Sábado, 24 de Abril de 2010

#35 Sede de querer

 

 

Deitados num leito de mel, envoltos num manto branco de plumas: o mundo parece resumir-se a esta cama de  madeira maciça, de linhas direitas e imponentes.  A este quarto dominado pelos tons terra e da natureza: o castanho da madeira, o verde das flores frescas. Ao mel que nos une, à reflexão da luz no vidro, à sua refracção na água. Ao vento que embala os tecidos que vestem o quarto. Aos corpos despidos.  À pele nua.  A ti. A mim. A nós.

 

Air stands still
And I can't move
Time has stopped
At one look through
Colours fade the walls out loud

 

O teu braço esquerdo que me abraça, que me cerra contra ti. Eu, encaixada, e virada para ti. A cabeça pousada no teu braço, as minhas pernas entrelaçadas nas tuas. Beijo-te a parte interna do ombro. Cada saliência, cada depressão. Beijo com os lábios, com a respiração quente e doce. Numa trajectória descendente,  percorro vagarosamente cada espaço entre as tuas costelas, até à anca. Beijo, envolvo a pele com os lábios, brinco com a língua. E assim me deixo estar, até que um de nós adormeça.

 

Something inside me says
I am still waiting for the hurricane
And where is the missing piece?
You.. you have taken it
And a part of me

 

Dormes. Encosto a respiração à tua pele. Acaricio ao de leve os teus lábios.  O teu rosto. Vagueio pelo pescoço, pelos ombros... sigo a linha das tuas costas... com a  língua. Serpenteio, beijo-te a pele, cubro-a de pequenos e leve beijos. Assimilo o teu perfume. O teu cheiro. O aroma do tabaco na pele. Tudo, em ti, é delicioso... tudo.

 

Downstairs scares me
Outside sounds like ghosts are
quietly playing vibes
Days in shape of hide me, please

 

 

Faço-te arrepiar... Acordo-te. Em resposta, esse olhar profundo que lanças em busca do meu. Como brilham esses olhos castanhos... como brilham!  O teu sorriso malandro, que reconhece a minha provocação. A tua pele nua, que apenas quer respirar a minha. O teu corpo, que já pede  o meu. O teu cheiro, que apenas se quer entranhar no meu... como eu me entranho no teu.

Lanças os lençóis ao ar, e num rompante, o teu corpo na procura do meu,  a tua boca na minha e nós enlaçados num abraço cheio de querer. Querer... oh querer! Este querer que nos arrasa a pele, este querer que nos reduz à avidez com que as nossas bocas matam a sede. Este querer que se reduz a esta sede. Uma sede de querer. De te querer... a ti.

 


Home has the echo as a friend
So I leave the bed unmade
All day


música: Air stands still - Pati Yang

publicado por blue258 às 17:07
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