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Blue 258

Blue 258

...

Do portátil emprestado

03
Nov10

Na hora de o devolver para as mãos do dono, ou dona, neste caso, arrumam-se as coisas, guardam-se os pertences pessoais nas caixinhas, e faz-se uma limpeza à casa, porque claro, impõe-se a limpeza do histórico do browser. No entanto, esta maravilha que é o windows, faz o favor de guardar os mails na caixa de login.

O do hotmail, não fornece problema algum, agora, o do sapo, o do sapo está a dar-me cabo da cabeça. É que basta passar por lá, clicar, e aparece logo blue258@sapo.pt. Ora, isto, desperta a curiosidade com certeza, e o problema é que a amiga, dona do portátil, não sabe da existência do blogue. E amiga vai chatear-me a cabeça se descobre que tenho um blogue e não lhe disse nada. Mas o blogue é da Blue, não é meu. Será que cola? Duvido.

 

 

Como é que se apaga aquilo? Alguém me sabe explicar? Eu agradeço.

 

Do coração que é parvo

01
Nov10

 

Há uma miúda, a Blue, que diz que o coração é parvo. Se é parvo ou não, essa não é a questão. O que conta, o que importa mesmo, é o que se sente, o que alguém nos faz sentir. Porque acreditem, podemos estar com uma pessoa e não sentir absolutamente nada - o coração em estado de repouso condicionado como se a velhice tivesse tomado conta de nós antes do tempo; podemos cruzar o caminho de outro e sentir o coração bater descompassado - ah, afinal estou viva, ai como bate este coração, de um vermelho fulgurante que me trespassa a alma.

E ao passar por esse alguém na rua, sentimos o coração bater a mil. Ao vislumbrar um só pedacinho seu, sentimos o abalo do coração. E isso, meus amigos, é a forma do coração vos dizer: segue naquela direcção.

O que fazes parada(o)? Corre! Segue o (teu) coração.

 

 

 

 

 

Pouco importa como começou (ou como começam) todos os assuntos do coração. De alguma forma começam, mesmo sem se procurar, mesmo sem se saber, mesmo sem nos apercebermos logo de seguida. Começam. Acontecem. Dão-se. Damo-nos.

 

 


It started out as a feeling
Which then grew into a hope
Which then turned into a quiet thought
Which then turned into a quiet word

And then that word grew louder and louder
'Til it was a battle cry

 

 

O coração quando sente, não nega. Negamos nós por ele, batendo o pé, incrédulos a princípio, e logo depois, contrariados por algo que sabemos não poder controlar. Finalmente, assumimos o que prova ser inegável: é impossível contrariar algo que já faz parte de nós. Seria negarmo-nos a nós próprios. Negarmos quem somos. Tentamos, todavia, calar o coração. Amordaçamo-lo. Sequestramo-lo. Fazemos dele refém. Mas ele não se cala. Ele não cede. Ele não verga. Procuramos então seguir outro caminho, percorrer um atalho, desviar por uma estrada secundária.

Queremos ludibriá-lo, e ele apercebe-se disso. Dispara continuamente balas de sentimentos. Tiros certeiros. Acerta-nos com cada um deles, e nós aguentamos, tentamos manter o passo firme, mas começamos a sentir a fraqueza,  sentimos o sangue esvair-se, quase tombamos, procuramos apoio, voltamos a erguer a postura, buscamos as forças para continuar, não sei eu onde, mas percebemos que não dá. Pensamos então que o melhor será então voltar atrás, mas nisto do coração não há voltar atrás, e ainda melhor do que voltar atrás, é cortar caminho, saltar muros, cair,  esfarraparmo-nos, sangrar mais um bocado, (re)abrir feridas, e levantarmo-nos, mesmo que a muito custo, mas seguir, seguir sempre o coração.

 

 


Never give up loving
Unless you have to
Never leave your lover
Unless you must
Cause it will haunt your
Empty heart forever
Til your body turns to dust

 

 

E se nos perdermos? Não sabemos o caminho. Sabemos onde queremos chegar, o destino, mas não sabemos como chegar lá. Não temos mapas, direcções ou indicações de um posto de turismo qualquer. Não. Temos de nos armar em descobridores e traçar o nosso próprio trilho. Se é difícil? É. Muito. Se encontramos sempre o nosso destino? Nem sempre. Se mesmo assim vale a pena? Vale. Quanto mais não seja porque nos vamos encontrando a nós pelo caminho. E só por isso, vale a pena.

 

 

I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music

And it breaks my heart
And it breaks my heart
And it breaks my heart
It breaks my heart

And suppose I never ever met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you kiss me so sweet and so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose we never ever called
Suppose I kept on singing love songs just to break my own fall
Just to break my fall
Just to break my fall
Break my fall
Break my fall

All my friends say that of course its gonna get better
Gonna get better
Better better better better
Better better better

 

 

 

P.S. E porque devemos deixar o coração falar, e porque estou farta de litígios entre a razão e o coração, o blogue terá um novo autor. Dentro em breve, o coração falará livremente.

You'll find a ladder to my heart

22
Out10

A caminho dos correios - ainda as burocracias - dei por mim a pensar: ena, há tanto tempo que eu não falo do coração no blogue. E logo eu, que tinha o firme propósito de exterminar tal assunto deste recanto, dou por mim a pensar que afinal, afinal, não me sinto tão bem como supostamente pensava que  me sentiria ao fazê-lo. Tudo bem, estava zangada com o coração, bati o pé e falei mais alto. Não há mais lamechice aqui no blogue. Acabou-se. Já não seria a primeira vez em que tal extermínio ditador tentava tomar de assalto a direcção do blogue.

Entretanto, passei pelo Shiuuuu, e ouvi esta música. E não resisto, é que não resisto mesmo. A verdade é que há uma escada para o meu coração, há. Mas acontece algo ao estilo da Starship Enterprise, e do género: beam me up, Scotty. E só dá para um. E o pior,  é que aquela coisa parece que tem código, e ainda por cima é daqueles todos xpto, com impressão digital e reconhecimento de voz: só dá para aquele. Aquele.  Aquele. Acho que já deu para perceber a ideia...

A Biometria serve-se da premissa de que cada indivíduo é único e possuí características físicas e de comportamento (a voz, a maneira de andar, etc.) distintas. E o coração, já se sabe, não é nada fácil de enganar. Acreditem, eu já tentei. Ainda por cima, o coração é sensível a todo um sistema de informação que escapa aos demais dispositivos de identificação. Mesmo ao estilo de The Matrix, estão a ver? É isso tudo: um mundo paralelo. Depois digam-me lá que o coração é parvo. Ou não.

 

 

Woe is me
Faithless you and selfish me
I will leave a key for you outside my doorway

Woe is me
One if by the land or two by sea
So won't you leave for me a light outside your doorway

On a ladder from there to here I'll climb
All this clatter between my ears I find
Does it matter if i can't clear my mind
There's a right and a wrong time

 

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01
Out10

Li coisas que poderia pegar nelas e publicá-las de novo: são actuais - sinto-as, quero-as. Não me consegui decidir por nenhuma em particular - só não resisto a colocar esta música:

 

 


I've fallen in love with you
Please, tell me, tell me what else was there to do
When feelin lips like yours and looking into eyes like yours
Oh, I might as well face it
Cause it's true
Yes, I've fallen in love with you

Reler

01
Out10

Estive a reler-me. A viajar pelo tempo de post em post. Porque me apeteceu. Simplesmente por isso. Li coisas lindas, outras parvas, algumas profundas. Relembrei momentos bons, outros maus, outros divertidos e alguns hilariantes. Foi bom reler os menos bons e  senti-los como parte de um determinado momento da minha vida - senti-los ainda meus - mas conseguir relê-los de forma distante. Continuam a dizer-me muito - foram/são meus - mas é como se já não me afectassem de modo algum. Sou como uma simples leitora que acabou de chegar aqui.

 

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25
Set10

 

Porque eu sou terra. Sou água. Sou chuva, rio e mar. Sou as luzes que se reflectem nas águas. Sou o crepúsculo que abraça a cidade. Fui pele, paixão tórrida e querer louco. Fui areia, sol, mar, lua e estrelas. Fui. Deixo que me invada agora o Outono e procuro que me tempere a alma e apazigue o coração. Procuro ser... Eu.

 

 

E o blogue também se transforma

25
Set10

Porque é meu. Porque faz parte de mim. Porque me acompanha, registando aquilo que eu lhe dito que pode registar.  Porque exala perfume, descobre a paixão da pele, guarda o cheiro de uma memória. Porque marca o passar dos dias, desenha as estações do ano ao de leve e escreve o que me vai na alma.

 

 

«A gramática, definindo o uso, faz divisões legítimas e falsas. Divide, por exemplo, os verbos em transitivos e intransitivos; porém, homem de saber dizer tem muitas vezes que converter um verbo transitivo em intransitivo para fotografar o que sente, e não para, como o comum dos animais homens, o ver às escuras. Se quiser dizer que existo, direi "Sou". Se quiser dizer que existo como alma separada, direi "Sou eu". Mas se quiser dizer que existo como entidade que a si mesma se dirige e forma, que exerce junto de si mesma a função divina de se criar, como hei-de empregar o verbo "ser" senão convertendo-o subitamente em transitivo? E então, triunfalmente, antigramaticalmente supremo, direi "Sou-me".»

 

Fernando Pessoa

 

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18
Set10

Já não me lembrava de sair à varanda, descalça, e a estas horas. E com este sentimento que conheço tão bem. E a banda sonora que me parece perfeita. Apesar de, esta noite, o céu não estar estrelado. E para ver a lua tenho de olhar na direcção do mar e pôr-me em bicos de pés porque está baixa e o pinheiro em frente quase não me deixa ver. Mas vejo-a da minha varanda. Vejo-a.

 

 

E com isto quero dizer... aquilo que já não digo há algum tempo. E que há exactamente 57 segundos atrás (o tempo em que fiquei bloqueada a pensar no que ia escrever) tinha a firme convicção de que o ia dizer aqui no blogue. Primeiro, pensei num sms. Depois disse a mim mesma que não. Um email? Isso é que não, decidi eu rotundamente. Blogue! No blogue sim, pensei eu. E cá vim eu.

 

Comecei por banalidades, fiz um drifting numa private joke... e dei por mim a ponderar novamente. Vi logo que estava tudo fudido. Menina, trata é de escrever que afinal não vais dizer o que cá vinhas dizer.

 

 

P.S. Este blogue já não é o que era.