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Blue 258

Blue 258

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Dos roubos

19
Out10

Já há algum tempo que não encontrava alguém que me conseguisse prender desta forma a um texto. Que me obrigasse a encontrar o momento certo para o ler. Com calma e atenção.

 

 

 

«A música, como a leitura e a escrita sempre me fizeram viver. Vibrar. Os amores também. Muito mais, claro. Nada como um amor agora. É o que me apetece dizer. E fazer. Então um amor com música e leitura... Mas não pode ser. Decido. Não agora. Depois. Prometo. Agora não, que não confio em mim agora. Informo. Sou uma desvairada irresponsável. Tenho a certeza. Revelo. Tenho provas. Que vou guardar. Sou uma cedente e concedente. Capaz de deixar tudo por amor. Uma incapaz, portanto. Tenho testemunhas. Em tempos, devia ter sido inabilitada. Obrigada a andar com um tutor à perna. A minha familia só não me processou por causa do amor por é composta por um conjunto de corações moles.»

 

Cat2007, no Café Expresso

 

 

 

Ler texto na íntegra, aqui.


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13
Out10

«Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira, pensamos tanto, tomamos balanço e hesitamos, depois voltamos ao princípio, tornamos a pensar e a pensar, deslocamo-nos nas calhas do tempo com um movimento circular, como os espojinhos que atravessam o campo levantando poeira, folhas secas, insignificâncias, que para mais não lhes chegam as forças, bem melhor seria vivermos em terra de tufões. Outras vezes uma palavra é quanto basta.»

 

José Saramago, in Jangada de Pedra

 

 

 

 

 

Encontrado aqui, no Tudo o que tenho cá dentro.

Dos silêncios

07
Out10

«Os silêncios. Todo o tempo é sempre pouco. Todos os momentos são possíveis de serem congelados e suspensos no tempo. E todos os sorrisos são diferentes. E todas as maneiras, todas as palavras, todos os sustos são puro fascínio. Só olhar. Só ficar. Só ver. Só sentir. E os silêncios não incomodam. Há muito que os silêncios criavam angústia e incerteza. E depois as mãos. E depois as palavras. O eco das palavras. O timbre das palavras. O isolamento de tudo em torno dessas palavras. A ausência das palavras.

Os silêncios já não me incomodam.

Quando a única certeza era a de que, mais do que grande parte da população conseguia, mais do que os infelizes que nunca tinham tido a oportunidade, mais do que ter a oportunidade, eu tinha tido tudo nas mãos, um dia. Tinha esperança num novo fôlego, mas tinha a certeza de que nada seria igual, e que haveria alguém que ainda não tinha feito a primeira viagem e no meio dos desígnios divinos e das oportunidades, eu poderia estar a roubar o bilhete da oportunidade a esse alguém. A hipótese era aceite e abafada pela certeza de que nada fora em vão.

Acordei, tinha o bilhete, a passagem nas mãos e corroía-me a alma. Não sei o caminho, não conheço a viagem, não quero saber a duração… pelos silêncios ou pela ausência deles.

Tive sorte. Voltei a acertar nos números.»

 

 

VI

 

 

 

P.S. E em silêncio estava eu. Quebro-o agora, como poderia não o quebrar? Porque não importa o número de seguidores de um blogue, o número de visitas ou de comentários - interessam sim, aqueles 4 ou 5 que valem por mil. E esses, esses, vão para além do blogue.

A emissão retoma-se aos poucos, com palavras dos outros, palavras, simples palavras, música, literatura e fotografia. Pelo menos até eu decidir quebrar o silêncio das minhas próprias palavras.

 

 

 

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12
Set10

E depois, há blogues assim, como o anterior, que encontro sem saber bem como, e que me prendem e apaixonam. Chamou-me a atenção o título - Tardes de chuva e chocolate - por ser o de um livro que li recentemente. Soube-me conquistada no momento em que li o excerto de um poema de Fernando Pessoa:

 

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece…


Entrei, pretendia abrir a porta, e espreitar devagarinho, mas quando dei por ela, já estava lá dentro, sentada, maravilhada. Sentia-me em casa, ou numa casa que me fazia lembrar a minha. Sentia-me em casa. Reconhecia o cheiro, o padrão das cortinas, a cor da colcha. Depois envolveu-me o cheirinho do chocolate quente, e deixei-me embalar pela chuva que caía lá fora e entreguei-me ao sentimento que conheço tão bem. A este. A ti.

 

O meu blogue aquece o coração :)

31
Ago10

 

 

 

 

 

E aqui vão as regras:

 

1. Referir quem ofereceu o selo:

 

Miminho oferecido pela Cátia, do Pormenores Sem a Mínima Importância

 

2. Qual é o teu chá preferido?

 

Adoro chá de limão (feito com a casca, claro) bem gelado, no Verão.  Para o Outono - Inverno, já há muito que me rendi ao Indian Spice.

 

3. Quantas colheres de açúcar costumas meter?

 

Regra geral, nenhuma. Mas quando me quero mimar, deixo o açúcar adoçar o chá com uma colherzinha.

 

4. Passar o selo a 6 pessoas:

 

E respeitar as regras, torna-se complicado. Os blogues que me adoçam, são os vossos, claro. Aqueles por onde eu passo e partilho da sua doçura. Vá, toca a levar este selo para lá.

 

 


Desafios

31
Ago10

O Bruno, do Produto Oficial Não Licenciado, desafiou (e desesperou com a demora da resposta ;)):

 

 

1. Imagina que a tua vida é um gráfico.

 

2. Divide-a em percentagem (vida = 100%) de acordo com o que achas mais importante.

 

 

50% Família e amigos. Quem nos sustenta a vida. Quem nos dá amor incondicional, carinho, colo e não pede nada em troca.

30% Literatura, música, cinema, passeios pela praia, copos com os amigos, viagens*. Tudo o que me delicia e me preenche. Tudo o que me dá prazer.

20% Trabalho. Tudo o que me faz receber uns euros ao final do mês. Tudo o que me possa fazer sentir realizada. Tudo o que possa consistir um desafio.

 

Neste momento, este é o gráfico que me definiria; daqui a uns tempos, quem sabe, as percentagens poderiam ser outras.

 

*E os blogues. O meu e os vossos. Mas alguns deles já pertencem àqueles 50% ali em cima :)

 

 

3. Passa a 5 blogs que adoras.

 

Cinco? Cinco? São mais do que cinco! Passo à Samy, à Dorky, à Daniela,  à Mil Vezes Mais, à Sara Maria, à BS Welt, à Cátia, à  Chewingum Girl, à Bazófias, à V.P., à Izzie - quase que me esquecia! -, e por aí fora!* E também passo aos meninos: ao César, ao André, ao Alex, ao Gajo - se ele se metesse em desafios -,  ao Pedrito, ao André Jesus, ao Ruim - gostava de ver o que saía dali ;) - e sim, estou a esquecer-me de alguns, mas adoro os vossos blogues. Passo aos restantes e a todos que quiserem fazer. Vá, toca a responder ao desafio.

 

E não é que me estava a esquecer da Adele e da TST? Também é para vós meninas!

Das coisas mais lindas e verdadeiras que me disseram nos últimos tempos

31
Ago10

O teu porto de abrigo pode ser tanto. Não precisa ser aquele, aquele que querias que fosse mas não é.
O porto de abrigo é sempre... tanto. Quando tanto é tudo e ainda mais.
E podes encontrá-lo nas coisas mais pequeninas. Nos gestos mais simples. Que de pequeninos então não têm nada. Basta que te dêm o sorriso de volta, mesmo que por breves instantes. Que te segurem, mesmo que por breves instantes. Que te tirem do mundo real, mesmo que por breves instantes. Que te puxem quando o teu barco está prestes a naufragar. E há sempre algo que não deixa. Sempre.
Não te preocupes, mesmo que não o encontres, ele encontra-te a ti.
E se calhar já o encontraste e ainda não te apercebeste :) O abrigo nas pequenas grandes coisas, naqueles abraços :)

 

 

Daniela

 

 

E aqui se vê o bom da blogosfera. O bom que ainda há no mundo. Nas pessoas. Obrigada Daniela, do fundo do coração. Obrigada.

 

 

 

[E isto remete-me para um tempo, não muito distante, em que a tempestade me assombrava e eu me afastava dos portos de abrigo. Aqui.]

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21
Ago10

Mensagens encriptadas do coração para as mãos

 

«Abrenúncio não se decidia quanto à posição para escrever: se sentado se de pé. Sentado não conseguia parar de bater o pé enquanto o coração lhe batia na ponta dos dedos; as letras aninhavam-se em palavras cadenciadas com o coração e por isso só escrevia: tum-tum, tum-tum, o que se lhe afigurava um tudo-nada estúpido. Gostava de escrever de pé, como o Pessoa.»

 

El matador

 

 

Ler o texto  mais delicioso que encontrei nos últimos tempos aqui.