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Blue 258

Blue 258

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08
Jan11

Há pessoas que entram na nossa vida como se entrassem em nossa casa. Abrem a porta e entram. Sem cerimónias, sem pretensões.

Vão à cozinha, abrem os armários, pegam na loiça,  e servem-se. Bebem, comem, dançam e cantam até o dia raiar. Fica  depois a loiça por lavar,  a ordem das nossas coisas alterada, e até os móveis fora do lugar.

E, nós, ficamos ali, no meio da sala, a contemplar o rasto de confusão que lhes sucede, enquanto que vemos essa pessoa sair. E ficamos ali, parados, quietos, sem dizer uma palavra, quando o que devíamos fazer era sair porta fora e correr atrás dela.

 

 

Feliz Ano Novo!

31
Dez10

 

 

«It took me nearly a year to get here. It wasn't so hard to cross that street after all, it all depends on who's waiting for you on the other side.»

Elizabeth, in My Blueberry Nights

 

 

 

 

Once I wanted to be the greatest
No wind or waterfall could stop me
And then came the rush of the flood
The stars at night turned you to dust

 

 

Fazendo agora uma retrospectiva do ano que passou, uma retrospectiva daquelas tão típicas de fim de ano, daquelas que parecem impor-se sorrateiramente, sorrio. Sorrio. O caminho que percorri. O que eu mudei, o que eu optei por mudar, o que eu consegui até agora, e tudo aquilo  que me proponho ainda alcançar. Se custa? Custa, e muito. Se se desanima? Também. Mas vale a pena. Isso, sem dúvida nenhuma.

E vale a pena mesmo sem termos quem nos espere do outro lado. Vale a pena a coragem, a força, a determinação para cruzar outros caminhos. Para voar. E mesmo sem termos quem nos espere, há sempre quem espere por nós, mesmo sem saber que nos espera. E nós, nós, mesmo sem saber, esperamos por eles também. E pode ser que nos encontremos, mais cedo ou mais tarde, numa dessas encruzilhadas que a vida nos apresenta.

 

Esperamos uma vida por alguém que faça a diferença. Que acrescente. Que nos acrescente. Que nos faça ver a força que temos dentro de nós. Que nos leve a voar de novo. E isso, isso, não tem preço. E quanto a ti, a ti, só posso dizer que um ano passou e continuo a ter-te na minha vida. E como foste, és, importante.

 

A todos os que me acompanham desde o ano passado: um bem-haja. Ergo o copo a vós, e brindo: foi bom ter-vos encontrado.  É bom ver-vos, ter-vos ainda na minha vida. Saber-vos à distancia de uma mensagem, de um email, de um telefonema, de um abraço.* Aos que se acabaram de juntar: um brinde a essa força maior que nos colocou na vida uns dos outros. Este ano, deixo-vos poucas palavras, mas compenso com algo ainda melhor: um abraço. Daqueles, que dizem tanto.

 

 

 

P.S. E será esta música a última do ano no blogue. E parece-me perfeita. Perfeita. Sinto que não poderia ser outra. Porque é isto que devemos desejar todos os dias. Porque é esta a força que nos deve fazer respirar todos os dias. Porque é o que eu espero de mim. Porque é o que eu que eu quero de vós.  O melhor que temos em nós. Feliz Ano Novo a todos.

 

 

* Palavras semi-roubadas.

Do que tiver de ser, será

14
Nov10

Eu nunca acreditei muito nisto. Ou melhor, nunca acreditei mesmo nada nisto. Sempre achei, e continuo a achar, que somos nós que trilhamos o nosso caminho, que somos nós os detentores do poder de decisão, das escolhas que fazemos para nós. O tempo, bem, o tempo, limita-se a marcar o compasso. Quando me diziam: aconteceu porque tinha de acontecer, retaliava ferozmente que não, não tinha nada de acontecer.

Revolta-me a ideia do destino estar escrito e de tudo se desenrolar de acordo como estava previsto. Seríamos marionetas nas mãos de um brincalhão qualquer. E a vida, um palco, onde nos decidem o que vestir, o que falar, o que sentir e os passos a dar.

Acredito que todos os dias se nos apresentam escolhas, e dependendo dessa escolha, enveredamos por determinado caminho. Todos temos o nosso tempo. Um tempo necessário para percebermos o que queremos, para nos rendermos às evidências, para reunirmos forças para lutar pelo que queremos. Há uma diferença entre aquilo que queremos e aquilo que precisamos, há. Mas a vida é feita de tentativas, aquele crash, burn, get up again. De aprendizagens. Não dizem que aprendemos até morrer?

Se nos arrependermos, ou concluirmos que não, não era aquilo que queríamos, temos todo o direito de voltar atrás. E enveredar por um novo caminho. Mas tudo depende de nós. Lá está, as escolhas que fazemos dependem de nós. Se é inevitável que determinado caminho nos leve ao nosso objectivo, ou não, isso é que já não depende de nós. Não depende só de nós. Mas as nossas escolhas, sim. E é a nossa vontade, provida de toda a nossa força que nos leva a tomar o caminho mais difícil, quando sentimos ser o certo. Apesar de todas as nossas (in)certezas.

 

Uma amiga minha, amiga de longa data, bem mais velha, lutadora, com experiência de vida, sempre me disse: o que tiver de ser, será. Já mo havia dito há mais de dez anos atrás, e recentemente, quis o destino que mo voltasse a repetir vezes sem conta. Tinha-me dito: deixa as coisas rolarem. O que tiver de ser, será. Aliviou-me da ansiedade que tinha tomado conta de mim, da necessidade urgente que eu sentia em pôr o preto no branco. Tirou-me literalmente um peso das costas. Da alma. Discorreram os dias, e a situação, sem eu o procurar, sem eu me desgastar inutilmente, proporcionou-se. E o que tinha de ser, foi.

Continuo a achar que é pelas nossas mãos que as coisas se fazem. Que são as nossas escolhas que determinam o passo seguinte a dar. O caminho a seguir. Mas a verdade é que há coisas que são inevitáveis. E a essas - o que tiver de ser, será - aplica-se sem sombra de dúvida.

 

 

 

Do sábado

14
Nov10

Consegui deitar-me uma hora mais cedo do que na semana passada. Lembrei-me de ter dito que ia trocar o pôr-do-sol pelo nascer. Sabia que às nove tinha de me levantar. Levantei-me às dez menos vinte. Dormi três horas e vinte minutos. Olheiras deliciosas: cada vez mais gosto de mim. À tarde, trocam-se de novo mensagens. Um devagarinho delicioso. Sem pretensões. Amiga liga para sair à noite: veste-te e vou-te buscar. Quanto tempo demoras? À noite chove e venta como se fosse o fim do mundo. Sair assim à rua? Claro.

Amiga está impossível, mostra-se cada vez mais impossível, e eu com cada vez menos paciência. Vamos buscar o amigo da amiga, agora, também meu. O mesmo bar do Halloween. Mas hoje mando eu: kalashinkov's. Amigo alinha deliciosamenrte.

A noite é passada entre muita gente, música alta, fumo, álcool, e sussurros. Dos sussurros falarei mais tarde.

 

 

 

 

Alors on sort pour oublier tous les problèmes. Alors on danse…
Et la tu t'dis que c'est fini car pire que ça ce serait la mort.
Qu'en tu crois enfin que tu t'en sors quand y en a plus et ben y en a encore! Ecstasy dis problème les problèmes ou bien la musique. Ça t'prends les trips ca te prends la tête et puis tu prie pour que ça s'arrête. Mais c'est ton corps c’est pas le ciel alors tu t’bouche plus les oreilles. Et là tu cries encore plus fort et ca persiste...
Alors on chante. Lalalalalala, Lalalalalala,
Alors on chante. Lalalalalala, Lalalalalala
Alors on chante . Et puis seulement quand c’est fini, alors on danse.
Alors on danse. Et ben y en a encore.

 

Dos silêncios

07
Out10

«Os silêncios. Todo o tempo é sempre pouco. Todos os momentos são possíveis de serem congelados e suspensos no tempo. E todos os sorrisos são diferentes. E todas as maneiras, todas as palavras, todos os sustos são puro fascínio. Só olhar. Só ficar. Só ver. Só sentir. E os silêncios não incomodam. Há muito que os silêncios criavam angústia e incerteza. E depois as mãos. E depois as palavras. O eco das palavras. O timbre das palavras. O isolamento de tudo em torno dessas palavras. A ausência das palavras.

Os silêncios já não me incomodam.

Quando a única certeza era a de que, mais do que grande parte da população conseguia, mais do que os infelizes que nunca tinham tido a oportunidade, mais do que ter a oportunidade, eu tinha tido tudo nas mãos, um dia. Tinha esperança num novo fôlego, mas tinha a certeza de que nada seria igual, e que haveria alguém que ainda não tinha feito a primeira viagem e no meio dos desígnios divinos e das oportunidades, eu poderia estar a roubar o bilhete da oportunidade a esse alguém. A hipótese era aceite e abafada pela certeza de que nada fora em vão.

Acordei, tinha o bilhete, a passagem nas mãos e corroía-me a alma. Não sei o caminho, não conheço a viagem, não quero saber a duração… pelos silêncios ou pela ausência deles.

Tive sorte. Voltei a acertar nos números.»

 

 

VI

 

 

 

P.S. E em silêncio estava eu. Quebro-o agora, como poderia não o quebrar? Porque não importa o número de seguidores de um blogue, o número de visitas ou de comentários - interessam sim, aqueles 4 ou 5 que valem por mil. E esses, esses, vão para além do blogue.

A emissão retoma-se aos poucos, com palavras dos outros, palavras, simples palavras, música, literatura e fotografia. Pelo menos até eu decidir quebrar o silêncio das minhas próprias palavras.

 

 

 

Das coisas mais lindas e verdadeiras que me disseram nos últimos tempos

31
Ago10

O teu porto de abrigo pode ser tanto. Não precisa ser aquele, aquele que querias que fosse mas não é.
O porto de abrigo é sempre... tanto. Quando tanto é tudo e ainda mais.
E podes encontrá-lo nas coisas mais pequeninas. Nos gestos mais simples. Que de pequeninos então não têm nada. Basta que te dêm o sorriso de volta, mesmo que por breves instantes. Que te segurem, mesmo que por breves instantes. Que te tirem do mundo real, mesmo que por breves instantes. Que te puxem quando o teu barco está prestes a naufragar. E há sempre algo que não deixa. Sempre.
Não te preocupes, mesmo que não o encontres, ele encontra-te a ti.
E se calhar já o encontraste e ainda não te apercebeste :) O abrigo nas pequenas grandes coisas, naqueles abraços :)

 

 

Daniela

 

 

E aqui se vê o bom da blogosfera. O bom que ainda há no mundo. Nas pessoas. Obrigada Daniela, do fundo do coração. Obrigada.

 

 

 

[E isto remete-me para um tempo, não muito distante, em que a tempestade me assombrava e eu me afastava dos portos de abrigo. Aqui.]

Eu não digo que quem tem amigos, tem tudo?

03
Ago10

Amigos loucos como eu, que nos ligam à meia-noite e dezoito, e nos perguntam: onde estás? Ao que respondemos: em casa! E nos dizem: estou a caminho. Amigos que nos tiram de casa, quando está tanto calor, e estamos aqui, prestes a ter uma síncope. Nunca me vesti tão depressa, nunca me maquilhei tão rápido e escrevi tão veloz. Quando o sangue nos corre frenético nas veias, e vamos mergulhar na noite para o tentar acalmar. E se vier de madrugada, então, a noite será boa, e o sangue correrá frenético. Amigos loucos como nós, que nos tiram de casa a esta hora, em que a noite ainda é uma criança e chama por nós. Não chama por ti?

 

 

*Post editado hoje, porque ontem, ontem, a noite chamava por mim, e os segundos merecem ser usurpados quando se trata de viver.