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Blue 258

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E isto dos pedaços

12
Abr16

Tem sido inevitável para mim pensar no tempo dedicado (quando o que eu queria dizer era desperdiçado mesmo) a uma pessoa quando se está numa relação. Quando se investe, quando nos damos, porque nos damos de facto - damos o melhor e o pior de nós.  Deixamos de ser um "eu" e com outro "eu" passamos a ser um "nós". Nós somos saídas, jantares, somos brincadeiras, somos gargalhadas, somos obrigações e deveres; somos tudo o que já éramos e mais ainda porque somos também tudo o que o outro é. Ou quase tudo.

Sempre acreditei que não nos devemos (e não podemos mesmo) esquecer da nossa individualidade, de sermos o "eu", de termos o nosso tempo, de sermos. Só. Porque somos, não deixamos de o ser. Não fizemos uma operação em que nos tornámos siameses: continuamos a ser quem somos, a pensar como pensamos e a querer o que queremos. Mas a vida em conjunto é isso mesmo e é inevitável que mude muita coisa. Cedemos, porque temos de ceder, fazemos espaço para o outro porque temos que o fazer. É assim uma relação.

E quando essa relação acaba? Como justificar aquele sentimento de tempo perdido? Poderemos nós afirmar que foi tempo perdido quando na realidade foi um caminho, que a dada altura, decidimos percorrer? Foi parte da nossa vida. Foi. E é disso que nos devemos lembrar.

E os pedacinhos de nós que fomos deixando ao longo do caminho? Um aqui, outro acolá, mais outro ali. E esses pedacinhos de nós, que demos, por vezes embrulhados em fita de cetim, com tanto cuidado, tanto carinho. E esses pedacinhos? O que é feito deles? Não podemos agora voltar atrás e recolhê-los um a um. E na próxima vez? Voltarei a dar mais de mim, voltarei a deixar pedacinhos meus ao longo do caminho? Parece que sim. E se um dia fico sem pedacinhos para dar?