Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Dos clicks

Dizes que não estás à procura de nada (de ninguém). Aliás, passas os últimos meses a repeti-lo aos amigos mais próximos: não quero ninguém nos próximos tempos, não quero ninguém. Quero estar sozinha, quero poder ser eu. Eu. Quero um tempo para mim, dizes tu. E acreditas no que dizes, sabes que é verdade, sabes ser aquilo que precisas, aquilo que queres, mesmo que aos olhos dos outros possa parecer estranho. Mas é o que queres. É o que sentes. Correu-te mal, ou não - porque estas coisas não correm mal, são como são, e com tudo o que vives, aprendes - aquilo de seguir o coração.

 

— ... 

— Segui o meu coração até aqui. Segui o meu coração até ti. 

— E por isso vales ouro.

— ...

 

Se naquele momento me pareceu bater de frente num beco sem saída, pouco depois compreendi que nada na vida são becos sem saída. São encruzilhadas, isso sim. Entroncamentos, diria eu. Tens um tempo para te deixar estar, indecisa/o sobre o rumo a tomar, duvidas sobre qual será o próximo passo a dar. Demoras o teu tempo, o tempo que é sempre teu, apenas teu. E a dada altura, dás por ti a caminhar, a seguir em frente. Porque é inevitável seguir em frente. Por mais que isso te custe. Por mais que... ainda te lembres. O raio do coração não te deixa esquecer tão facilmente. Não. É parvo, quantas vezes o disse eu? O coração é parvo.

 

Ainda há dias pensava eu: este blogue já foi pele, paixão e... tu. Porque foi. Escrevi as coisas mais lindas,  ditadas pelo coração. Senti. Orgulho-me delas. Orgulho-me de ti. De mim. De teres aparecido na minha vida. Porque foste importante. És. Tanto. Mas a vida continua, e eu deixei-me levar, empurrada pela inevitabilidade das coisas. Estava numa fase em que não queria que me falassem em seguir o coração, em deixar falar o coração, estava, confesso que estava. Mas o coração prega-nos partidas. Oh se prega. E aqui entram os clicks. Pois é. Os clicks.

 

Os clicks são como que sopros no coração - fazem-te sentir uma fraqueza estranha imiscuída na força que sentes, que sabes sentir - e são um problema, oh se são. Podes estar determinada/o em não os querer, mas eles dão-se sem sequer pedir a tua permissão. Podes lutar contra eles, dizer que nem pensar, que não queres, mas quando se dá o click, não há volta a dar. Está lá, e é como se tivesse aberto uma janela no coração quando havias decidido fechar a porta. Fechado para obras. Era o letreiro que inconscientemente pensavas ter pendurado à porta. Mas esqueces-te que não mandas no coração. E que o coração é parvo.

 

 

 

 

 

Dás por ti a ter que lidar com algo que dizias não querer. Começas por querer esconder, até negar, mas tu sabes como estas coisas funcionam. Chegas a um ponto em que por mais que tentes, não o consegues ocultar. E esta história toda ainda se torna mais complicada quando do outro lado, também se dá o click. Porque deduzo que pudesses sentir um click e do outro lado não ser correspondida/o, o que tornaria as coisas muito mais simples. Pensas tu. E nisto dos clicks, também entram os sinais. Os sinais que procuras evitar e que mesmo assim não consegues controlar. E o que é que tu fazes? Tentas mostrar algo que não corresponde à verdade, iludir o que sentes, e que ainda nem sequer sabes bem o que é, e cuja dimensão ainda desconheces por completo. Confundes a pessoa que está do outro lado. E recebes os mesmos sinais trocados de volta. Porra que o coração é mesmo parvo! Pensas até estar destreinada/o destas coisas - e se calhar, na verdade, até estás. Mas não estamos sempre?

 

Mas quando há algo, não há como negar. Nem como esconder. Quem está de fora, percebe, percebe aquilo que queres esconder, ou que ainda te negas a aceitar. E tu vês-te envolvida/o. Resistes. Mas acabas por te deixar que te envolvam ainda mais. Mas como o coração é parvo, e parecemos sempre novatos nestas coisas do coração, temos medo. Damos um passo para logo depois darmos dois atrás. E disso eu não gosto. Sou controlada. Muito. Demais. Até um ponto. Gosto de saber com o que posso contar. E não gosto nada de me ver assim envolvida. Que é bom, é. Mas até certo ponto. Quando se assume, quando o colocas em palavras, cruza-se uma linha, e todo e qualquer retrocesso que eu me veja obrigada a fazer depois, incomoda-me. E muito. Acabo a pensar em que deviam existir uns requerimentos quaisquer em que se pudesse pedir o impedimento destes clicks. Porque não estava mesmo nada à espera. Porque não os procurava. Mas isto serve para aprender que estás sujeita/o. Ao que te dita o coração. E depois? Depois dás por ti a ter de fazer controlo de danos. Vá lá que sou perita nisso.

 

 

E o que decides fazer? Deixar-te ir. Viver um dia de cada vez. Não ter expectativas. De nada. De ninguém. Viver a tua vida, seres tu própria/o e esperar que o coração não te volte a pregar partidas tão cedo. Porque lá no fundo, não estás à procura de nada. Mas compreendes que mesmo que não procures, mesmo que tentes caminhar pela berma da estrada, estás sujeita/o a embates. A atropelamentos.

 

 


publicado por blue258 às 14:05
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13 comentários:
De maluca a 25 de Novembro de 2010 às 15:07
Gostei bastante... o coração é tramado, só serve para confundir o cérebro essa é que é essa!


De blue258 a 25 de Novembro de 2010 às 20:40
Olá, maluca ;)
Tenho-te seguido, mas faltado nos comentários.

O coração, ai o coração... é tramado. E lixa-nos a cabeça!


De Lynce a 25 de Novembro de 2010 às 18:25
Obrigado pelo teu comentário. E espero ter-te esclarecido relativamente ao motivo das minhas insónias.
Beijinhos e uma vez mais, obrigado...


De blue258 a 25 de Novembro de 2010 às 20:38
Sim, sem dúvida. Espero que consigas serenar o teu coração... e dormir melhor.

Beijinhos.


De Lynce a 25 de Novembro de 2010 às 21:19
Obrigado, amiga.


De jmrm a 25 de Novembro de 2010 às 19:30
Esta é a primeira vez que comento o que leio, e tenho lido imenso, mas não podia deixar de te dizer que para além de sentir, que o que escreves é simplesmente magnifico, talvez porque me identifico nessas palavras, pareces escrever a minha biografia., Eu que em muitos anos nunca acreditei no parvo do coração a única vez que o fiz , não recebi a resposta esperada. mas não deixarei de acreditar até porque além de ser doloroso o prazer sentido vale mil vezes mais. Desculpa a invasão.


De blue258 a 25 de Novembro de 2010 às 20:36
Ainda bem que comentaste - não é invasão nenhuma - e é bom saber que alguém se identifica com o que escrevemos... que as nossas palavras chegam a esse lado. A algum lado.

O coração... o coração prega-nos partidas... prega. Muitas vezes faz-nos lutar, saltar muros, só para depois nos vermos caídos no chão. O problema, o problema é que vale a pena. Vale sempre a pena. Vale. É quando o seguimos que nos sentimos vivos. E é para isso que andamos neste mundo: para viver.


De jmrm a 26 de Novembro de 2010 às 10:54
Eu não teria dito melhor, se bem que esse VALER a pena não considero um problema, antes a solução não qualquer uma mas aquela, a que nos faz sentir, que apesar de a vida ser curta, esses momentos são o que, vale a pena viver são o que significa viver...obrigado por esta porta aberta...


De blue258 a 26 de Novembro de 2010 às 17:14
São esses momentos, são... os que valem a pena.
Esta porta estará sempre aberta. Bem-vindo.


De CesarLopes21 a 1 de Dezembro de 2010 às 03:38
"Viver um dia de cada vez. Não ter expectativas. De nada. De ninguém. Viver a tua vida, seres tu própria/o e esperar que o coração não te volte a pregar partidas tão cedo"

é o lema..... e eu assino por baixo...


De blue258 a 2 de Dezembro de 2010 às 00:44
o coração não vai em abaixo-assinados.
é o que nos trama! ;)


De CesarLopes21 a 2 de Dezembro de 2010 às 02:40
hummmmm... mas a frase está muito bem montada... será que o gajo não vê a realidade e deixa-se de merdas???


De blue258 a 2 de Dezembro de 2010 às 23:16
o gajo é parvo. lembra-te disso.


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