Terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Barcos

O ser humano é como um barco. Começamos pequeninos, e esperamos um dia chegar ao nível daquelas embarcações de grande porte. Aquelas que se aguentam sozinhas,  cruzam os mares dias a fio, parecem não temer o desconhecido.

Começamos por navegar ao lado dos pais, embarcações maiores, que nos auxiliam - mas não convém estar sempre perto deles - também eles provocam ondulação, e corremos o risco, de mesmo assim, meter água, embater contra eles - e partir a nossa embarcaçãozinha.

Temos de navegar sozinhos, embora seja difícil, embora seja um risco. Lá vamos embatendo contra uns calhaus, rachamos aqui, ali, tentamos remendar, e seguimos viagem. Mas a verdade, é que metemos água. Tentamos não deixar o barco afundar - só que, por vezes, há um temporal mais forte, e aí, atrapalhamo-nos... vemos tanta água a entrar no barco, que só pensamos que vamos afundar. No meio da aflição, fazemos um esforço - dentro daquilo que as nossas forças nos permitem - e tentamos tirar a água do barco. Passado o aperto, seguimos viagem. Descuramos os arranjos que o barco necessita.

Pelo mar fora, encontramos outras embarcações. Poderíamos facilmente pedir auxílio, e no entanto, não o fazemos. Compreendo que muitas vezes, poderão não ter interesse em nos ajudar - e também porque cargas d'água haveríamos nós de sobrecarregar os outros com os nossos problemas?

Por vezes até, são as outras embarcações que nos encontram em apuros - aproximam-se e perguntam se precisamos de ajuda - e nós o que fazemos? Dizemos que não, que está tudo bem, tudo sob controle. Quando, na verdade, não está. Pergunto-me se duvidamos das suas boas intenções. Podem ser piratas, salteadores, podem vir com a desculpa de ajudar, quando só querem pilhar o pouco que ainda há para ser pilhado. Roubar o pouco que ainda temos, e depois afundar a embarcação para não deixar rasto, ou deixá-la à deriva.

Teremos nós um problema em confiar? Talvez. Nunca se sabe.

 

 

 

 

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publicado por blue258 às 16:42
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16 comentários:
De César Lopes a 31 de Dezembro de 2009 às 04:00
Vá! não me dês a mim também um nó na cabeça.

Eu concordo com o que dizes. A falta da confiança está na origem de muitas das vezes termos de resolver as coisas sozinhos. Ou tentar. Eu por lá passei. E não foi só por falta de confiança. 

Tal como dizes é a desilusão. Quando precisamos as pessoas desiludem-nos. E por vezes deitamos mãos á obra. Mas também admito que ter feito algo, que me levantasse do abismo onde caí, sozinho, teve a ver com o facto de haver um pouco de orgulho.

"Se não me ajudaram quando mais precisei, e tudo fiz o que tava ao meu alcance e na solidão, desta vez também vou lá chegar e demonstrar uma vez mais que me levanto, sozinho"
E no fim, chegamos ao topo, a auto-estima está no auge, e alguém decide tomar partido dos "louros". Quer fazer parte da ajuda quando só tentou enterrar, o mais que pôde...

Hoje nem de propósito, alguém me deu esta frase maravilhosa:

"Gostava que me ajudasses, afinal também te ajudei nessa tua luta, se bem que por muitas vezes disse-te coisas que te ajudaram a enterrar mais"

Vai ficar pra história, sinceramente...


De blue258 a 1 de Janeiro de 2010 às 21:23
Isto de dar nó... ;)

Sabes... eu também sou orgulhosa... só não acho que seja isso que me impede de procurar e/ou aceitar ajuda. Por isso respondi um bocado à defensiva... era o orgulho a falar ;)
 Eu nunca fui de depositar confiança assim sem mais nem menos nas pessoas - sempre fui assim, desde que me lembro - o que quer dizer que quando deposito essa confiança, é a sério... mesmo a sério... e quando me desiludem, o tombo é ainda maior, percebes?
A verdade  é que bastaram umas valentes desilusões para eu pensar como penso... vi que as pessoas não são merecedoras de confiança. Vi que temos de olhar por nós... pois todos os outros olham por eles próprios... e só por eles.
Mas confesso... sofremos mais desta forma... acabamos por fazer das tripas coração para nos aguentarmos... e e isso, custa, e muito.

Quanto ao que te disseram, essa fica mesmo pra história!!! As pessoas são mesmo assim... parecem não ter noção, não é?


De César Lopes a 2 de Janeiro de 2010 às 01:16
Não têm noção nem consciência daquilo que fazem e dizem posteriormente. O que cada acto cometido e que nos desilude, faz com que percamos cada vez mais a confiança nessas pessoas. Por mais que tentem mudar, que neste caso não acredito que mude algum dia. Depois da confiança perdida jamais a gente vai conseguir pedir o seu auxilio.


De blue258 a 2 de Janeiro de 2010 às 02:17
Quanto a mim, desiludindo-me uma vez... geralmente não há volta a dar. Conheces a expressão "fazer uma cruz em cima" (ou qq coisa assim parecida?) - eu sou assim - desiludem-me e faço-lhes uma cruz em cima. Acabou. E o pior é que acabam por tornar ainda mais difícil  voltar a confiar noutra pessoa. É a vida...


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