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Blue 258

Blue 258

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# 46 Silêncios

22
Set10

 

 

Lá fora a chuva cai sem vontade. O vento embate no mar. Sem vontade. A água decalca a areia ainda quente. Sem vontade. O dia amanhece sem querer. Dentro do quarto, deixamos cair a chuva lá  fora. Mergulhamos mais uma vez por entre os lençóis. Embatemos o desejo nos corpos. Sucumbimos. À nossa vontade.

A minha pele é o mapa da tua viagem. Guarda o perfume do teu corpo como um tesouro. Encerra beijos e segredos. Só meus. E teus.

Beija-me. Aqui. Beija-me outra vez. Aqui. O dedo indica onde se detêm os teus lábios. Aqui. Ali. Aqui e ali. Na minha pele. No meu corpo.

 

Tinha os pés entrelaçados nos teus. Chamei-te meu amor em surdina. Calei-me num sorriso. Disse que te amava num silêncio. E esse silêncio retumbou cá dentro como o mar em dias de tempestade. Sempre disseste que o meu  silêncio diz tanto. Tanto. E diz.  Desenha o meu mundo quando estou contigo. Quando me fazes inteira.

 

 

I'll stop the world and melt with you
You've seen the difference and it's getting better all the time
There's nothing you and I won't do
I'll stop the world and melt with you

 

 

Beijamos como quem faz amor, entretecemos bordados na pele, encetamos viagens sem destino. Tu e eu. Dentro de quatro paredes que deixam de existir no momento em que os nossos corpos se tocam.




 

 

 


# 45 When a tornado meets a volcano

14
Set10

 

O dia parece soçobrar pelo peso da noite que impiedosamente se abate sobre ele. O céu parece querer libertar as águas que aí aprisiona. Querer. Até o céu tem querer. O mar que retumba sem parar, parece agitado, não pela força do vento estranho que lhe escarpa as ondas, mas pela tempestade que se quer formar. Querer. Há um querer que se foi alimentando durante o dia, sorvendo tudo à sua volta, acrescentando, engolindo tudo em que toca, encrespando-se na crista de um tornado, impulsionado pela demora de ter. De te ter.

 

 

 

just gonna stand there and watch me burn
that’s alright because i like the way it hurts

 

A sala quente, crepitante,  vibra quase silenciosamente nos aromas de laranja e canela, nos tons alaranjados que a compõem.  Um vulcão. És lava que me corre nas veias. Que me incendeia. E eu sou tempestade. Os meus desejos parecem comandar  os ventos, as marés, a cadência da chuva e das estrelas. Abres a porta, e os ventos inflamam o incêndio que me queima a pele. E ao entrares, trazes contigo o tornado que te espera. Voas para os meus braços, e é o meu fogo que te queima a pele.  Sou eu que te consumo, que te quero consumir, que me consumo a mim própria contigo. Em te querer. Querer. Este querer que balança no ar, contagiando-nos, aliciando-nos, iludindo os sentidos.

 

Os corpos envolvem-se numa dança que conhecemos tão bem. Sabem de cor os passos, mas sinto-os improvisar a cada toque, a cada arrepio. O sabor da pele dita o compasso da entrega. De te receber. De te ter.

E os meus braços perdem-se nos teus. A minha boca palminha o teu corpo, tacteando cada centímetro, na escuridão intrincada. O meu cheiro dispersa-se no teu. O teu sabor grava a passagem por cada recanto do meu corpo. Os teus dentes marcam-me os ombros. As minhas unhas marcam-te as costas. Cedemos. Soçobramos sob a fúria que se abate sobre nós. Somos tempestade. Somos.

 

Encostamos os corpos suados à vidraça gotejante da sala. O mar, lá fora, reage à provocação da cadência dos nossos corpos desnudos. Vergamos os  corpos ao desejo, amamos, sugamos a vida, consumimos a energia sem fim. Pára. Sentes? Juntos originamos um terramoto violento, cujo epicentro se forma aqui mesmo. Aqui. E agora.

 

 

...

14
Set10

Admiro entontecida as cintilantes luzes da cidade reflectidas nas águas serenas do rio. E é o teu sorriso que vejo. A cidade tranquila. E é em ti que penso. E indago o porquê deste sorriso parvo que assoma aos meus lábios. De cada vez que penso em ti. De cada vez. E hoje não me saíste do pensamento. Levei-te logo pela manhã comigo. E permaneceste no meu sorriso. O dia todo.

 

Hoje, durmo abraçada a ti. Sonho nos teus braços. Abraça-me bem.

 

 

Deitados no leito do rio, beijo-te vagarosamente a pele. Embriago-me no teu perfume. Delicio-me com o teu cheiro. Embargo as palavras na tua boca. E entrego-me. Sim, entrego-me. Desnuda. A ti. A ti. A ti.

 

 

 

 

Aconteceu... e por me teres feito cego, recordo o sabor da tua pele e o calor de uma tela que pintámos sem pensar. Ninguém perdeu, e enquanto o ar foi escuro, despidos de passados, talvez de lados errados, conseguiste-me encontrar.

Foi dança, foram corpos de aço entre trastes de guitarras que esqueceram amarras e se amaram sem mostrar.
Foi fogo que nos encontrou sozinhos, queimou a noite em volta, presos entre chama à solta, presos feitos para soltar... Estava escrito. E o mundo só quis virar a página que um dia se fez pesada...

 

E o suor que escorria no ar, no calor dos teus lábios, inocentes mas sábios... no segredo do luar. Não vai acabar. Vamos ser sempre paixão. Vamos ter sempre o olhar ao nível de ninguém. Dei-te mais...! Valeu a pena voar... Estava escrito. E a noite veio acordar a guerra de sentidos travada num céu.

 

Nem por um segundo largo a mão da perfeição do teu desenho e do teu gesto no meu... foi como um sopro estranho... e aconteceu...

És fogo em mim, és noite em mim. És fogo em mim.

 

Can you feel it?

12
Set10

Fecho os olhos. Sinto o gosto da tua boca na minha. Sinto o cheiro da tua pele na minha.  Fecho os olhos. Sinto o teu abraço. Os teus braços fortes que envolvem o meu mundo. O teu abraço do tamanho do mundo. Fecho os olhos. Vejo as tuas mãos que envolvem e fortalecem as minhas. Os teus dedos entrelaçados nos meus. Sinto-te. Aqui. Agora.

 

Close your eyes. Do you still feel me?

 

Quero amar-te

22
Ago10

Perder-me nos teus braços. Deliciar a minha pele na tua. Saciar a sede da minha boca, esta sede, na tua. Matar o desejo do meu corpo, no teu.

Despir a alma e deitar-me contigo. Perdidos sem espaço, sem tempo, sem palavras. Mudos em qualquer uma das línguas que falamos. Silenciosos no querer. No dar e receber.  Na entrega.

Deitar-me contigo. Amar-te devagarinho, em câmara lenta. Saborear-te. Aos poucos. Provar-te de cada vez como se fosse a primeira vez. A  cada vez. Entranhar-te cada vez mais em mim. Marcar a minha pele com o teu perfume. O meu corpo com o teu cheiro. A minha alma com o teu querer. Deitar-me contigo. E amar-te muito mais depois.

 

...

19
Ago10

 

Porque este blogue tem sido pele, desejo, paixão. Porque eu tenho sido pele, desejo, paixão. Porque a tua pele me envolveu, o teu olhar me prendeu e o teu perfume me enfeitiçou. Porque por mais que procure resistir, por mais que procure ocultar e silenciar as palavras, sou pele, sangue frenético que me corre nas veias e coração que bate descompassado quando penso em ti. Em ti.

 

 

 

P.S.: E como a imagem do cabeçalho traduz na perfeição o que este blogue tem sido, decidi mantê-la até Setembro. Tinha planeado umas coisinhas para a altura das festas da terra - vou então guardá-las para depois.

 

 

Se eu podia ter usado o corrector ortográfico? Podia, mas não era a mesma coisa

03
Ago10

Isto a respeito do post anterior, claro. Quando o corpo nos ferve, o sangue está prestes a entrar em ebulição, e o coração a ponto de ter uma síncope, todos os segundos são vitais. E era urgente e premente mergulhar na noite. Afundar-me em finos fresquíssimos e cocktails manhosos. Ah, e uma nota muito importante relativa aos cocktails: tenham cuidado, sim cuidado, muito cuidado. Quando são outros a pedir, quando nem sequer sabemos o que raios nos servem naquele copo que parecia ter litro e meio, tenham cuidado, sim, cuidado, muito cuidado. Quando se prova e nos parece doce, tão doce que aparenta nem ter vestígios de álcool, tenham cuidado, sim, cuidado, muito cuidado.

E porque ainda era noite quando, de madrugada, entrei em casa, porque os olhos pesavam, o corpo queria cama, mas a alma, ah,  a alma, essa, vagueava ainda livre por aí. E as olheiras que hoje apresento no rosto, são prova de que vivi, e sim, as férias começaram, e eu vivi, e vivo e as olheiras dão-me um ar querido e condizem com o castanho dos meus olhos. E hoje sinto-me linda, sim, linda. E de tarde vou para a praia, para a pele ficar morena e o meu estado de espírito condizer ainda mais com o brilho dos meus (teus) olhos castanhos.

 

Indelével

20
Jul10

O teu nome tem o mar, a praia, a areia, a pele morena. O teu abraço encerra o mundo. O teu beijo, a loucura.

 

 

Percorri quilómetros para fugir de ti, para descobrir apenas que vieste atrás. Percorri a distância para te procurar esquecer, e afinal, trouxe-te comigo.

 

Descobri então que vieste marcado na pele. O banho dos dias pode ter levado o cheiro do teu perfume, mas a tua marca permanece. Tu, permaneces presente. Desconfio agora que escreveste o teu nome com tinta à prova de água, por todo o meu  corpo, num momento perdido do tempo em que me tiveste nos teus braços. Em que me tiveste, sem me ter.

 

Silleda, 12 de Julho

 

 

Spring sweet rhythm dance in my head
Slip into my lover's hands
Kiss me oh won't you kiss me now
And sleep I would inside your mouth

Don't be us too shy
Knowing it's no big surprise
That I will wait for you
I will wait for no one but you