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Blue 258

Blue 258

Quando descobres

02
Jan17

Que o Grooveshark foi à vida.

Polar Bear Facepalm.jpg

 

E com ele, a tua conta e todos os players que tinhas na tag Aquela casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto. Isto tudo só porque ontem te lembraste de ir espreitar. Quando viste o trabalho que ia dar rectificar cada música, adiaste mentalmente para uma altura mais oportuna.

Depois pensas mais um bocadinho, mesmo que a muito custo (isto hoje), e oh wait, obviamente perdeste TODOS os players do Grooveshark no blogue.

#54 And we sail away

21
Out13

 

 

 

Tu e eu num abraço do tamanho do mundo. O teu. A minha cabeça apoiada no teu peito. Olhos semi-cerrados, como num sonho, a dormir. Mãos que acariciam... a tua pele. Pele, pele, pele. Sempre pele. Apenas pele. Pareces ser pele, pele onde mergulho, onde me delicio, onde me resguardo. Os teus braços seguram os meus, as tuas mãos deslizam: sobem e descem parecendo querer gravar na memória o contorno dos meus braços. Os teus olhos, sempre abertos, desatentos a tudo o resto. 

 

 

 

And then, you whispered these words:

 

Blue, songs are like tattoos
You know I've been to sea before
Crown and anchor me
Or let me sail away

 

 

 

 

Porque há palavras que são tatuagens indeléveis gravadas na pele com tinta invisivel. Porque há momentos que mapeados desenham constelações estreladas. Porque nunca foi preciso dizer adeus. O adeus não se diz, não se escreve, não é para nós. Não chegamos ao fim. Seguimos no caminho que os nossos passos escrevem a cada dia. 

 


You kissed me, held me tight and with our eyes closed you finally said:


Everybody's saying that hell's the hippest way to go
Well I don't think so
But I'm gonna take a look around it though
Blue, I love you

Blue, here is a shell for you
Inside you'll hear a sigh
A foggy lullaby
There is your song from me...

 

 

 

#53 ...

16
Out13

 

 

A casa.  Prática e funcional. Sólida. Elegante e despretensiosa. Um espaço encerrado nas memórias agora habitado pelo som do mar que invade a sala, o vento que percorre as traves de madeira, a luz que ainda ousa reluzir os tons vibrantes e a música que ecoa em cada pedra.  

 

Uma casa, uma história de peles. Escrita na pele pela sede, uma sede que  nunca se saciou, que se sacia a cada dia, que sorve o amanhã.

Uma história de reticencias, faladas, escritas, sentidas, nunca explicadas. Porque há coisas que simplesmente não se explicam.

 

Long days, short nights. Heart rate, sky high. Time flies. Come to me, you know what to do. You say the things that i wanted to hear. But i'm not sure if you are what i need...

Long days, short nights. Heart rate, sky high. Time flies. Can you hear that sound... It's the sound of my heart and it's beating just for you.                                    Hope you feel it too.

 

Uma casa agora vazia. Faltas tu, falto eu. Falta a minha pele na tua. Peles que se tocam, que se falam, que se adivinham a cada gesto. Agora resta o vazio.  A espera. O relógio conta os segundos. Os minutos. E a cada hora os dias tornam-se mais longos. O coração bate compassado com a cadência do mar e é dessa forma (apenas dessa forma) que ainda (sobre)vive. Porque o mar não morre. O mar não morre nunca!

Uma casa visitada por almas errantes que apenas saciam a sede, a sua própria sede, uma sede que se agarra às memórias como os moluscos se agarram às rochas negras. Que se entranha na pele. 

 

Aquela casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto... 

 

 

#52 Diz-me que me amas

20
Jan11

 

Diz-me que me amas, em sussuro, ao ouvido. Olha-me nos olhos e sorri, com esse sorriso que me encanta... que me estilhaça a alma! Exala as palavras mais uma vez no meu pescoço. Escreve-as novamente nos meus ombros. Marca-as na minha pele. Tatua o meu corpo com o teu amor.

 

Envolve a minha pele na tua, enquanto que os lençóis voam ao sabor da paixão. Perde-me nos teus braços. Solta-me. Liberta-me. Enleva-me. Abraça-me: é nos teus braços que me quero encontrar de novo ao regressar. Ao voltar... e de cada vez que volto... a ti.

 

Deixa que a luz do sol me desperte. Não, não corras as cortinas. Não saias do meu lado, nem por instantes, não, não descoles o teu corpo do meu. Agora sou eu que te abraço. Que te envolvo. Que marco o teu corpo com amor. Deixa que a manhã nos encontre assim, por entre o tumulto dos lençóis.

 

O meu corpo, em cima do teu, segue a cadência do mar... aquela cadência que tantas vezes se impôs aos nossos corpos. A maresia desperta-nos os sentidos, e, não tarda nada, o mar revoltar-se-á por não acompanhar a cadência que descrevemos. As ondas quebram nos rochedos negros, e jazem depois, extenuadas, no areal molhado, na praia que espera por elas. Naquela praia. Naquele lugar. Junto à casa na praia, aquela, sem vizinhos por perto.  

 

 

E agora sou eu que te digo: meu amor, mais uma  vez... mais uma vez.

 

 

 

mas eu descobri a casa onde posso adormecer
eu já desvendei o mundo e o tempo de perder
aqui tudo é mais forte e há mais cores no céu maior
aqui tudo é tão novo e o que pode ser amor

e onde tudo morre tudo volta a nascer
em ti vejo o tempo que passou
vejo o sangue que correu
vejo a força que me deu quando tudo parou em ti
a tempestade que não há em ti
arrastando para o teu lugar e é em ti que vou ficar

já é dia e a luz está em tudo o que se vê
cá dentro não se ouve o que lá fora faz chover
na cidade que há em ti encontrei o meu lugar
e é em ti que vou ficar.

 

 

 

 

 

# 51 Soulless or soulful

25
Out10

Trocamos o sofá pela cama. A luz das estrelas incide na clarabóia, projectando sombras aqui e ali, no quarto, nos lençóis, no meu corpo e no teu. O mar retumba no silêncio da noite. Ruge, querendo acordar a vida que há nos corpos extenuados. Nas almas exultadas.

 

Wake up
Look me in the eyes again
I need to feel your hand upon my face

 

Acordo e vejo-te dormir nos meus braços. Acaricio o contorno do teu rosto. A barba, aquela barba... Sorrio. Deslizo os dedos pelos teus lábios. Desenho carícias com a ponta dos dedos... na tua pele. Aproximo o rosto do teu: o teu perfume, o teu cheiro. O calor que emana do teu corpo. Beijo suavemente cada pálpebra adormecida. E deposito um beijo leve e doce nos teus lábios. Sorrio, e abraço-te forte. Acordo-te com um sorriso nos lábios e um sentimento que parece pulular em cada célula do meu corpo.

 

I think I might've inhaled you
I could feel you behind my eyes
You've gotten into my bloodstream
I could feel you floating in me

 

 

Pesa sobre mim o ritual do qual já te tornaste indissociável. Sucedem-se as imagens que conheço tão bem, repetidas vezes sem conta. O meu rosto no teu peito, naquele sítio, naquele. O teu cheiro, o teu perfume. A minha respiração que teima em te beijar o ombro, o pescoço. O meu olhar que segue os contornos do teu queixo, foge da tua boca, e vagarosamente, demoradamente, desenha a tua pele morena, só para depois desaguar no teu. A minha boca que se detém no teu beijo. Sorrio. A tua mão segura-me o rosto e os teus dedos acariciam os meus lábios. E esse sorriso malandro, esse, esse mesmo, esse sorriso maravilhoso, deliciado com a entrega desmesurada que sabes que é a minha. Gestos, rituais, tão próprios, tão teus, tão meus, tão... nossos.

Não falas. Sabes que comigo não é preciso falar. Sabes o que valem os silêncios comigo. Tanto, tanto... Ao veres o meu olhar embevecido - de que outra forma posso eu olhar para ti? - o teu abre-se num abraço, e sinto os teus braços rodearem-me e cingirem-me o corpo. E apertas-me, abarcas todo o meu ser nesse abraço. E eu estremeço, estremeço como se fosse de medo, mas não é de medo, é a certeza de todos os medos que me abandonam. Nos teus braços sinto-me segura. É o que me parece dizer-te a minha pele. Nos teus braços sinto-me segura.

Um abraço desenfreia o sangue adormecido, que aos poucos volta a circular frenético, quente, no meu corpo. Esse abraço não se move apenas pelo contacto da pele, pelo toque dos corpos, não. Esse abraço potencia o movimento do sangue no corpo, fazes do meu corpo o mar, do meu sangue, a força das marés. Tu... e esse abraço que é o teu.

 

 

 

# 50 Arder... em fogo lento

03
Out10

O temporal ruge lá fora. Tal é o seu rugido, que o mar, escarpado, parece atacar inimigos invisíveis que se passeiam ao longo da costa. As folhas ainda verdes - poderosa resistência - são rasgadas pelo vento, sem piedade. As árvores balançam sob a batuta do vento, soltam raízes, apoiando-as desnudas na terra molhada.  Lá fora, toma lugar a batalha infernal dos elementos. Cá dentro, a madeira seca crepita na lareira. O teu corpo desnudo abraça o meu. Os corpos beijam-se continuamente no espaço exíguo do sofá. E nele passamos a noite. Nele começou o temporal que agora se arrasta lá fora.

 

 

 

 

 

 

 

# 49 O cheiro da chuva

03
Out10

O vento perde-se em brincadeiras: enleva docemente as primeiras folhas caídas do Outono. Enleva-nos a todos na doçura do frio, este frio que é bom, que nos abraça no calor do nosso corpo.

Já as nuvens se movimentam no céu ainda azul - a chuva não tardará muito - dirijo-me para casa, embalada pela frente fria. O meu olhar perde-se ao longo da costa, no areal branco, no mar em tons de azul, nas rochas negras. Ergo o olhar, perco-me na imensidão do horizonte, deslizo pelo céu polvilhado de nuvens. Envolvo-me nos meus braços. O frio. Este frio bom que pede aconchego, pede o calor do teu abraço.

Sinto as primeiras gotas de chuva acariciarem-me o rosto. Uma delas desliza pela pálpebra direita; resvala nas pestanas e pende, e ali permanece, presa num hiato de tempo, querendo lançar-se no rosto e ao mesmo tempo querendo ali permanecer. Outra gota beija-me os lábios: prendo-a, lambendo os lábios e retendo o seu sabor. Deslizo a língua pelos lábios. Penso no teu sabor. Mordo os lábios. Demorarás muito a chegar? A casa, aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

 

Down here the river, meets the sea
And in the sticky heat I can feel you open up to me
Love comes out of nowhere, baby, just like a hurricane
And it feels like rain and it feels like rain

Lying here underneath the stars right next to you
And I'm wondering who you are and how do you do? How do you do, baby?
Clouds roll in across the moon and the wind howl out your name
And it feels like rain and it feels like rain

 

Deixo a porta aberta para que os aromas de Outono se instalem, mesmo sem pedir licença. Sente-se a humidade no ambiente da sala. O cheiro da chuva que já cai lá fora. Aquela chuva boa, que cai como que sem querer. As cortinas corridas emolduram a vidraça  que espelha o extenso areal e o mar que o banha. Perco novamente o olhar no horizonte. Demorarás muito a chegar?

 

Oiço-te chegar. Estacionas o carro e já os teus passos se dirigem para a porta da frente. Aproveitas para entrar em casa, vendo o mar, absorvendo o cheiro a maresia, deixando que o salgado tempere a doçura do teu rosto. És como eu: amas este mar. Faz parte de ti, tal como de mim. Somos feitos do mesmo.

Saio para abraçar-te no alpendre. Recebes-me com um sorriso. Eu, com o coração. Ambos em silêncio; sabemos que chegaste a casa, e que agora sim, estou em casa. Eu sou tua e tu és meu. Passo as minhas mãos pelo teu rosto. Olho enlevada para o teu olhar profundo, para esse sorriso que me prende, passo a mão direita pelo teu cabelo, as pontas dos dedos brincam com as gotas de chuva. Seguras a minha mão esquerda com a tua, aproximas os lábios, e beijas-me a pele. O meu coração estremece. Eu sou tua e tu és meu.

A minha mão direita acaricia-te o rosto, os dedos tocam os teus lábios ao de leve. Deslizo pelo pescoço. Seguro-te pela nuca  e aproximo o meu corpo do teu. Absorvo o teu perfume, o teu cheiro, beijo-te com a respiração. Prendes-me junto a ti, envolves-me nesse teu abraço. Enlevas-me como faz o vento outonal. Sei amar-te. Rendo-me ao teu abraço. E rendida, beijo-te ao de leve nos lábios. Vejo nos teus olhos a cena que acabou de se passar, percebo como te deixaste estar, como compreendes este ritual que eu não consigo deixar de fazer. Vejo-te sereno, de sorriso nos lábios. És a minha fonte de serenidade. És. E eu sou tudo, nos teus braços. Pouso a cabeça no teu peito, naquele sítio, naquele. E é quando te digo, vamos, vamos para dentro.

 

Ao olhar-te de novo, embevecida, derretida, pegas-me ao colo e levas-me para a sala. Pousas-me delicadamente no sofá. Beijas-me na testa, nos olhos, no rosto, no queixo, no pescoço. Finalmente, sinto a tua boca na minha e já o meu corpo implode de desejo. Abraço-te ainda com mais força. Sinto o corpo a querer prender-te com todas as forças. A roupa voa pela sala, cai tranquilamente no chão, enquanto que a tempestade, essa, somos nós que a criamos. Os corpos movimentam-se sob a cadência do desejo. Oh desejo! A pele resvala entre o calor e o frio. O fogo implode agora violentamente na alma. O cheiro do meu corpo guarda o do teu e o cheiro da chuva. E eu beijo cada gota de chuva na tua pele. Os lábios conquistam, a língua apossa.

 

Tudo se resume a condensação. Tudo. Cada gota de suor no teu corpo. Cada gota que escorre pela vidraça. Cada gota de chuva que sulca a areia lá fora. Cada gota que se junta ao salgado do mar. Cada gota que sorvo, deliciada. Cada gota tua. Cada gota.

 

 

 

 

 

Participação de Outubro

 

 

# 47 Some kind of wonderful

22
Set10

[Post não recomendado para mentes tacanhas. Se o caso for esse, é favor não ler. Nem ver o vídeo, já agora. Be open-minded, please.]

 

 

 

 

Aproveitamos os dias solarengos que nos restam.  Os finais de tarde na praia. Os mergulhos no mar. O pôr-do-sol.  Os beijos entontecidos.  Os jantares no alpendre à luz de velas. A noite quente que ainda nos envolve quando as estrelas se deitam. Pool party: casa de  férias de um casal amigo. Amigos em comum, amigos novos. Caipirinhas e muito álcool. Piscina. Banhos nocturnos. Diversão pela noite dentro.

 

 

 

# 46 Silêncios

22
Set10

 

 

Lá fora a chuva cai sem vontade. O vento embate no mar. Sem vontade. A água decalca a areia ainda quente. Sem vontade. O dia amanhece sem querer. Dentro do quarto, deixamos cair a chuva lá  fora. Mergulhamos mais uma vez por entre os lençóis. Embatemos o desejo nos corpos. Sucumbimos. À nossa vontade.

A minha pele é o mapa da tua viagem. Guarda o perfume do teu corpo como um tesouro. Encerra beijos e segredos. Só meus. E teus.

Beija-me. Aqui. Beija-me outra vez. Aqui. O dedo indica onde se detêm os teus lábios. Aqui. Ali. Aqui e ali. Na minha pele. No meu corpo.

 

Tinha os pés entrelaçados nos teus. Chamei-te meu amor em surdina. Calei-me num sorriso. Disse que te amava num silêncio. E esse silêncio retumbou cá dentro como o mar em dias de tempestade. Sempre disseste que o meu  silêncio diz tanto. Tanto. E diz.  Desenha o meu mundo quando estou contigo. Quando me fazes inteira.

 

 

I'll stop the world and melt with you
You've seen the difference and it's getting better all the time
There's nothing you and I won't do
I'll stop the world and melt with you

 

 

Beijamos como quem faz amor, entretecemos bordados na pele, encetamos viagens sem destino. Tu e eu. Dentro de quatro paredes que deixam de existir no momento em que os nossos corpos se tocam.