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Blue 258

Blue 258

Monstros

30
Mar09

Apesar de provavelmente já esquecidos, na infância todos tivemos os nossos monstros - fosse dentro do roupeiro, debaixo da cama, ou sempre que se apagava a luz, eles estavam lá - para nós era algo tão real como se pudesse ser palpável. Depois crescemos... e esquecemos (se bem que continuo a não gostar da escuridão). Crescemos, e continuamos a ter medo - de coisas bem diferentes, é claro, no entanto o medo sempre presente, mascarado pelas preocupações, pelo receio, pelas dificuldades que todos somos obrigados a confrontar ao longo da vida. O que me preocupa verdadeiramente, e digo verdadeiramente, são esses monstros que saem agora de debaixo das camas, saltam para a televisão e mostram ao mundo e a quem quer ver que existem, que existem mesmo, que sempre existiram.  Disso sim, é preciso ter medo, muito medo.

Afinal o lobo mau existe, o papão também e todos os outros personagens sombrios dos contos infantis - só que estes, estes, não vestem pele de cordeiro, envergam sim a pele dos que supostamente deveriam acarinhar, amar, cuidar. Ora se aqueles em quem recai a obrigação mais obrigatória de proteger se revelam os perpetuadores desses abusos - o que fazer? Que solução possível se poderá encontrar? Quem irá cuidar dessas crianças, das nossas crianças, de todas as crianças? Nós. Cada um de nós. Eu e tu. Sei que somos cobardes ou então esquecemos a valentia por nos terem ensinado que essa era a qualidade dos reis e seus exércitos - mas temos de, pelo menos tentar estar mais alerta, acordar desse ritmo mórbido que permitimos que os tempos nos impusessem e olhar com olhos de ver para aquilo que nos rodeia, para aqueles que  cruzam as nossas vidas e, mesmo assim acabam por tomar outros rumos, para aqueles que se cruzam com o nosso caminho e acabam por se juntar a nós. Desde o momento em que a existência de outro ser roça, mesmo que levemente, a nossa vida, ficamos sujeitos a uma obrigação - passam a preencher um pedacinho, mesmo que pequenino, da nossa vida - e tal como devemos prezar a nossa própria vida, devemos, pelo menos tentar cuidar desses que acabam, ao fim e ao cabo, por se tornar importantes para nós, por fazer parte de nós. Porque a minha vida é feita também da vida dos outros - a sua alegria inflama a minha vida, mas a sua queda no poço da escuridão... essa ensombra os meus dias e as minhas noites.

Conheço uma cave dessas... bem aqui ao lado, bem perto de mim e bem perto do meu coração - mas esta, esta, ao contrário da austríaca, não tem paredes... não tem paredes, e no entanto, ninguém conseguiu ver. Eu não consegui ver. E não me perdoo.

 

eu, blue258, apresentar-me

30
Mar09

Ocorreu-me que lá por ser novata nisto dos blogues, nada desculpa o estar em falta com uma (nem que breve) apresentação. Apresentação essa que pode simplesmente passar pela explicação do nome escolhido. Ora, a principal e única motivação (na altura)  foi: escrever. Escrever tudo aquilo que tinha para dizer e, ou não conseguia ou estava guardado cá dentro. Talvez estivesse um pouco blue na altura ( e ainda esteja) e como pensava dar corda aos meus próprios blues, daí surgiu o blue. Também é a minha cor preferida, e embora possa parecer insignificante, tem tudo a ver com a minha filosofia: faz parte de mim. E não, não sou portista, isso é que não tem nada a ver - sou benfiquista. Quanto ao 258, é simples, o indicativo da minha zona - a linda e inesquecível Viana do Castelo. Sei que cada um de nós defende a sua terra como a mais linda, a mais fantástica, e ainda bem que assim o é (mais um assunto que fica para tratar noutro post). 

Defendo que acima de tudo somos o que vivemos, o que conhecemos, e o local onde crescemos e vivemos está obrigatoriamente embebido na nossa formação - eu sou quem sou em parte por viver aqui,  e isso não podia deixar de estar presente na bloguista em que me quis tornar.

Eu e a Arte de Blogar

28
Mar09

 

Cheguei à conclusão que é preciso muito navegar para desbravar esses mares encrespados do conhecimento, da actualidade, de tudo e mais um pouco, daquilo que nos interessa e nos faz vibrar. Vejo-me como um barquinho pequenino, que andava à deriva, perdido na solidão - imaginava-me perdida, mas não; os outros barcos estavam lá e não é que não os visse, não dava era por eles. O embarcar nesta aventura de criar um blog, obrigou-me a dada altura, a observar  os outros, a querer saber que uso lhe davam, o que por lá se fazia, o que se escrevia. Vi(vi) pouco da imensidão que por aí existe, mas esse pouco torna-se muito pela vontade e pelo ímpeto que me deu em continuar a navegar este barco pequenino nessas águas tão revoltas (ou revoltadas). Resolvi então aqui destacar o post que não me sai do pensar e tão energicamente me põs as ideias a saltitar - imagino essas ideias como pipocas, ao milho só lhe faltava a dose certa  de manteiga e para adoçar, aquilo que se quiser - falo da Arte de Blogar que encontrei no bitaites. Logo no primeiro ponto, reconheci o medo que sentia de algo agora tão simples: escrever. A dificuldade neste momento reside em refrear todos os posts que surgem em simultâneo, e optar por um, e desse modo escrevê-lo do princípio ao fim (pudesse eu escrever quatro ou cinco de uma só vez). Quanto ao ponto de  fala mais dos outros e menos de ti, não é que concorde ou deixe de concordar (aliás, não estou aqui para isso), apenas sinto que em tudo quanto fazemos, em todos os pontos que expressamos, em tudo o que comentamos, colocamos sempre um pouco de nós - um pouco daquilo que somos, daquilo que aprendemos, do que vivemos, do que sentimos e de tudo, mas de tudo o que nos rodeia - sou sempre eu, e esse eu nunca pode ser nada porque nós nunca nos podemos reduzir a tal. Acabamos é por ir coleccionando vivências - que nos obrigam a aprender e consequentemente a crescer - e o que realmente importa são todos esses pedacinhos que vamos juntando e desse modo construindo a pessoa que somos - quase como um puzzle, juntamos peça após peça, só que no nosso caso, há partes que podem nunca vir a ser preenchidas, quando certas experiências não são vivenciadas - daí que aquilo que conhecemos, onde e de que forma o fazemos, dão-nos as peças para completar esse puzzle que é a nossa pessoa.  

Blogues - o que anda por aí

24
Mar09

Tal e qual um folheto das agências de viagens, os destaques da sopa de blogues revelaram-me uns destinos bem interessantes - começava então a minha viagem pelos blogues do Sapo. Sorte de principiante ou não, gostei logo do primeiro escolhido para o ínicio da aventura: o blogue da maggie. Conquistou-me com os pequenos pedaços que entrega de si, o quotidiano que nos revela, as fotos -adorei as fotos- principalmente as dos amigos de quatro patas, também eu tenho os meus e dezenas de fotos que provam o quanto são importantes nas nossas vidas. Gostei do que li, apesar de ter sido desconcertante reconhecer-me em pequenas frases - senti que podia tê-las escrito eu. Isso faz-me pensar que não estamos sós neste mundo perdido de constelações; de vez em quando perdemo-nos nesses buracos negros, mas eis que súbitamente voltamos a apanhar a boleia da via láctea - voltamos à luz, e recordamos que essa luz existe, sempre existiu, apenas nos tínhamos afastado do caminho. Por aí demorei um pouco, fiz uns pequenos desvios aconselhados pela própria maggie -já que ali estava, porque não aproveitar para conhecer- passei pelo Sophia's Blog, pelo Cor de Laranja, aproveitando para terminar no Shiuuuu. Mostraram-me que há tanto para ver por aí... e coisas com gosto, bem feitas -os meus parabéns - porque realmente os merecem. Mostrou-me que tinha de levantar a cabeça, abrir os olhos e acordar para o bom que anda por aí, que é melhor não olhar só para o meu umbigo - daí que fui depois ver  O Meu Umbigo  (ok perdoem-me lá, mas não resisti à brincadeira!) Foi um ínicio de viagem bem agradável, e com todo o ímpeto me lancei para a próxima paragem e acabei por descer na plataforma do bitaites - aí sim, turbilhão intelectual, choque cultural e dose terapêutica de actualidade q.b. - "dá-nos um abanão", e devo dizer que estava a fazer falta, essa chamada para a realidade - porque por vezes perdemo-nos um bocado - ou muito - com nós próprios, em nós próprios. Tornamo-nos absortos, correndo o risco de nos tornarmos obsoletos nessa roda gigante que é a vida. Daí que é bom conhecer,  para aprender... para viver o que há para ser vivido. 

Blogosfera

22
Mar09

A ideia de criar um blogue vem desde muito atrás, embora só recentemente o tenha feito - não sei se foi necessário o tempo de amadurecer a ideia, ou pura e simplesmente ganhar a coragem para isso - lá no fundo somos todos uns medrosos (digo eu) - se bem que há coisas na vida que parecem ter a sua altura própria para se desenrolar, e não somos nós que escolhemos o momento, é esse momento determinado e exacto que nos lembra que é a hora. Não posso negar que as minhas intenções eram puramente egoístas: queria poder escrever o que me vai na alma, queria dizer tudo aquilo que não falo, e acima de tudo, queria poder dizer o que me apetecia sem ter de pensar duas vezes. Acho que lá no fundo o que eu realmente queria era ser livre - porque não somos, porque vivemos aprisionados pelas normas, pelas regras, pela sociedade em que vivemos... pela forma como os outros nos imaginam - até este pequeno pensamento me estava a surgir em voz baixa, como se alguém fosse capaz de me ler o pensamento; essas correntes que não nos deixam respirar aparecem como tentáculos que tentam usurpar-nos do bem mais precioso que o ser humano possui: o intelecto. Aqui reside a nossa essência, somos realmente quem somos - e sabêmo-lo sem sombra de dúvida - permite a elaboração dos pensamentos e a construção dos sonhos - e quanto a isso temos de ser capazes de vestir a armadura e lutar por aquilo que nos pertence com unhas e dentes. 

Após estes primeiros posts - ainda sou muito novinha nisto - chegou um momento em que se fez um clic (lá está, era o momento certo),   houve quase uma necessidade - mais do que curiosidade -  de conhecer outros blogues. E aí sim, entrei nesse mundo da blogosfera e vi o que se passa lá fora, vi essa imensidão -  reduzi-me à minha pequenez . Gostei - uns mais soft bem agradáveis, outros que "abanaram o barco" e  me puseram pensar. Está aí a beleza da blogosfera - aprender com os outros e apreender mais sobre nós próprios - dar uso ao intelecto, colocá-lo só perante todos os outros e ver como se comporta. Crescer - em todos os sentidos da palavra.   

Pó de pinheiro

22
Mar09

Bem antes da entrada da Primavera, já se via cá em casa e nas redondezas, o seu cartão de visita: o pó de pinheiro. Verde-amarelado, personalidade vincada, não desiste fácil: hoje lavo, amanhã está aí em força. Resultado do jogo: soleiras e parapeitos cobertos desta neve primaveril - vence o pó de pinheiro. Derrotada, bem esperava pela chuva, mas ao que parece, não vai ser pra já. Até os pobres dos gatos vestem a tendência da estação, esse verde-amarelado que me cobre todos os passeios. Se bem que é uma maravilha e um privilégio viver rodeada pela natureza, não há fuga possível a esse fenómeno tão característico que aos nossos olhos não é mais do que um grande inconveniente. Pior ainda, as alergias que a todos nos afectam - a uns mais, a outros menos - olhos a lacrimejar, nariz a pingar - até os gatitos por aí andam a espirrar.

Balões de água

20
Mar09

À medida que nos emanharamos sucessivamente nas teias de responsabilidade da vida, das preocupações e complicações com que nos vamos deparando ao longo do caminho, vamos esquecendo aquelas coisas tão mais simples que nos preenchem de alegria - esquecemos o que é ser criança - o que é a vida feliz e despreocupada. Naturalmente, conhecemos tantos casos em que a vida das crianças assim o deveria ser mas não o é - mas isso é assunto para outro post, não para este. A temperatura sobe, a Primavera está aí, até já sabe a Verão, e o encontrar perdido no meio de tantas coisas um saquinho de balões de água fez com que a atitude lógica fosse enchê-los e lançá-los pelo ar. Ora que momentos de pura alegria e excitação que nos proporcionaram - as gargalhadas livres e despreocupadas em que não pensávamos em mais nada a não ser em "viver" aquele momento. Parece que à medida que esquecemos o que é ser criança - esquecemos também o que é viver de verdade - mas isso é o que implica crescer, não? Quantos de nós levam uma existência cinzenta, soterrados pelas preocupações, pelas obrigações, pelas dificuldades que a vida nos impõe? Faz com que não se tenha tempo para as pequenas coisas da vida, que são aquelas que nos proporcionam a mais pura alegria.

Foi com este episódio de pura descontração e diversão que regressei aos "bons velhos tempos" em que o riso e as gargalhadas eram uma constante. Conseguíssemos nós ter mais momentos destes, a vida não seria tão soturna - falar é fácil, eu sei, apenas tento dizer que não devemos deixar que a nuvem cinzenta que por vezes paira sobre nós estrague aqueles raros momentos em que as mais pequenas coisas nos implodem (literalmente) de felicidade. Seja com os netos, com os filhos, com os irmãos, com o cão e com o gato, com o papagaio, todos os momentos são de guardar, até mesmo o dos balões de água.

 

O Verão e o Pai Natal

18
Mar09

O calor aperta e põe toda a gente a pensar que já é verão. Tudo bem,  está agradável e até anima o espírito e a alma, mas não nos podemos esquecer que ainda vem aí chuva. Não, não quero ser pessimista nem sou deprimida (só às vezes) - sou é realista. Ao contrário do inverno que (dizem) ajuda a pôr as pessoas mais depressivas, o verão desinibe as pessoas - a pouca roupa é capaz de ajudar - salienta a sensualidade - e a sexualidade - e não sei porquê, torna as pessoas mais optimistas - costumam dizer que "levanta o moral". Ora que é verdade que desinibe, é; que a roupa reduzida também deve ajudar, também; que a sensualidade está à flor da pele, é verdade que está; que as pessoas se mostram mais bem-dispostas e felizes da vida, também - mas essa eu não percebo. Os problemas continuam os mesmos, continuam lá - não desapareceram num passe de mágica ( fosse assim tão fácil); a situação continua a ser a mesma, nada mudou - então qual a razão para a aparente mudança de atitude? O calor que "torra a moleirinha" e tolda o discernimento? Eu cá acho que razões para nos tornarmos mais optimistas temo-las em Dezembro - com a chegada do Pai Natal. Aí sim, para quem acredita, há sempre a esperança dos pedidos serem atendidos - e como dizem, a esperança é a última a morrer.

A casa dos meus avós

17
Mar09

É inacreditável como uma casa pode representar tanto, ser tanto, respirar vida como se aqueles que nela moram lhe dessem o alimento que a faz ter alma. Nestes casos, o edifício em si funciona como um prolongamento da família que lá habita - é um fiel representante dessa família: da sua personalidade, dos seus humores, de todos os grandes momentos da sua vida.

Quando passo e olho para a casa, sou subitamente assaltada por memórias que discorrem incessantemente umas atrás das outras - memórias tão reais ( quase ) como a própria vida. Recordo aqueles que lá nasceram e depois partiram para também eles, terem os seus filhos; recordo netos que por lá tanto brincaram, aprenderam, cresceram - e todos, mas todos, deixaram um bocado de si naquela casa. Por isso aquela casa era como se fosse um ser vivo, tinha personalidade, carácter, alma - representáva-nos a todos, e todos nós a representávamos a ela. Agora passo por lá, e todas estas memórias, vivas, tão vivas - ainda tão vivas - atropelam a minha mente inquieta. Agora passo por lá...e o que vejo é, e apenas é...uma casa, sem habitantes, mais escura, denegrida - talvez até pelas afrontas do tempo-  mas concerteza pela ausência de vida. Agora passo por lá, e dói forte o peito - pergunto-me onde estão aqueles que enchiam aquela casa de vida -onde estão eles, que agora já não estão aqui porque aquela casa já não mostra ter alma. O peito dói tanto que compreendo agora: já não é só a casa que não tem alma - também a mim me faltam pedaços... pedaços que lá deixei. 

Uma árvore ao cair numa floresta vazia, faz barulho?

05
Mar09

A questão existencialista da árvore que cai numa floresta vazia assemelha-se em todos os sentidos ao criar um blog - sejam comentários, opiniões, desabafos, críticas, quer-se escrever para libertar tudo aquilo que nos vai na alma, expurgar todos os medos, dar voz ao "eu" que vive acorrentado cá dentro. Será então que alguém nos lê?  Podemos até perguntar se se alcança o efeito pretendido: se a mensagem que se quer transmitir chega realmente ao seu destino. Ora, a árvore quando cai provoca efectivamente barulho, mesmo que não esteja lá ninguém para ouvir. Não se pode negar que a árvore ao cair provoca um efeito em todos os elementos que a rodeiam - isso é físico, é real. Basta imaginarmo-nos lá - e graças a essa maravilhosa ferramenta que é a imaginação - sentimos o forte embate no chão; o vento, as folhas e a poeira que se lançam em todas as direcções; toda uma vida vegetal que se ressente do impacto e toda uma vida animal ora surpresa ora em fuga. Colocar essa simples questão provoca em mim o terramoto mental deste turbilhão de imagens que se sucedem.  

Será que existe alguém por aí que me leia, que se interesse por aquilo que tenho a dizer, que se possa até identificar comigo, ou será que o que escrevo ecoa na solidão? Tal como a árvore que cai, o blog efeitos provoca - sentada em silêncio, penso, imagino, liberto-me; falo, converso, discuto, grito; revelo-me aos outros e a mim própria. Acima de tudo, a árvore ao cair no chão sentiu ela própria a sua queda - com todas as moléculas do seu ser - e com todas as moléculas do meu ser também eu sinto e oiço as correntes que até agora me prendiam tombar no chão.

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