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Blue 258

Blue 258

Barcos

29
Dez09

O ser humano é como um barco. Começamos pequeninos, e esperamos um dia chegar ao nível daquelas embarcações de grande porte. Aquelas que se aguentam sozinhas,  cruzam os mares dias a fio, parecem não temer o desconhecido.

Começamos por navegar ao lado dos pais, embarcações maiores, que nos auxiliam - mas não convém estar sempre perto deles - também eles provocam ondulação, e corremos o risco, de mesmo assim, meter água, embater contra eles - e partir a nossa embarcaçãozinha.

Temos de navegar sozinhos, embora seja difícil, embora seja um risco. Lá vamos embatendo contra uns calhaus, rachamos aqui, ali, tentamos remendar, e seguimos viagem. Mas a verdade, é que metemos água. Tentamos não deixar o barco afundar - só que, por vezes, há um temporal mais forte, e aí, atrapalhamo-nos... vemos tanta água a entrar no barco, que só pensamos que vamos afundar. No meio da aflição, fazemos um esforço - dentro daquilo que as nossas forças nos permitem - e tentamos tirar a água do barco. Passado o aperto, seguimos viagem. Descuramos os arranjos que o barco necessita.

Pelo mar fora, encontramos outras embarcações. Poderíamos facilmente pedir auxílio, e no entanto, não o fazemos. Compreendo que muitas vezes, poderão não ter interesse em nos ajudar - e também porque cargas d'água haveríamos nós de sobrecarregar os outros com os nossos problemas?

Por vezes até, são as outras embarcações que nos encontram em apuros - aproximam-se e perguntam se precisamos de ajuda - e nós o que fazemos? Dizemos que não, que está tudo bem, tudo sob controle. Quando, na verdade, não está. Pergunto-me se duvidamos das suas boas intenções. Podem ser piratas, salteadores, podem vir com a desculpa de ajudar, quando só querem pilhar o pouco que ainda há para ser pilhado. Roubar o pouco que ainda temos, e depois afundar a embarcação para não deixar rasto, ou deixá-la à deriva.

Teremos nós um problema em confiar? Talvez. Nunca se sabe.

 

 

 

 

3 comentários

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    blue258 01.01.2010

    Isto de dar nó... ;)

    Sabes... eu também sou orgulhosa... só não acho que seja isso que me impede de procurar e/ou aceitar ajuda. Por isso respondi um bocado à defensiva... era o orgulho a falar ;)
     Eu nunca fui de depositar confiança assim sem mais nem menos nas pessoas - sempre fui assim, desde que me lembro - o que quer dizer que quando deposito essa confiança, é a sério... mesmo a sério... e quando me desiludem, o tombo é ainda maior, percebes?
    A verdade  é que bastaram umas valentes desilusões para eu pensar como penso... vi que as pessoas não são merecedoras de confiança. Vi que temos de olhar por nós... pois todos os outros olham por eles próprios... e só por eles.
    Mas confesso... sofremos mais desta forma... acabamos por fazer das tripas coração para nos aguentarmos... e e isso, custa, e muito.

    Quanto ao que te disseram, essa fica mesmo pra história!!! As pessoas são mesmo assim... parecem não ter noção, não é?
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    César Lopes 02.01.2010

    Não têm noção nem consciência daquilo que fazem e dizem posteriormente. O que cada acto cometido e que nos desilude, faz com que percamos cada vez mais a confiança nessas pessoas. Por mais que tentem mudar, que neste caso não acredito que mude algum dia. Depois da confiança perdida jamais a gente vai conseguir pedir o seu auxilio.
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