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Blue 258

Blue 258

Dos castelos. Com muralhas, fosso e crocodilos.

05
Dez19

[Voltei a pensar nisto (e sim, em como devo direitos de autor ;)]

 

A verdade é que erguemos muralhas. Para nos protegermos. Nunca é para proteger os outros. É mesmo para não deixar ninguém entrar. Vai daí, as muralhas são altas, não há quase forma de as escalar e primeiro, primeiro, ainda há que descobrir forma de passar pelo fosso. A ponte levadiça, essa, está sempre fechada. Sempre. Porque em tempos idos, quando ainda caíamos no erro de a baixar para deixar alguém entrar,  as histórias não tiveram um final assim tão feliz.

Passando pelo fosso e começando a árdua escalada, há sempre o perigo de cair no meio dos crocodilos e ser devorado. Não nos esqueçamos das torres e das ameias que erguemos para nos defendermos. E o facto de estarmos sempre de vigia. Sempre atentos. E quando nos aparece alguém, mesmo que durante a escalada nos grite venho em paz! , duvidamos sempre. Será que ouvi o que me pareceu ouvir? E por entre as setas que já começamos a disparar, lá nos atrevemos a indagar: diga lá, não percebi o que disse! Mas já não obtemos resposta. 

Numa era em que já não há contos de fadas, mesmo havendo alguém disposto a tentar tal feito, duvidamos. Duvidamos de nós. Duvidamos de quem procura entrar. Sabemos que podem perceber de paredes; sabemos que desconhecem a extensão da nossa fortificação; sabemos que  só o tempo lhes poderia mostrar mais. Sabemos que só tentando, persistindo e voltando de novo à carga é que poderiam suceder.

Para isso teriam que montar acampamento; para estudar o terreno, elaborar possíveis planos de ataque, construir mecanismos de cerco. Duvidamos que tenham a paciência necessária. Duvidamos que tenham a resiliência para conseguir terminar a escalada. Duvidamos. Duvidamos sempre e cuspimos fogo.

 

 

 

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