A todos os que suspiram por amor
Nas minhas recentes viagens pelos blogues, deparei-me com uma constante que me fez pensar seriamente no assunto - problemas do coração - e este post é dedicado a todos os que padecem de uma qualquer variante de desgosto amoroso. Perdoem-me os homens, mas dirijo-me mais propriamente às mulheres, sim, porque se não fossem os homens, os desgostos de amor não teriam nunca sentido em qualquer um desses momentos das nossas vidas.
Quando sofremos por amor, qualquer que seja a sua variante - desgosto e/ou traição e/ou fim da relação ( sim, porque umas podem implicar as outras ou então não forçosamente ) - custa-nos ouvir ( e não nos ajuda em nada, diga-se de passagem ) "isso passa com o tempo" ou "o tempo cura tudo".
Ora, que acaba por passar, até é verdade, o problema aqui é que pode demorar uma infinidade e, atenção: nunca passa completamente. Anos depois do problema resolvido, por assim dizer, ainda ocorrem aqueles momentos em que, não se sabe como, o nosso pensamento desencanta aquilo que pensámos tão bem guardadinho. A boa notícia aqui, é que nesta altura da vida, já somos mulheres (mais) seguras de nós próprias, e rapidamente e com bastante facilidade até, voltamos a colocar esses pensamentos na caixinha de onde não deveriam ter saído.
Se bem que é verdade que, por vezes, até é necessário que se escapem da caixinha onde os colocamos - recordar o passado faz-nos dar mais valor ao que temos agora - mas esta já tem a ver com a próxima pérola de sabedoria popular: "ele não te merece".
Ora, na altura em que somos bombardeados com esta, estamos a sofrer por amor, porque gostamos mesmo deles, o que quer dizer que mesmo que tenham defeitos, isso não nos interessa nada naquele momento, porque o que interessa realmente é que estamos a sofrer pela sua ausência ou falta (estou mesmo a ver-vos dizer que sim, que é mesmo assim).
Quanto a isto, tenho a dizer-vos que na altura ainda não temos a capacidade de perceber a realidade, mas mais tarde - lá está o tempo - acabamos por olhar para trás e perceber que foi melhor assim - esta também é outra pérola - porque na verdade eles não nos merecem.
A do "foi melhor assim", vem geralmente acompanhada do " tu mereces melhor" - se na altura quem o nosso coração quer é esse causador efectivo do nosso desgosto, não adianta de nada dizerem que merecemos melhor - porque não queremos melhor - queremos aquele que já não temos ou estamos na iminência de perder ou acabamos de perder. E essa do "foi melhor assim", só meses ou anos mais tarde é a que a vamos aceitar e compreender.
Não pretendo fazer aqui de conselheira matrimonial - de modo algum. Quis foi dar um pouco de mim e dizer-vos que esses que vos causam estes problemas de coração, não sabem o que perdem - sim, pois são eles que saem a perder.
Pelo menos garanto um final feliz: aquando do abalo que estas lembranças nos trazem, acabamos por olhar para o lado, e vemos o ser de coração doce que nos acompanha. E digo-vos: se nos acompanha, é porque nos merece!