«Meu amor, não quero mais palavras rasgadas. Nem o tempo cheio de pedaços de nada. Não me dês sentidos para chegar ao fim. Meu amor, só quero ser feliz. Meu amor, não quero mais razões para apagar o que nasce e renasce e nos faz acordar. A loucura faz medo se for medo o teu chão, mas é ar e é terra dentro do coração. É ar e é terra dentro do coração. Meu amor, não quero mais silêncio escondido. Nem a dor do que cai em cada gesto ferido. Quero janelas abertas e o sol a entrar. Quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. Eu quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. E hoje vê, a estrada é feita para seguir. E hoje sente, a vida é feita de sentir. E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor. Deste lado é mais puro, é teu, é tão maior. Deste lado é mais puro, é meu, é tão maior.»
(Mafalda Veiga, Estrada)
Roubado do Abraça-me bem. E ironia do destino: abraça-me bem.
Este frio, esta chuva, trazem-me à memória momentos de extrema doçura. Será talvez por isso que sorrio. Apesar do frio, o meu corpo exala um calor intenso. Imagino que produzido pelo coração. É ele o detentor de todas as marcas de doçura. Palavras, carinhos, abraços, beijos. Entrega. Comunhão de almas. E o coração, que de parvo não tem nada, encerra em si o mel, preservando-o. Guardando-o como um tesouro. Guarda-te a ti. Bem cá dentro do meu peito.
P.S. E hoje vou dormir com um sorriso nos lábios. Vou. Vou adormecer a pensar em ti. Vou. Embalada por uma banda sonora que é especial. É. Ainda é. E sempre será. É esse o poder de uma banda sonora. É esse o poder dos momentos mágicos gravados no tempo.
Isso é que era. Apertar o teu corpo contra o meu. Sentir o coração a bater descompassado no peito. No meu e no teu. Pousar a cabeça naquele sítio. Naquele. Aquele que é meu e só meu. Aquele que parecia estar à minha espera. E terminar a tarde nos teus braços. Esperar pelo pôr-do-sol, perdida nos teus beijos. Sentir a noite salgada abater-se sobre a areia. Deliciar-me com o teu sorriso. Abraçar-te ainda mais forte, movida pelo frio que se começa a fazer sentir. Abraçar-te na procura do teu calor. Afundar-me na tua ternura, na tua serenidade. Nesta noite, céu estrelado - se bem que nada é mais envolvente do que o brilho do teu olhar - o mais belo dos últimos tempos.
Fecho os olhos. Sinto o gosto da tua boca na minha. Sinto o cheiro da tua pele na minha. Fecho os olhos. Sinto o teu abraço. Os teus braços fortes que envolvem o meu mundo. O teu abraço do tamanho do mundo. Fecho os olhos. Vejo as tuas mãos que envolvem e fortalecem as minhas. Os teus dedos entrelaçados nos meus. Sinto-te. Aqui. Agora.
Abraça-me bem. Aconchega-me a ti, encosta o meu peito ao teu. Juntos, num bater de coração. Abraça-me. Prende-me. De maneira a que não possa mais ir embora. Daqueles. Que me tira os pés do chão mas não me deixa cair. O mais seguro. O mais... Aquele. Forte. Apertado. Cheio. Que me aconchega. Que me protege. Que me abriga. Que manda os medos embora, todos.
Pendem sobre mim decisões importantes a tomar. Passos a dar. Abate-se sobre mim a dúvida, a incerteza. Velhos medos que nem sequer eram meus, nunca foram meus. Duvido de mim. Da minha força. Das minhas capacidades.
Sinto precisar de ti como nunca. Porque agora sei o que é estar a sufocar e receber o fôlego que me faltava para respirar. Sei que preciso de bastar-me a mim própria, sei disso, mas não consigo, ainda não consigo. Tenho de conseguir. Sei que tenho. Mas seria muito mais doce contigo ao meu lado. Dá-me a mão. Basta dares-me a mão. Se me sentires tropeçar, aperta-me a mão com força. Se me sentires perder as forças, cerra o meu corpo contra o teu, se me sentires perder o chão, abraça-me. Abraça-me forte.
[Se me sentires não querer o azul do céu, encosta o teu rosto ao meu. Se me sentires perder a vontade do mar, beija-me. Beija-me. E provoca o maremoto de novo dentro de mim. Beija-me nos teus braços. Encerra o meu mundo num só abraço. Faz-me voltar a sentir completa. Faz-me voltar a sentir eu.]
20,000 seconds since you've left and I'm still counting And 20,000 reasons to get up, get something done But I'm still waiting Is someone kind enough to Pick me up and give me food, assure me that the world is good But you should be here, you should be here
Sometimes... I still forget to breathe.
Contive outro impulso do coração. Começo a revoltar-me comigo mesma por os conseguir controlar. Mas contive-o. Há dez minutos. E ainda me dói. Ainda o sinto no corpo. Acordei e queria correr para ti. Sentar-me no chão, deitar a cabeça nos teus joelhos. Faltam-me as forças. E sim, é verdade, por vezes ainda me esqueço de respirar. Por isso sinto este aperto no peito, este nó na garganta que me prende as palavras.
Preciso do teu abraço... não é de qualquer um, não, é do teu abraço. Preciso que me retemperes as forças, que me devolvas o fôlego de novo. Preciso do teu abraço. Não precisamos falar, basta que me abraces com força, que me faças sentir o meu mundo inteiro, de novo, nos teus braços. Preciso de ti. De ti.
Percorreste um longo caminho para chegar até mim. Encontraste-me estendida no chão frio de um quarto escuro. Desolada. O sol não chegava até mim, não me tocava na pele, não me iluminava o olhar, não me temperava a alma. Mas tu chegaste até mim. Abriste logo a porta, e entraste de rompante, oferecendo-me o teu calor, envolvendo-me. Tocaste-me ao de leve, na pele gélida. No mesmo sítio onde pousaram os teus dedos, os tons transmutaram-se de azuis árcticos para vermelho sangue. Ajoelhaste-te junto de mim. Encerraste o meu mundo no teu abraço. Num só abraço. Abraçaste-me, e senti o recobrar das forças. Beijei a tua respiração, e o impulso propagou-se freneticamente pelo meu corpo. O teu fôlego reacendeu em mim a ânsia de viver. De correr, saltar, cair e levantar de novo. A tua pele tocou a minha, e o teu perfume enfeitiçou-me. Com o teu olhar, eu voltei a ver. Os meus olhos beberam dos teus e eu voltei a sorrir.
Fiz uma longa viagem até ti. Cresci. Em mim. Em ti. O percurso fez-se doce, em passos embalados pela ternura. Em mel. E é a caminhada que fizemos lado a lado que importa. O céu estrelado sob o qual perdemos o fôlego. O amor sob a luz da lua. Essa viagem. A nossa. Só nossa. Uma longa viagem.
Sentada no sofá. Aconchegada no teu abraço. Cabeça pousada naquele sítio, naquele, naquele... tu sabes, tu sabes... Envolta por uma doçura que parece não ter fim... e o teu cheiro impregnado em mim, em mim, em mim... E espero o toque das tuas mãos, o calor do teu corpo, o mel do teu olhar... enquanto os meus olhos vislumbram a chuva que brinca na praia e o vento que acaricia a vidraça. Espero por ti, na casa da praia, aquela, sem vizinhos por perto.
Give me more than one caress To satisfy this hungryness We are creatures of the wind Wild is the wind
O marulhar sobe de tom e o vento sibila a tua ausência... o mar ama revoltado, voltando-se para a lua, suplicando a sua doçura. E a lua, impávida e serena, parece troçar lá do alto. O mar, agora encrespado, procura lançar o seu manto salgado cada vez mais alto. Quer atingir a lua, tocá-la, envolvê-la, e diluir-se na sua doçura. Falha, e rebenta a sua fúria nas rochas. Maldiz a lua e jura amor ao sol. Ao sol, a quem vê indiferente de dia. Ao sol.
Mas é a lua que ama, foi esta quem o enfeitiçou. E eis que chegas tu, acalma a revolta lá fora, e um calor se apodera do meu corpo. Entras, e ao ver-te, o meu coração bate descompassado a melodia afinada do amor. Aproximas-te, e os acordes soam mais alto. Levanto-me e voo na tua direcção: já o coração pula de emoção. Corro para o teu abraço, inspiro profundamente o cheiro da tua pele, uma e outra vez... mais uma vez. Resguardo o meu corpo no calor do teu, afundo-me na tua doçura, perco-me no castanho dos teus olhos. Acaricio-te o rosto, e ronronando como um gato, peço-te: abraça-me com força. Abraça-me...
Abraça-me. E tu sorris, desarmando-me, quando desarmada estava eu, e mesmo que não estivesse, ao ver-te sorrir com o olhar, deixo cair as armas ao chão, e ao ver esse sorriso doce nos teu lábios, perco as forças, e rendo o meu corpo ao teu. A ti. À tua vontade.
You... touch me... I hear the sound of mandolins You... kiss me... With your kiss my life begins
Love me, love me... Say you do Let me fly away... With you
Abraça-me. Prende-me no abraço mais doce que é o teu. Aperta-me bem. Vem, envolve-me mais um pouco. Cinge o meu corpo ao teu. Deixa-me sem fôlego. E que nada reste. Nem corpo, nem pele. Que nada reste entre nós. Que nada reste. Sejamos respiração entrecortada. Saliva. Calor. Desejo. Sejamos.