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Blue 258

Blue 258

...

Mil Vezes Mais,

09
Jan11

Li isto, hoje, na página do facebook da irmã daquela nossa amiga, aquela, que é tanto. Lembrei-me de ti. Inevitavelmente, lembrei-me de tudo.

 

 

«Á deriva num rio procuramos agarrarmo-nos a uma rocha para estarmos seguros. Mas é quando nos conseguimos desprender e nos deixamos, que percebemos a beleza de não controlar a corrente, mas apenas decidir em que direcção flutuar....»

 

 

P.S. E não poderia vir mais a propósito.

Dos clicks

25
Nov10

Dizes que não estás à procura de nada (de ninguém). Aliás, passas os últimos meses a repeti-lo aos amigos mais próximos: não quero ninguém nos próximos tempos, não quero ninguém. Quero estar sozinha, quero poder ser eu. Eu. Quero um tempo para mim, dizes tu. E acreditas no que dizes, sabes que é verdade, sabes ser aquilo que precisas, aquilo que queres, mesmo que aos olhos dos outros possa parecer estranho. Mas é o que queres. É o que sentes. Correu-te mal, ou não - porque estas coisas não correm mal, são como são, e com tudo o que vives, aprendes - aquilo de seguir o coração.

 

— ... 

— Segui o meu coração até aqui. Segui o meu coração até ti. 

— E por isso vales ouro.

— ...

 

Se naquele momento me pareceu bater de frente num beco sem saída, pouco depois compreendi que nada na vida são becos sem saída. São encruzilhadas, isso sim. Entroncamentos, diria eu. Tens um tempo para te deixar estar, indecisa/o sobre o rumo a tomar, duvidas sobre qual será o próximo passo a dar. Demoras o teu tempo, o tempo que é sempre teu, apenas teu. E a dada altura, dás por ti a caminhar, a seguir em frente. Porque é inevitável seguir em frente. Por mais que isso te custe. Por mais que... ainda te lembres. O raio do coração não te deixa esquecer tão facilmente. Não. É parvo, quantas vezes o disse eu? O coração é parvo.

 

Ainda há dias pensava eu: este blogue já foi pele, paixão e... tu. Porque foi. Escrevi as coisas mais lindas,  ditadas pelo coração. Senti. Orgulho-me delas. Orgulho-me de ti. De mim. De teres aparecido na minha vida. Porque foste importante. És. Tanto. Mas a vida continua, e eu deixei-me levar, empurrada pela inevitabilidade das coisas. Estava numa fase em que não queria que me falassem em seguir o coração, em deixar falar o coração, estava, confesso que estava. Mas o coração prega-nos partidas. Oh se prega. E aqui entram os clicks. Pois é. Os clicks.

 

Os clicks são como que sopros no coração - fazem-te sentir uma fraqueza estranha imiscuída na força que sentes, que sabes sentir - e são um problema, oh se são. Podes estar determinada/o em não os querer, mas eles dão-se sem sequer pedir a tua permissão. Podes lutar contra eles, dizer que nem pensar, que não queres, mas quando se dá o click, não há volta a dar. Está lá, e é como se tivesse aberto uma janela no coração quando havias decidido fechar a porta. Fechado para obras. Era o letreiro que inconscientemente pensavas ter pendurado à porta. Mas esqueces-te que não mandas no coração. E que o coração é parvo.

 

 

 

 

 

Dás por ti a ter que lidar com algo que dizias não querer. Começas por querer esconder, até negar, mas tu sabes como estas coisas funcionam. Chegas a um ponto em que por mais que tentes, não o consegues ocultar. E esta história toda ainda se torna mais complicada quando do outro lado, também se dá o click. Porque deduzo que pudesses sentir um click e do outro lado não ser correspondida/o, o que tornaria as coisas muito mais simples. Pensas tu. E nisto dos clicks, também entram os sinais. Os sinais que procuras evitar e que mesmo assim não consegues controlar. E o que é que tu fazes? Tentas mostrar algo que não corresponde à verdade, iludir o que sentes, e que ainda nem sequer sabes bem o que é, e cuja dimensão ainda desconheces por completo. Confundes a pessoa que está do outro lado. E recebes os mesmos sinais trocados de volta. Porra que o coração é mesmo parvo! Pensas até estar destreinada/o destas coisas - e se calhar, na verdade, até estás. Mas não estamos sempre?

 

Mas quando há algo, não há como negar. Nem como esconder. Quem está de fora, percebe, percebe aquilo que queres esconder, ou que ainda te negas a aceitar. E tu vês-te envolvida/o. Resistes. Mas acabas por te deixar que te envolvam ainda mais. Mas como o coração é parvo, e parecemos sempre novatos nestas coisas do coração, temos medo. Damos um passo para logo depois darmos dois atrás. E disso eu não gosto. Sou controlada. Muito. Demais. Até um ponto. Gosto de saber com o que posso contar. E não gosto nada de me ver assim envolvida. Que é bom, é. Mas até certo ponto. Quando se assume, quando o colocas em palavras, cruza-se uma linha, e todo e qualquer retrocesso que eu me veja obrigada a fazer depois, incomoda-me. E muito. Acabo a pensar em que deviam existir uns requerimentos quaisquer em que se pudesse pedir o impedimento destes clicks. Porque não estava mesmo nada à espera. Porque não os procurava. Mas isto serve para aprender que estás sujeita/o. Ao que te dita o coração. E depois? Depois dás por ti a ter de fazer controlo de danos. Vá lá que sou perita nisso.

 

 

E o que decides fazer? Deixar-te ir. Viver um dia de cada vez. Não ter expectativas. De nada. De ninguém. Viver a tua vida, seres tu própria/o e esperar que o coração não te volte a pregar partidas tão cedo. Porque lá no fundo, não estás à procura de nada. Mas compreendes que mesmo que não procures, mesmo que tentes caminhar pela berma da estrada, estás sujeita/o a embates. A atropelamentos.

 

 

Eu não sei quem trago comigo (quer dizer, lá no fundo, até sei - sabe o coração, que é parvo)

09
Nov10

 

Eu fui devagarinho, com medo de falhar, não fosse esse o caminho certo, para te encontrar. Fui descobrindo devagar... cada sorriso teu. Fui aprendendo a procurar, por entre sonhos meus. Eu fui assim chegando, sem entender porquê. Já foram tantas vezes tantas... Assim como esta vez. Mas é mais fundo o teu olhar, mais do que eu sei dizer. É um abrigo pra voltar ou um mar pra me perder.

 

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade. A gente finge mas sabe que não é verdade. Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta. Eu trago-te comigo... e sinto tanto, tanto a tua falta.

 

Eu fui entrando pouco a pouco. Abria a porta e vi que havia lume aceso e um lugar pra mim. Quase me assusta descobrir que foi este sabor que a vida inteira procurei,  entre a paixão e a dor.

 

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade. Gente perdida balança entre o sonho e a verdade, foge ao vazio, enquanto brinda, dança e salta. Eu trago-te comigo... E sinto tanto, tanto a tua falta.

 

 

 

P.S. A minha menina dos abraços tem uma pontaria...

Do coração que é parvo

01
Nov10

 

Há uma miúda, a Blue, que diz que o coração é parvo. Se é parvo ou não, essa não é a questão. O que conta, o que importa mesmo, é o que se sente, o que alguém nos faz sentir. Porque acreditem, podemos estar com uma pessoa e não sentir absolutamente nada - o coração em estado de repouso condicionado como se a velhice tivesse tomado conta de nós antes do tempo; podemos cruzar o caminho de outro e sentir o coração bater descompassado - ah, afinal estou viva, ai como bate este coração, de um vermelho fulgurante que me trespassa a alma.

E ao passar por esse alguém na rua, sentimos o coração bater a mil. Ao vislumbrar um só pedacinho seu, sentimos o abalo do coração. E isso, meus amigos, é a forma do coração vos dizer: segue naquela direcção.

O que fazes parada(o)? Corre! Segue o (teu) coração.

 

 

 

 

 

Pouco importa como começou (ou como começam) todos os assuntos do coração. De alguma forma começam, mesmo sem se procurar, mesmo sem se saber, mesmo sem nos apercebermos logo de seguida. Começam. Acontecem. Dão-se. Damo-nos.

 

 


It started out as a feeling
Which then grew into a hope
Which then turned into a quiet thought
Which then turned into a quiet word

And then that word grew louder and louder
'Til it was a battle cry

 

 

O coração quando sente, não nega. Negamos nós por ele, batendo o pé, incrédulos a princípio, e logo depois, contrariados por algo que sabemos não poder controlar. Finalmente, assumimos o que prova ser inegável: é impossível contrariar algo que já faz parte de nós. Seria negarmo-nos a nós próprios. Negarmos quem somos. Tentamos, todavia, calar o coração. Amordaçamo-lo. Sequestramo-lo. Fazemos dele refém. Mas ele não se cala. Ele não cede. Ele não verga. Procuramos então seguir outro caminho, percorrer um atalho, desviar por uma estrada secundária.

Queremos ludibriá-lo, e ele apercebe-se disso. Dispara continuamente balas de sentimentos. Tiros certeiros. Acerta-nos com cada um deles, e nós aguentamos, tentamos manter o passo firme, mas começamos a sentir a fraqueza,  sentimos o sangue esvair-se, quase tombamos, procuramos apoio, voltamos a erguer a postura, buscamos as forças para continuar, não sei eu onde, mas percebemos que não dá. Pensamos então que o melhor será então voltar atrás, mas nisto do coração não há voltar atrás, e ainda melhor do que voltar atrás, é cortar caminho, saltar muros, cair,  esfarraparmo-nos, sangrar mais um bocado, (re)abrir feridas, e levantarmo-nos, mesmo que a muito custo, mas seguir, seguir sempre o coração.

 

 


Never give up loving
Unless you have to
Never leave your lover
Unless you must
Cause it will haunt your
Empty heart forever
Til your body turns to dust

 

 

E se nos perdermos? Não sabemos o caminho. Sabemos onde queremos chegar, o destino, mas não sabemos como chegar lá. Não temos mapas, direcções ou indicações de um posto de turismo qualquer. Não. Temos de nos armar em descobridores e traçar o nosso próprio trilho. Se é difícil? É. Muito. Se encontramos sempre o nosso destino? Nem sempre. Se mesmo assim vale a pena? Vale. Quanto mais não seja porque nos vamos encontrando a nós pelo caminho. E só por isso, vale a pena.

 

 

I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music

And it breaks my heart
And it breaks my heart
And it breaks my heart
It breaks my heart

And suppose I never ever met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you kiss me so sweet and so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose we never ever called
Suppose I kept on singing love songs just to break my own fall
Just to break my fall
Just to break my fall
Break my fall
Break my fall

All my friends say that of course its gonna get better
Gonna get better
Better better better better
Better better better

 

 

 

P.S. E porque devemos deixar o coração falar, e porque estou farta de litígios entre a razão e o coração, o blogue terá um novo autor. Dentro em breve, o coração falará livremente.

Foge comigo

31
Out10

Porque eu só quero fugir contigo.

 

 

 

P.S. Era o que eu te queria dizer na sexta. Vamos fugir. Os dois. Voltamos na segunda. Talvez... quem sabe. Pode ser que o meu coração faça do teu refém, e não mais o deixe partir. Pode ser que o calor do meu derreta o gelo do teu, e te envolva e entonteça. Deixa-te ir: eu seguro-te nos meus braços. Não te deixarei cair. Deixa que o meu coração nos leve. Até onde ele quiser.

 

 

You'll find a ladder to my heart

22
Out10

A caminho dos correios - ainda as burocracias - dei por mim a pensar: ena, há tanto tempo que eu não falo do coração no blogue. E logo eu, que tinha o firme propósito de exterminar tal assunto deste recanto, dou por mim a pensar que afinal, afinal, não me sinto tão bem como supostamente pensava que  me sentiria ao fazê-lo. Tudo bem, estava zangada com o coração, bati o pé e falei mais alto. Não há mais lamechice aqui no blogue. Acabou-se. Já não seria a primeira vez em que tal extermínio ditador tentava tomar de assalto a direcção do blogue.

Entretanto, passei pelo Shiuuuu, e ouvi esta música. E não resisto, é que não resisto mesmo. A verdade é que há uma escada para o meu coração, há. Mas acontece algo ao estilo da Starship Enterprise, e do género: beam me up, Scotty. E só dá para um. E o pior,  é que aquela coisa parece que tem código, e ainda por cima é daqueles todos xpto, com impressão digital e reconhecimento de voz: só dá para aquele. Aquele.  Aquele. Acho que já deu para perceber a ideia...

A Biometria serve-se da premissa de que cada indivíduo é único e possuí características físicas e de comportamento (a voz, a maneira de andar, etc.) distintas. E o coração, já se sabe, não é nada fácil de enganar. Acreditem, eu já tentei. Ainda por cima, o coração é sensível a todo um sistema de informação que escapa aos demais dispositivos de identificação. Mesmo ao estilo de The Matrix, estão a ver? É isso tudo: um mundo paralelo. Depois digam-me lá que o coração é parvo. Ou não.

 

 

Woe is me
Faithless you and selfish me
I will leave a key for you outside my doorway

Woe is me
One if by the land or two by sea
So won't you leave for me a light outside your doorway

On a ladder from there to here I'll climb
All this clatter between my ears I find
Does it matter if i can't clear my mind
There's a right and a wrong time

 

Eu mando, e ele não obedece. O coração.

17
Out10

Escrevo apressada uma mensagem. Os dedos percorrem as teclas, na urgência de te falar. Escrevem a saudade. Desenham os contornos de um rosto que já delineou o meu. Espelham um olhar que marcou. Um sorriso que ficou. Na sua urgência, os dedos atropelam-se; são soldados em plena batalha. O passo marca o que aprenderam, o coração, o que almejam. E é nesta batalha, entre o coração e a razão, que prossigo.

 

O coração manda apressado, ordena sentimentos desenfreados como águas de um rio selvagem. Pontua margens nas quais me deito esperando por ti. O sol já vai alto. Mais umas horas e já se aduna na praia. Deixo que o crepúsculo espere comigo. Por ti... Por ti.

 

 

Vem, e serei tua, tua, na rua que nos leva a ver o mar. Naquela rua. Naquela.

15
Out10

 

 

Vem e serei teu na rua que nos leva a ver o mar

 

«Hoje fiz das tuas mãos o meu fogo. Não vês que fujo por entre cada uma das tuas palavras e não acredito numa só? Porque nas madrugadas em que te amo, toco o teu coração mais um pouco e perco-me dentro de ti e da tua vontade.

E esse aperto que me mata por dentro a razão, e esse teu olhar que me consome de longe querendo-me perto…  Desculpa se te faço chorar nas noites em que mais precisas de mim. Se de longe te rompo a alma que amo e que nos juntou. Não foi sorte, foi desejo. E quanto não é tão mais forte a vontade que qualquer trejeito do destino…

Os meus braços estão vazios sem ti.

Volta. Traz esse sorriso para perto de mim. Vamos ser nós nessa encosta de sol que suja de amarelo as estradas. Vem cantar-me ao ouvido, vem! E no encontro das nossas mãos encontraremos-nos felicidade em dias calmos.

Vem. Vem para a minha mão e serei teu na rua que nos leva a ver o mar. É duro e feio de se desejar. É tão grande a vontade que não posso ter-te.

Mas vem. Sou tudo para que sejas feliz sem me perguntares porquê!»

 

 

 

Liliano Pucarinho, no night indigo

 

 

 

P.S. Gajos que escrevem bem. Porra, gajos que escrevem tão bem!

E palavras, palavras, que se adequam. Que dizem. Tanto. Tanto.