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Blue 258

Blue 258

Feliz Natal!

25
Dez21

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«Happiness. Simple as a glass of chocolate or tortuous as the heart. Bitter. Sweet. Alive.» 

                                                                                                   Joanne Harris

 

*imagem retirada da internet

Do dia de hoje

01
Nov21

Desde que me conheço que o Dia de Todos os Santos é um dia mórbido; seja por ter sido arrastada enquanto miúda para o cemitério, seja pela educação que tive, seja pelo "parece mal" que sobreviveu durante décadas. E desde cedo que o dia de hoje passou a ser um dia pesado, triste, sombrio. E eu sempre a achar que devia ser de um dia de luz. Um dia de relembrar os nossos. Com alegria nos nossos corações; alegria que ninguém vê, mas é esta mesma que importa.  E por mais que eu tente, e mesmo agora que sou adulta, os meus pensamentos rondam sempre o mórbido. E ainda hoje  continuo a lutar para que este dia não seja um sufoco.

 

 

 

 

 

 

Há palavras que são veneno

01
Nov21

Eles dizem que lhes basta. E eu que sei que não, e mesmo sabendo que não, deixei. Deixei que me amasse à sua maneira, com aquilo que tinha para me oferecer. E depois habituam-te e tu habituas-te àquela pessoa, àquela sinceridade, àquele amor. E tu habituas-te. Habituas-te porque também queres acreditar na integridade da pessoa. Também queres acreditar que, quem sabe, desta vez possa ser diferente. Mas em algum momento, as palavras deixam de ser aquelas a que te habituaram. E é aí. E é num momento. Um simples momento.

Bate-te um medo, uma incompreensão, uma incredulidade. Sentes o peito apertado, a latejar, e o coração começa a bater acelerado. Precisas de um momento para te recompor. E depois pensas: é só mais um episódio triste da vida, é só mais um dia.

Só que entretanto, as palavras começam um engarrafamento na garganta. E quanto mais pensas, mais palavras por dizer se acumulam até estarem todas entaladas cá dentro. E tu precisavas de falar mas não te deixam falar. E as horas passam, as palavras ali a envenenar-me por dentro, e os minutos a contar. Lentamente vais perceber que não, que não te vão deixar falar. E é das piores coisas que te podem fazer. Isso e deixar vir a noite e deixar-me ir dormir sem me permitir deitar cá para fora o que me corrói no momento. E é como veneno. É como veneno. 

 

 

Someday

19
Set21

Teddy: 'Don't mind me. Just trying to look chivalrous.'

Dolores: 'You came back.'

Teddy: 'I told you I would.'

Dolores: 'You gonna tell me where you been?'

Teddy: 'Just... away. You know if I could stay right here with you, I would.'

Dolores: 'What if I don't want to stay here? It's just sometimes I feel like the world out there is calling me... Whispering, "there's something more." You've travelled all over these parts. Isn't there anywhere we could go?'

Teddy: 'Well, there is a place I heard about down south... Where the mountains meet the sea. They say the water's so pure there, it'll wash the past clean off you. And you can start again.'

Dolores: 'I'd like to go there with you.'

Teddy: 'Well, someday, I'll take you.'

Dolores: 'Someday'.

Teddy: 'Something wrong?'

Dolores: 'You said "someday". Not today or tomorrow or next week. Just someday. Someday sounds a lot like the thing people say when they actually mean never.

Let's not go "someday", Teddy. Let's go now.'

Teddy: 'Before I met you, Dolores, I was a different man. And I got some reckoning to do before I can deserve a woman like you. But I'm close. I'm close to making things right. And someday soon, we will have the life we've both been dreaming of.
Now, I best get you homebefore your dad starts loading that shotgun.'

 

Westworld S01E03: The Stray

When he said "I love you" in mid conversation

02
Ago21

Aqui há dias, ele escreve "I love you" a meio de uma conversa. Assim, do nada. Eu sorri. É o tipo de coisa que te desarma, mesmo sem quereres. É o tipo de coisa que, estejas preocupada ou até aborrecida, te faz esquecer do motivo porque o motivo deixa de ter importância.

Na altura eu devia ter dito logo I love you too. Porque é verdade. De certa forma. Mas não da forma que eu quero. Nem da forma que ele pensa que lhe chega. Porque isto do amor, não é de chegar. É de te arrebatar. Ele acha que sim. Que isto lhe basta e que é feliz assim. Que eu o faço feliz. E eu podia mostrar-lhe o que é felicidade a sério. Amor a sério. Eu sei que podia. Só que não posso.

E ele volta a insistir numa vida de meias-medidas. E eu digo que não, que forma errada de pensar. Eu quero tudo a que tenho direito. Eu quero este amor desmedido que me beija a alma mas também quero o mesmo amor que me encerra nos seus braços até eu adormecer. E é isto que eles não percebem. Que eu sou corpo e alma. Não há um sem o outro. All or nothing.

 

E agora, agora, quase que me dá para rir quando penso nisto: uns querem o corpo, este queria a alma. No final, todos querem alguma coisa de ti. E quando percebem que não vão ter aquilo que idealizaram - sim, porque para além de criarem uma ideia de ti, esperam algo de ti,  querem mais embora digam que não, que são felizes assim, mas na verdade esperam algo que tu muito provavelmente nunca serias capaz de dar  - pegam em todo o seu amor, toda a sua devoção, fazem as malas deixando todas as recordações e partem. Assim, sem olhar para trás. Sem pensar duas vezes.

E tu ficas ali a pensar, foda-se, mas que valor tenho eu afinal? Porque no final, tu fizeste o mesmo que todos os outros. No final, tu pegaste e foste e deixaste-me sem olhar para trás. Ou seja, era este o valor que eu afinal tinha para ti. E agora diz-me: em que é que és diferente dos outros?

 

 

Breakfast in bed

25
Jul21

Queria o pequeno-almoço na cama.  Sumo de laranja, café, croissant com queijo e fiambre. Fruta: manga; doce e sumarenta. E depois queria ficar deitada na cama. Abraçada a ti. A minha cabeça no teu peito, o teu braço a segurar-me contra ti, e eu ali, naquele espaço, que parece ter sido criado só para mim. Eu ali, naquele que é o único lugar onde eu queria estar naquele exacto momento.

E eu ali, a sentir o calor do teu corpo, o cheiro da tua pele.  E nós ali, a conversar.

 

 

...

18
Jul21

Já não quero o teu colo. Prefiro mergulhar bem alto do penhasco e afundar-me na corrente fria. Prefiro sentir o estilhaçar dos ossos mas sentir-me viva. Prefiro que o mar gélido engula os meus pecados. Prefiro que as ondas me calem o sufoco no peito. Que a água gélida me lave a alma. Que este soçobrar seja sob a força de um oceano. Prefiro. Porque no final só podes contar contigo. Só tu e mais ninguém. E então corres, ganhas balanço e saltas. A leap of faith.