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Blue 258

Blue 258

Dos abraços

19
Dez18

Na semana passada, dei o melhor dos meus abraços. Acho que em todos estes anos nunca abracei daquela forma - que nunca me dei daquela forma; tão intensa, tão completa, tão eu - e que foi a primeira vez em que vi a intensidade do meu abraço ser devolvida na mesma medida. Talvez não fosse pelo melhor motivo - o falecimento de um familiar - ou talvez tenha sido no exacto momento em que mais era necessário.

Eu não era capaz de transmitir por palavras que lhes percebia o sofrimento, ou que o intuía (nunca sou numa situação destas), mas que estava ali, que toda a minha força era para eles. E dos vários abraços que dei, os mais memoráveis foram o que dei ao meu primo predilecto e à minha prima mais nova que também adoro.

Não sei se foi por achar que numa situação daquelas não teriam, com o coração a sofrer, a força sequer para receber o meu abraço quanto mais para mo devolverem na mesma medida. Mas assim foi. Abracei-os com todo o meu amor, com todo o meu ser, e eles abraçaram-me com a mesma intensidade  e demoramo-nos naquele abraço sem pensar em todas as outras pessoas que estavam presentes porque nada mais importava naquele momento a não ser o nosso abraço. 

Percebi depois como isso me marcou. Já tive e tenho 2 ou 3 abraços memoráveis na minha vida que nunca vou esquecer. Estes abraços - que são aqueles abraços -  ficam marcados de forma indelével no meu coração.

Só lamento andarmos tão ocupados no dia-a-dia que acabamos por não abraçar as pessoas desta forma só porque sim. Porque as queremos, porque fazem parte da nossa vida, porque nos completam.  Porque essa é a verdade. Se fazem parte da nossa vida, é porque nos completam. Se nos completam, fazem parte de nós. Quando as encontramos, porque não abraça-las desta forma para que o elo que existe entre nós nunca se apague, nunca esmoreça? Porque um abraço destes é eterno. É um abraço entre almas. E estes, nem a morte consegue apagar.

...

18
Dez18

Ultimamente tenho pensado muito em ti. Não sei se é por estarmos próximos do Natal; seja o que for, a verdade é que me fez voltar aqui e escrever sobre (para) ti. Não é que pense sequer em voltar a reatar a amizade  - até porque isso não seria possível - mas não, não é isso. Continuo a lamentar que uma amizade como a nossa se tenha esfumado assim, do nada e para o nada. Sempre senti que a nossa amizade era especial; havia um profundo entendimento, uma empatia natural e uma química, bem, que química. Sempre disse que era má jogada misturar as águas; mais vale uma amizade longa e duradoura do que deixarmo-nos levar pelo arrebatamento e acabar por perder um bom amigo. 

E eu que sempre disse isso mesmo, eu que te disse isso mesmo, cedi às tentativas incessantes de derrubar os meus altos muros  e deixei-te entrar. Não vale a pena aqui falar de quem errou, de quem fez ou não fez o quê. Tudo isso é passado e está arrumadinho na sua devida caixa e guardado lá bem ao fundo de um canto qualquer da memória. Mas a verdade é que ultimamente tenho pensado muito em ti.

Não sei se terá porventura a ver com a música que ando a ouvir. Partilhamos o mesmo gosto; gostamos das mesmas bandas, ouvimos tantas vezes juntos. E, como me lembrei de ti, ao ouvir o que tenho andado a ouvir, torna-se difícil esquecer que me lembrei de ti. E o resto vem por acréscimo. E num ciclo deveras vicioso. Daí estar agora a escrever num blogue que já tinha dado por encerrado. 

Entretanto já criei outro blogue; escrevi o meu primeiro post. Percebi que o registo, este registo, aquele registo do qual eu me queria distanciar se mantém. Pensei que talvez ainda não fosse o momento certo. Não está ainda em mim mudar o registo. Quando estiver em mim, serei capaz de o fazer sem me sentir presa. Daí ter optado por voltar aqui. Não digo que, secretamente, espere que ainda te lembres de que eu tinha um blogue e que possas passar eventualmente por cá, e se o fizeres, poderás ler o que escrevi para ti (ou será para mim?). Se não vieres, também não importa.

E já que estou numa de confidências, posso confessar que eu de vez em quando ainda te pesquiso no Facebook; só para saber se estás vivo. Se estás bem. Se és feliz. Se sorris. Entro, dou uma espreitadela, e saio tão sorrateiramente como entrei. É  vantagem do perfil público, sabias? E já que estamos a falar de redes sociais, deixa-me dizer-te que me deste um trabalhinho do caraças quando resolvi remover a tua amizade de tudo aquilo que (ainda) nos ligava. Percebi que era parvoíce quando, tempos depois, ainda te encontrei no Spotify. Aí disse, merda, não é que depois de tudo, ainda me esqueci de o remover daqui? Mas deixei ficar. Porque percebi que era estupidez remover uma pessoa de tudo quanto é sítio, um desperdício de tempo, quando era tão mais simples ignorar. 

Se calhar é mesmo do Natal que se aproxima - a razão pela qual ultimamente me tenho lembrado de ti -  porque tive, a dada altura, a vontade de te desejar um feliz natal. É claro que se vai ficar só pela vontade. Não poderia ser de outra forma. Mas é curioso ter-me lembrado de, neste Natal, te enviar uma mensagem. E se calhar é isso que me incomoda. Daí tentar dar-lhe uma forma. Ao quê, não sei. Porquê... porque ultimamente tenho pensado muito em ti. 

E, para finalizar, esta música que anda a tocar em repeat. Podia ser outra qualquer; mas por acaso é esta. E agora, está na hora de mudar de faixa.