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Blue 258

Blue 258

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# 50 Arder... em fogo lento

03
Out10

O temporal ruge lá fora. Tal é o seu rugido, que o mar, escarpado, parece atacar inimigos invisíveis que se passeiam ao longo da costa. As folhas ainda verdes - poderosa resistência - são rasgadas pelo vento, sem piedade. As árvores balançam sob a batuta do vento, soltam raízes, apoiando-as desnudas na terra molhada.  Lá fora, toma lugar a batalha infernal dos elementos. Cá dentro, a madeira seca crepita na lareira. O teu corpo desnudo abraça o meu. Os corpos beijam-se continuamente no espaço exíguo do sofá. E nele passamos a noite. Nele começou o temporal que agora se arrasta lá fora.

 

 

 

 

 

 

 

#44 Pinto a tua pele (parece-me que precisa de bolinha vermelha - é do calor, eu não tenho culpa - está calor, não está?)

03
Ago10

No estúdio, as tintas cedem sob a loucura do calor. Loucura? Diria tortura. Sim, tortura. Também eu cedo como elas a esta tortura, a este calor. Nem o mar possante acalma o fogo que se faz sentir. A brisa passeia-se sómente pela casa, aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

 

 

Sede de luar

23
Jun10

A noite cai e doce se aduna o luar.

E eu ainda te bebo, beijo e  mordo. Bebo-te.

Uma sede que não tem fim, que se alimenta de si própria.

 

 

Sede de te beber, beijar a tua pele morena, inebriar-me no teu perfume.

Sede de me abandonar ao teu abraço e esquecer-me de mim.

Sede de momentos perdidos no tempo. Sem hora, sem lugar.

Sede de luar. E de pele. Da tua. Sede de ti.

 

 

...

08
Abr10

Mordia-te agora o lóbulo da orelha, no escuro, sem que ninguém visse, sem que ninguém desse por ela. Sem encostar o meu corpo ao teu. Assim, ao de leve. Mordia-te... e afastava-me.

Voltava a aproximar-me de ti... e afagava o teu pescoço apenas com a respiração.

Afastava-me de novo, mordendo os lábios. Assim, como os mordo agora...

Ao voltar a aproximar-me, ofuscava-te com o brilho dos meus olhos, e encurralava-te num canto.

No escuro, sem ver, as minhas mãos percorriam o teu corpo, ávidas de desejo.

Enlaçava-te. Prendia-te num abraço que diz tanto. Deixava que os nossos corpos, colados, lessem o desejo à flor da pele. Deixava que falassem... um com o outro... a comunicação ao mais alto nível.

Deixava que o meu corpo transmitisse ao teu, o desejo... este desejo...

Acariciava o teu rosto com o meu. Deixava que a tua boca, sentisse a minha, assim, tão perto. Provocava-te. Deixava-te sentir o calor da minha boca, os meus lábios quentes na tua pele.

Desabotoava a tua camisa, e beijava-te os ombros. Deslizava os meus lábios nos teus. Mordia-os de novo. Os meus. Depois os teus. Encostava-te à parede.

E aí sim... lançava a minha boca na tua, e o meu corpo contra o teu.

Aí sim, o meu corpo mostrava a sofreguidão com que espera pelo teu.

E perdia-me. Sim, perdia-me. Mordia-te. Beijava-te. Mordia-te.

 

Pudesses tu imaginar... o que te fazia agora.

 

#4 Leituras...

20
Out09

 

Por entre sorrisos provocadores... perdidos no brilho dos olhos um do outro, já os livros se encontram no chão.

Deixámos essa leitura... para passar... a outra. Procuro ler o que me dizem os teus olhos. Tu, procuras ler os meus. Perdes-te nos meus lábios. Perdes-te tão facilmente... como te perdes.

Pensas em formas de me beijar. Cada pormenor. Pensas em formas de me provocar. E rapidamente te esqueces, pois perdes-te nas minhas provocações... Como te olho. Como mostro que te desejo com o olhar. Como sabes que te quero. Como sentes querer-me.

Mordo os lábios - dás um salto. Um calor imenso toma conta de ti. Já sabes, já sabes...

 

O sol espreitou entretanto. Estávamos distraídos. Não reparámos. Não vimos. Sentimos. Apenas isso.

Agora, chove novamente, o dia carrega-se de cinzento outra vez.

Olho a chuva pela vidraça. Penso em fechar as cortinas. Penso em dizer-to.

 

Eu, ainda com o olhar perdido lá fora, e o teu, já de novo, fixo em mim...

Colocas a mão sobre a minha face... e mostras-me o teu rosto. Vejo-o quente. De cor rubi como o vinho do almoço. Os teus olhos perguntam-se por onde andarão os meus pensamentos. Não procuram resposta. Apenas exigem atenção.

Sorrio... tinha-me perdido. Perdido de onde estava.

Perdido... do que estava a fazer.

Mergulho nos teus lábios... e volto a perder-me.