Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

#23 Linhas

 

As gotas de chuva estremecem no vidro da clarabóia. Parecem brotar dos céus como que afastadas de um rio doce e etéreo. Perderam-se do seu curso natural... e beijam agora tudo em que tocam.. Beijam o mar salgado, a areia molhada, o vidro  aparentemente frio, a pedra viva, a madeira quente.

Abro os olhos. Vejo os teus. Castanhos. Brilhantes. Como brilham os teus olhos! Os teus lábios nos meus. A tua língua já balança com a minha. A minha boca, tem o teu sabor... o nosso sabor. Sinto  o teu perfume, o cheiro da tua pele, o teu cheiro no meu corpo - indícios da noite mais doce perdida no meio do temporal. Recordo o meu corpo colado ao teu... recordo saborear a tua pele - como adoro o sabor  da tua pele! -  beijar-te o pescoço, os ombros... perder-me na tua boca... no teu beijo! Não sei se me completas... não sei se me fazes esquecer de mim... ou se, simplesmente, me trazes à superfície. E isso importa?

Envolve-me no teu abraço... faz-me perder no teu beijo... no nosso beijo. Faz-me esquecer o mundo lá fora... envolve-me novamente na doce loucura a que nos entregamos.  Reaviva as marcas desta loucura no meu corpo. Relembra as linhas do meu rosto... desenha os meus lábios... com a ponta dos teus dedos. Dedilha o meu corpo... fazendo ressoar novamente a música... o mel.

 


publicado por blue258 às 10:28
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Sábado, 28 de Novembro de 2009

#18 Encontros

 

Bilhetes. Espectáculo. Música ao vivo. Surpresa.

Espero-te na entrada. Veste-te... linda, como sempre.

 

Visto a saia preta. Blusa... de seda índigo.  Sóbria. Serena. Sapato de tacão alto. Trench coat negro como a noite. Cabelo solto.

 

Uma multidão parece assomar aos meus olhos. E eis que os meus olhos se centram em ti. Alto, moreno... que perdição de homem, penso eu. Os ombros largos envergam o casaco sóbrio, delineando o porte altivo que te define. Homem seguro de si. Detentor do abraço mais forte, mais envolvente... mais inolvidável.

Ofusco-me no brilho dos teus olhos. Meu Deus, sempre brilharam assim?   Prendo-me nesse teu sorriso delicioso de menino. Sorrio também... e é o teu sorriso que conduz os meus passos.

Envolves-me no calor do teu abraço. Acaricias o meu rosto com o teu. E eu, deixo que me envolvas...  e procuro o calor do teu corpo. Refugio-me do frio no interior do teu casaco. Encosto o meu corpo ao teu.  E o calor do teu... revela o frio no meu. Aquela pele fina e sensível, cede, como cede... e mostra a revolta ao frio. Abraçados desta forma, penso  em como me fazes gostar deste tempo...

As portas abrem-se. A multidão, querendo entrar, pressiona-nos ainda mais, um contra o outro. Sinto o calor da tua pele. Sinto o frio do meu corpo que se insinua perante o teu. Mostro-te o sorriso mais doce... ao dizer-te: 

 

 É do frio... não penses noutra coisa.

 

Respondes-me com uma gargalhada doce, jovial... parece divertir-te a minha sinceridade. À medida que a multidão se esforça por entrar, empurram-nos ainda mais... um contra o outro. Cedemos ao beijo mais doce e apaixonado de todos os tempos. Nada mais existe. Nada. Tudo o mais desaparece. A multidão. A cidade. Só nós dois parecemos existir sob o céu estrelado. Até o frio evapora sob o calor que agora nos envolve. Com o meu corpo firmemente pressionado contra o teu, sinto esse mesmo calor que se apodera de ti. Munida de um sorriso repleto de malícia, digo...

 

 Isto... é que já não é do frio...

 

De sorriso rasgado, enlevado pela menina que sabes que não sou... abraças-me ainda mais... e beijas-me... e perdemo-nos nesse beijo intemporal.

 

Lá dentro. Sentados. Em silêncio. No entanto, falando constantemente... incessantemente. Seguras a minha mão esquecida na tua perna. E assim ficamos. E antevejo que em momentos, o teu braço me envolva, e me segure junto de ti. E assim ficamos... até que termine o espectáculo.

 

Caminhamos em direcção à praia. Vamos passear, dizes tu. Está uma noite... perfeita. Expões-me ao frio. Sei o que procuras. Sei o que queres.

Deixas que o vento embata no meu rosto... esperas as faces rosadas pelo frio,  os lábios que escurecem naturalmente. Procuras que a pele fina e sensível do peito ceda aos avanços do frio. E aí, aí, envolves-me, proteges-me no calor do teu corpo. Acalmas o frio com a doçura do teu beijo. Delicias-te com os meus lábios frios... Até os envolveres completamente no calor da tua boca.

Vamos para o carro, digo-te eu agora. Presenteias-me com  esse sorriso de menino, esse olhar apaixonado... que me entontece. Onde estiveste tu?

Vamos para o carro. Não temos tempo... vontade... de chegar a casa. Aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

 

Slow Dancing In A Burning Room (Acoustic) by John Mayer on Grooveshark
música: Slow dancing in a burning room - John Mayer

publicado por blue258 às 18:22
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