e te tira tanta vida, afinal há muito poucas coisas que importam, há muito poucas coisas que tu precisas. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é morar em cada abraço. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é abraçar cada mão dada. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é entregar-te em cada olhar. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é sentir cada sorriso. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é curar em cada beijo. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é amar as tuas pessoas. As que ficam. As que ficam sempre. Para sempre. (E aprendes, também, que afinal as tuas pessoas não são tantas assim.) Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é tatuar corações com a tua vida. E deixar que outras vidas te tatuem o coração. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é agradecer cada milagre. E encontrar força para cada tempestade. Aprendes que afinal o que importa, o que tu precisas, é ser e viver, sempre, com o coração. É ser e viver, sempre, com amor. Os anos vão passando e tu aprendes que, no meio deste mundo que te exige tanto e te tira tanta vida, afinal a única coisa que importa, a única coisa que tu precisas, é o amor. Porque aprendes que afinal é o amor que te devolve a vida. Aprendes que afinal é o amor que te salva de tudo. Todos os dias. Para sempre.

 

Do amor. Sempre. Tanto.

 

 

E sabes o que é extraordinário, Daniela? A luz que se propaga, que se estende, de ti para mim, percebo agora que não fica por aqui. Não acaba em mim, não. Estende-se àqueles que eu ilumino e que tu, sem saberes, ajudas a iluminar também. E se me dizes que eu já tinha essa luz em mim, eu aceito, mas digo-te que hoje, hoje, a minha luz é mais forte porque dela faz também parte a tua. Tatuaste o meu coração. Tanto. 

 

 

...

17
Dez19

e hoje o sol brilha. vês como é verdade o que dizem? depois da tempestade vem sempre a bonança. basta acreditar. basta não perder as forças e lutar. basta saber esperar. escolher com cuidado as batalhas. aprender o timing. saber sincronizar as tropas e esperar pelos reforços. compreender que uma batalha perdida nunca será o suficiente para te fazer baixar os braços. basta aceitar que dar um passo atrás e repensar o próximo movimento te pode ajudar a vencer a guerra. basta.

 

...

12
Dez19

sabes, tu podes ter-te arrastado do fundo do poço. esfolado, dorido, completamente espancado, mas conseguiste sair em direcção à luz. estás cá fora. tentas abrir os olhos devagarinho porque depois de tanto tempo imerso na escuridão mais profunda a luz fere-te os olhos. inspiras profundamente o ar fresco da superfície. doem-te os pulmões. tens provavelmente uma costela partida. não faz mal. já estás cá fora.

abres os olhos devagarinho: o verde da erva molhada, o azul do céu, a transparência das águas cristalinas. o sol que dá vida. vais-te arrastando e sorves aos poucos. bebes cada instante como se fosse o último. e sorris. finalmente, voltas a sorrir.

tentas acelerar o passo. a custo mas vais. não tarda nada estás a correr. e como corres. lavas a alma despida na água. o mundo é teu. pensas tu. arregaças as mangas. estás pronto para a luta. venham eles! mas não jogam limpo. ninguém parece jogar limpo neste mundo sujo. sem dar por ela, e depois de uma rasteira que nem viste chegar, acabaste de cair em mais um poço negro. não pode ser, dizes tu. deve ser engano.

mais uma vez a levar porrada quando já estás no chão. cobardia. enfrenta-me cara a cara e vemos quem cai por terra! cobardes! gritas tu do fundo do poço. podem tirar-te tudo. mas que nunca te tirem a voz. respira. isso. inspira. expira. mais uma vez. dói-te tudo, eu sei. o corpo dorido, a alma espancada. inspira comigo. expira. e vamos lá de novo. dá-me a tua mão. agora é sempre a subir.

 

 

...

08
Dez19

Já não é novidade por aqui um post com palavras que poderiam ter sido escritas por mim. Novidade talvez seja deparar-me com um post de 2015 da Daniela e sentir parte dele tão actual. Porque é. Porque há coisas que são mesmo intemporais. Tanto.

aproximas-te de mim devagar, como quem tem medo que eu possa fugir, e abraças-me a alma na esperança de me entrares no coração. admiro a tua forma ingénua de sentires que me tens e me conheces inteira. mas o que tu não sabes é que, mesmo que a minha alma se deixe abraçar por ti e o meu coração te deixe entrar, há coisas minhas que tu não conheces. há coisas que tu não sabes. não sabes que antes de ti já alguém me abraçou a alma, morou no meu coração e me roubou pedaços dele. não sabes que eu nunca recuperei esses pedaços e que nunca os vou recuperar. 

pedaços que nunca vou recuperar. pedaços que me roubaram ou que eu dei de livre vontade. que eu dei, que tu dás,  quando dás mesmo sem saber o que estás a dar. que eu eu dei, que tu dás, quando dás sem pensar sequer que tudo tem um fim. porque na altura, naquele preciso momento, não consegues pensar em mais nada a não ser naquele começo. e dás. dás de ti. pedaços.

pedaços que nunca mais voltaram ao sítio, pedaços que nunca mais encaixariam no sitio mesmo que tos devolvessem. pedaços que mesmo que voltassem já não sentirias como teus. porque tu mudaste. porque tu mudas. quando dás de ti. quando te roubam pedacinhos. e quando te roubam pedacinhos destes, tão importantes, tão essenciais, segues o teu caminho com a sensação de que foste roubada(o). vives os dias com a sensação de que te falta algo. sentes o vazio. o frio que aos poucos se apodera de ti. e, se não tens cuidado, esse vazio toma conta de ti. preenche-te e rouba-te ainda mais pedaços. perdes um pedacinho por cada vez em que pensas no que não foi. perdes um pedacinho novo enquanto usas os teus dias para reviver o que já foi. e vais-te perdendo aos poucos. pedacinho a pedacinho.

descobres então que consegues preencher os pedacinhos que te faltam. que no final de contas, tu és construção constante. que afinal, derrubarem-te muros e paredes resulta naquilo que tu és hoje.