Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018

Dos abraços

Na semana passada, dei o melhor dos meus abraços. Acho que em todos estes anos nunca abracei daquela forma - que nunca me dei daquela forma; tão intensa, tão completa, tão eu - e que foi a primeira vez em que vi a intensidade do meu abraço ser devolvida na mesma medida. Talvez não fosse pelo melhor motivo - o falecimento de um familiar - ou talvez tenha sido no exacto momento em que mais era necessário.

Eu não era capaz de transmitir por palavras que lhes percebia o sofrimento, ou que o intuía (nunca sou numa situação destas), mas que estava ali, que toda a minha força era para eles. E dos vários abraços que dei, os mais memoráveis foram o que dei ao meu primo predilecto e à minha prima mais nova que também adoro.

Não sei se foi por achar que numa situação daquelas não teriam, com o coração a sofrer, a força sequer para receber o meu abraço quanto mais para mo devolverem na mesma medida. Mas assim foi. Abracei-os com todo o meu amor, com todo o meu ser, e eles abraçaram-me com a mesma intensidade  e demoramo-nos naquele abraço sem pensar em todas as outras pessoas que estavam presentes porque nada mais importava naquele momento a não ser o nosso abraço. 

Percebi depois como isso me marcou. Já tive e tenho 2 ou 3 abraços memoráveis na minha vida que nunca vou esquecer. Estes abraços - que são aqueles abraços -  ficam marcados de forma indelével no meu coração.

Só lamento andarmos tão ocupados no dia-a-dia que acabamos por não abraçar as pessoas desta forma só porque sim. Porque as queremos, porque fazem parte da nossa vida, porque nos completam.  Porque essa é a verdade. Se fazem parte da nossa vida, é porque nos completam. Se nos completam, fazem parte de nós. Quando as encontramos, porque não abraça-las desta forma para que o elo que existe entre nós nunca se apague, nunca esmoreça? Porque um abraço destes é eterno. É um abraço entre almas. E estes, nem a morte consegue apagar.


publicado por blue258 às 00:01
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1 comentário:
De Daniela Barreira a 20 de Dezembro de 2018 às 02:09
Sabes, tanto, como sinto e partilho cada palavra que escreveste. Uma a uma.
E abraço-te, tanto e sempre.


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