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Blue 258

Blue 258

"Um abraço daqueles"

07
Nov13

Há pessoas que falam a nossa linguagem. Que nos entendem. Que são como nós e pertencem a uma categoria diferente na qual não se encaixa qualquer um. Pessoas que percebem aquilo de que falamos sem termos de o explicar; para quê explicar se elas sabem do que falamos, conhecem o que escrevemos e lêem o que sentimos. Principalmente quando falamos de abraços. E aí, até nos completam as frases, escrevem o que tão bem (e também) sentimos e o publicam nos seus blogues.


um abraço. daqueles que nos esperam e que nos recebem quando chegamos a casa. daqueles que nos fazem deixar o mundo inteiro lá fora assim que entramos em casa, assim que entramos no abraço. daqueles que nos fazem esquecer tudo o que ficou lá fora. daqueles que fazem desaparecer os cansaços, as dores, os medos. daqueles que calam e acalmam tudo. daqueles que nos sossegam o coração. daqueles que nos abraçam para sempre. daqueles que (nos) fazem existir só dentro. só por dentro. deste abraço tão... abraço.


Daniela Barreira

What in this world keeps us from falling apart

12
Dez10

E a tarde acorda em mim a necessidade de me sentir inteira. Completa. De sentir o meu mundo encerrado num abraço. Naquele abraço. No teu.

 

*

 

I had to escape, the city was sticky and cruel
Maybe i should have called you first
But i was dying to get to you
I was dreaming while i drove
The long straight road ahead
Could taste your sweet kisses
Your arms opened wide
This fever for you is just burning me up inside

I drove all night to get to you, is that alright?
I drove all night, crept in your room
Woke you from your sleep, to make love to you
Is that alright? I drove all night

 

 

 

 

P.S. Ó gente, não resulta sentirmos as coisas e calarmo-nos. Não resulta. Silenciarmos o que amamos, o que odiamos, o que sentimos. Não resulta. Parece tão simples como carregar no mute. Mas esquecemos que nos calamos a nós próprios. E isso nunca é bom. Não pode ser bom.

 

 

 

 

* Não conhecia esta versão. Só tenho de agradecer ao David Fonseca pelo seu bom gosto tremendo.

 

# 51 Soulless or soulful

25
Out10

Trocamos o sofá pela cama. A luz das estrelas incide na clarabóia, projectando sombras aqui e ali, no quarto, nos lençóis, no meu corpo e no teu. O mar retumba no silêncio da noite. Ruge, querendo acordar a vida que há nos corpos extenuados. Nas almas exultadas.

 

Wake up
Look me in the eyes again
I need to feel your hand upon my face

 

Acordo e vejo-te dormir nos meus braços. Acaricio o contorno do teu rosto. A barba, aquela barba... Sorrio. Deslizo os dedos pelos teus lábios. Desenho carícias com a ponta dos dedos... na tua pele. Aproximo o rosto do teu: o teu perfume, o teu cheiro. O calor que emana do teu corpo. Beijo suavemente cada pálpebra adormecida. E deposito um beijo leve e doce nos teus lábios. Sorrio, e abraço-te forte. Acordo-te com um sorriso nos lábios e um sentimento que parece pulular em cada célula do meu corpo.

 

I think I might've inhaled you
I could feel you behind my eyes
You've gotten into my bloodstream
I could feel you floating in me

 

 

Pesa sobre mim o ritual do qual já te tornaste indissociável. Sucedem-se as imagens que conheço tão bem, repetidas vezes sem conta. O meu rosto no teu peito, naquele sítio, naquele. O teu cheiro, o teu perfume. A minha respiração que teima em te beijar o ombro, o pescoço. O meu olhar que segue os contornos do teu queixo, foge da tua boca, e vagarosamente, demoradamente, desenha a tua pele morena, só para depois desaguar no teu. A minha boca que se detém no teu beijo. Sorrio. A tua mão segura-me o rosto e os teus dedos acariciam os meus lábios. E esse sorriso malandro, esse, esse mesmo, esse sorriso maravilhoso, deliciado com a entrega desmesurada que sabes que é a minha. Gestos, rituais, tão próprios, tão teus, tão meus, tão... nossos.

Não falas. Sabes que comigo não é preciso falar. Sabes o que valem os silêncios comigo. Tanto, tanto... Ao veres o meu olhar embevecido - de que outra forma posso eu olhar para ti? - o teu abre-se num abraço, e sinto os teus braços rodearem-me e cingirem-me o corpo. E apertas-me, abarcas todo o meu ser nesse abraço. E eu estremeço, estremeço como se fosse de medo, mas não é de medo, é a certeza de todos os medos que me abandonam. Nos teus braços sinto-me segura. É o que me parece dizer-te a minha pele. Nos teus braços sinto-me segura.

Um abraço desenfreia o sangue adormecido, que aos poucos volta a circular frenético, quente, no meu corpo. Esse abraço não se move apenas pelo contacto da pele, pelo toque dos corpos, não. Esse abraço potencia o movimento do sangue no corpo, fazes do meu corpo o mar, do meu sangue, a força das marés. Tu... e esse abraço que é o teu.

 

 

 

...

15
Out10

«Hoje não precisas dizer nada. Não precisas fazer nada. Olha só para mim bem fundo e abraça-me. Aconchega-me toda em ti, no teu abraço. Toda em ti. No teu abrigo. A ouvir o teu coração bater. Escuta o meu. Fecha os olhos e escuta. E sente(-me). Como se tanto eu como tu tivéssemos nascido para este momento imortal. Quem sabe. Quem sabe

 

 

Daniela, no abraça-me bem

 

 

 

P.S. Palavra por palavra. Podiam ser minhas. Minhas. Tão minhas.

 

...

04
Out10

«Meu amor, não quero mais palavras rasgadas. Nem o tempo cheio de pedaços de nada. Não me dês sentidos para chegar ao fim. Meu amor, só quero ser feliz. Meu amor, não quero mais razões para apagar o que nasce e renasce e nos faz acordar. A loucura faz medo se for medo o teu chão, mas é ar e é terra dentro do coração. É ar e é terra dentro do coração. Meu amor, não quero mais silêncio escondido. Nem a dor do que cai em cada gesto ferido. Quero janelas abertas e o sol a entrar. Quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. Eu quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. E hoje vê, a estrada é feita para seguir. E hoje sente, a vida é feita de sentir. E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor. Deste lado é mais puro, é teu, é tão maior. Deste lado é mais puro, é meu, é tão maior.»

 

(Mafalda Veiga, Estrada)

 

 


Roubado do Abraça-me bem.  E ironia do destino: abraça-me bem.


...

23
Set10

Este frio, esta chuva, trazem-me à memória momentos de extrema doçura. Será talvez por isso que sorrio. Apesar do frio, o meu corpo exala um calor intenso. Imagino que produzido pelo coração. É ele o detentor de todas as marcas de doçura. Palavras, carinhos, abraços, beijos. Entrega. Comunhão de almas. E o coração, que de parvo não tem nada, encerra em si o mel, preservando-o. Guardando-o como um tesouro. Guarda-te a  ti. Bem cá dentro do meu peito.

 

 

 

 

P.S. E hoje vou dormir com um sorriso nos lábios. Vou. Vou adormecer a pensar em ti. Vou. Embalada por uma banda sonora que é especial. É. Ainda é. E sempre será. É esse o poder de uma banda sonora. É esse o poder dos momentos mágicos gravados no tempo.

 

E abraçar-te agora?

18
Set10

Isso é que era. Apertar o teu corpo contra o meu. Sentir o coração a bater descompassado no peito. No meu e no teu. Pousar a cabeça naquele sítio. Naquele. Aquele que é meu e só meu. Aquele que parecia estar à minha espera. E terminar a tarde nos teus braços.  Esperar pelo pôr-do-sol, perdida nos teus beijos. Sentir a noite salgada abater-se sobre a areia. Deliciar-me com o teu sorriso. Abraçar-te ainda mais forte, movida pelo frio que se começa a fazer sentir.  Abraçar-te na procura do teu calor. Afundar-me na tua ternura, na tua serenidade. Nesta noite, céu estrelado - se bem que nada é mais envolvente do que o brilho do teu olhar - o mais belo dos últimos tempos.

 

Can you feel it?

12
Set10

Fecho os olhos. Sinto o gosto da tua boca na minha. Sinto o cheiro da tua pele na minha.  Fecho os olhos. Sinto o teu abraço. Os teus braços fortes que envolvem o meu mundo. O teu abraço do tamanho do mundo. Fecho os olhos. Vejo as tuas mãos que envolvem e fortalecem as minhas. Os teus dedos entrelaçados nos meus. Sinto-te. Aqui. Agora.

 

Close your eyes. Do you still feel me?

 

...

02
Set10

Abraça-me bem. Aconchega-me a ti, encosta o meu peito ao teu. Juntos, num bater de coração. Abraça-me. Prende-me. De maneira a que não possa mais ir embora. Daqueles. Que me tira os pés do chão mas não me deixa cair. O mais seguro. O mais... Aquele. Forte. Apertado. Cheio. Que me aconchega. Que me protege. Que me abriga. Que manda os medos embora, todos.

 

 

Daniela, no abraça-me bem

 

 

E o que dizer quando as palavras dos outros parecem revelar tudo? É como se pintassem aquilo que o nosso coração deseja. Mesmo que em silêncio.