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Blue 258

Blue 258

Só mais uma

29
Mai10

Por não querer deitar-me com aquele amargo no coração, abro a porta e volto a chamá-la. Quase que a medo, com passos não tão decididos desta vez, a melancolia volta a entrar. Insisto para que se sente no sofá. Diz que não quer, que está bem de pé. Procuro desfazer-me em atenções para que se sinta novamente à vontade. Está difícil. Volto a colocar a primeira música. Repito-a.

Mesmo assim resiste. Mas eu estou decidida. Quero adormecer contigo no pensamento. Não devia. Eu sei que não devia. Mas é o que quero. E foda-se o resto. Deixo a melancolia dormir esta noite no meu sofá. Amanhã logo se verá.

Pode ser que ao acordar já não esteja cá. Só por esta noite, digo eu. Levo a música comigo. Vou ouvi-la em repeat até adormecer. Vou adormecer contigo naquele tempo em que por momentos foste meu. E eu tua. Só mais esta noite.

 

Embarco numa viagem que me leva a outro tempo...

29
Mai10

 

A primeira música convida a melancolia a entrar. Ela acede e senta-se no sofá. Oiço a mesma música umas quatro ou cinco vezes... e já ela tirou os sapatos, pousou os pés na mesinha e puxou do cigarro.

Muda a música e já uma fome do teu abraço me rói o estômago. Sucedem-se as notas, os acordes, e eu sinto o calor da vontade de te abraçar naquele preciso momento. É tão forte que o adiantado da hora e os quilómetros a fazer parecem-me insignificantes. E depois a música chega ao fim. Assim, sem aviso.

E irrita-me solenemente a puta da melancolia, alapada no meu sofá, a beber minis e a comer amendoins. Dou-lhe um estaladão e mando-a pela porta fora.

 

 

Sei

29
Mai10

O que é ter saudade de um tempo. Sei. Acredita que sei.

Mas sei ainda melhor o que é ter saudade de quem tu eras.

De quem eu era. Principalmente disso. De quem fomos.

 

2:04

29
Mai10

Depois dos primeiros shots de whisky, eu já deduzia como ia acabar a noite. Os meus últimos dois shots - por me ter saído a porra de um duque - eu sabia, eu sabia que iam ser a mais. E foram. "Bebe seguido, de tacada, sem respirar."

E bebi. Depois levantei-me e hello toilet. Fora com esses dois que estavam a mais. E fiquei fina. Porreira da vida. Acordada, sem sono algum. Até o cansaço evaporou e levou consigo a dor de costas. Maravilha. E no entanto, via o filme que se ia desenrolar de seguida. Quem ia bater mal. Eu sabia. Porra, é tão simples, tão fácil de saber. Não percebo como é que há quem ainda não saiba os seus limites. Juro que não percebo. Vá lá que não sobrou para mim. Quando me dizem deixa-me estar 20 ou 30 vezes consecutivas, eu deixo. Mas são precisas essas 20 ou 30. Porra. Aprendam. O álcool é fudido.

 

 

P.S. 2:04 é a hora a que resolvi escrever o post. Sem sono, e perdida por aí nos blogues. Digno de nota, sem dúvida.

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