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Blue 258

Blue 258

...

Do Halloween

03
Nov10

 

Este Halloween foi diferente do ano passado, isso foi. Sem dúvida. Gaja tinha planeado isto, ou aquilo em alternativa. Ou ainda aquilo, mas aquilo era mesma a terceira opção. Gaja está a caminho de casa e a pensar, estou toda bonita, toda gira, e já vou para casa? Gaja pensa em enviar mensagem a amiga a perguntar: onde estás? O que fazes? Pondera que é mais do que provável que amiga esteja em casa e pensa ligar-lhe e dizer-lhe: prepara-te para sair, passo aí para te ir buscar, quando amiga liga a gaja por volta da meia-noite e meia. Nina, onde estás? Estás sozinha? Oh, vamos sair. Vamos, oh vamos...

Fomos, claro. Caso contrário, não haveria nada para contar.

 

Entramos no bar, acompanhadas pelo amigo da amiga, a quem se juntam depois o primo nº2 e nº 3. Gaja, não é muito extrovertida, fala, mas pouco, e deixa-se estar na dela. Gaja observa local, analisa o ambiente, pede bebida, e volta analisar ambiente. Gaja não gosta da confiança do primo nº2 com a amiga. Gaja pensa: ok, se isto continua assim, é o tempo de tomar esta bebida e ala que se faz tarde.  Gaja prepara-se para dizer à amiga: bebemos e bazamos. Mas amiga põe primo nº2 no lugar, a coisa acalma e gaja diz para si mesma: ok, podemos ficar mais um bocadinho. Gaja volta a analisar ambiente. Salientam-se dwarf nº1, que saltita sem parar na pista de dança, e sem largar aquele sorriso, estúpido/parvo e dwarf nº2 , mais parado, mas de igual sorriso irritante.

 

Pensamento nº1 da noite: onde raios eu me vim meter!

 

Entretanto o ambiente anima, e animado está primo nº3. Grupo encaminha-se para a pista, e gaja deixa-se estar: wrong move. Really wrong move. Gaja é assediada pela direita. Depois, pela esquerda. Gaja pensa: porra que isto está bonito.

 

Pensamento nº 2 da noite: porra, já não me lembrava de me sentir um pedaço de carne em exposição.

 

Amigo da amiga diz à amiga para ir buscar gaja para junto deles no exacto momento em que dwarf nº2 lhe dizia: não te costumo ver por cá. Costumas aparecer por aqui? Gaja procura ser educada, a noite ainda está a começar, e responde secamente: não costumo vir cá. Gaja é salva pela amiga no momento certo. Amigo da amiga diz qualquer coisa como: estás melhor aqui. Gaja responde: realmente, ali não estava nada bem. Os homens não podem ver uma mulher sozinha. Amigo da amiga: nem todos os homens são assim. Vá, a maior parte deles são. Mas nem todos. Remata com um sorriso e recebe outro de volta.

 

Pensamento nº3 da noite: é por estas e por outras que eu nunca gostei de sair só com gajas. Valeu-me o amigo da amiga.


 

Pelos vistos, a animação de primo nº3 continua a aumentar. Gaja, não gosta, mas tenta levar a coisa na desportiva, é Halloween, é natural esta animação toda. Mas gaja não gosta de tanta animação fortuita, não. Gaja é obrigada a dizer um "menos" quando o que Gaja queria era assentar a mão na cara de primo nº3. Mas gaja controla-se. Não faças estrilho, pensa ela. Amigo da amiga apercebe-se da situação, e troca duas palavrinhas com primo nº3. Primo nº3 afasta-se, e parece acalmar.

Entetanto, resolve voltar à carga, e gaja começa-se a passar. Gaja procura controlar-se, o que é difícil. Amigo da amiga intervém. Primo nº 3 parece compreender e deixa gaja sossegada. Mas primo nº3 parece ser teimoso que nem uma mula, e volta a atacar. Amigo da amiga intervém prontamente e estabelece conversa mais demorada com primo nº3. Amigo da amiga parece sério. Primo nº 3 também fica sério. Primo nº3 dirige-se a gaja e diz: somos amigos, ok? Sem problemas. Gaja pensa: será que é desta? E responde: ok, mas menos, muito menos.

 

Pensamento nº4 da noite: irra, tá dificil de perceber a mensagem...

 

Gaja pede a segunda bebida, e começa a sentir-se mais à vontade (efeito da vodka red bull e da aparente calma da qual sente poder usufruir). Gaja procura não olhar muito em volta. Gaja vê dwarf nº1 a olhar fixamente para ela. Ignora, pensa ela. Pensava ela nisto quando dwarf nº2 lhe dirige novamente a palavra: não devias fumar tanto. Gaja não resiste a responder logo de tacada: vim aqui para ouvir música, beber e fumar. E só para isso. (ênfase nesta última parte)

 

Pensamento nº 5 da noite: só a mim, isto só a mim!

 

Dwarf nº 2 ergue a sobrancelha, e não se dando por vencido, contra-ataca: os teus pais não te deixam fumar, é? Gaja, mantendo uma cara séria como só ela o sabe fazer, responde: é. Gaja é salva novamente pela amiga e aproveita a deixa para se partir a rir. Amigo da amiga aproxima-se, e diz-lhe ao ouvido: parece que tens mel. Gaja sorri. Por fora e por dentro.

Gaja perde-se a pensar em outras coisas, em outros momentos, em outras pessoas. Gaja é desviada de tais pensamentos quando, fulano nº1 passa e diz a gaja: o meu amigo quer-te conhecer. Gaja catapulta automaticamente o pensamento para um WTF? I'm 16 again?? Gaja tenta aguentar mas parte-se a rir com a amiga. Gaja nem cai na asneira de olhar para trás e ver a figura de fulano nº2. Gaja sabe que caso o fizesse estaria muito certamente a encorajar fulano nº2 a dirigir-lhe a palavra. Amigo da amiga  olha para gaja e ri-se deliciosamente.

 

Pensamento nº6: ainda bem que o amigo da amiga é assim... porreiro.

 

Gaja pensa que afinal, a noite até está a ser engraçada. E pede o terceiro vodka redbull. Gaja começa a sentir o efeito do "dá-te asas". Gaja repreende-se por se ter esquecido de jantar. Mas gaja que é gaja, aguenta-se bem do alto dos seus saltos agulha. Mas gaja conhece-se bem. Gaja fala com amiga e combinam ir embora: vou só à casa de banho e vamos. Gaja entra na casa de banho mesmo a tempo. Dá-se a trasfega dos vodka red bull. Do copo para a boca e para o estômago. Do estômago para a boca e finalmente para... a sanita. Gaja tranca a porta, trasfega mais um bocado, baixa o tampo, senta-se e abre a torneira. Lava as mãos, a boca, o rosto. Fecha torneira e pensa: estou bonita, estou.

 

Pensamento nº7: lembrar-se de jantar e depois esquecer-se de o fazer, dá um resultado bonito!!!

 

Gaja volta a abrir a torneira - a água fresquinha sabe tão bem - e procura recompor-se. Gaja arranja-se e sai da casa da banho. Vê o amigo da amiga à espera. A amiga já tinha saído. Amigo da amiga levanta-se e gaja segue-o. Amigo da amiga abre a porta para gaja passar. Gaja pensa: foda-se*.

 

 

Pensamento nº8 da noite: foda-se, ainda há gajos em condições.

 

Gaja e amiga, despedem-se do amigo da amiga e dos primos. Gaja leva amiga a casa.

 

Pensamento nº9 da noite: ainda bem que moramos perto.

 

 

Gaja sente os pés moídos de tantas horas em cima dos saltos altos; gaja quer tirar os sapatos, mas está a conduzir. Gaja espera até entrar em casa, descalça-se, pega nos sapatos, no saco, e sobe. Chega ao quarto, despe-se, enfia-se na cama e pousa a cabeça na almofada. Gaja discorre em pensamentos sobre aquela noite - notas mentais - dignos de registo. Gaja adormece sem dar por ela.

 

Pensamento nº10 da noite: há noites dignas de registo.

 


* e este foda-se tem muito que se lhe diga, tem.

Girl talk

23
Out10

Pela quarta ou quinta vez consecutiva ao telefone, e mesmo depois de eu ter passado em casa dela ao final do dia, e de já se ter falado no assunto. Se eu não nos conhecesse tão bem...

 

— Que fazes? Estás aborrecida?

— Eu? Não, estou aqui a ouvir música (era John Mayer).

— Ah... pensei que fosses sair.

— Hum, não, por acaso não. Estou cansada. Também estou doente e assim... Mas não vou sair porque muito sinceramente não tenho disposição. Se a tivesse, pegava no carro e saía.

— É como eu. Também não vou sair, estou de todo com esta alergia, e também estou cansada...

— Então fazes bem em descansar. Vá, vai lá. Eu vou pôr a música mais alto e deixar-me estar por aqui...

— Está bem, falamos depois.

— Pronto, falamos depois.

— Beijinho.

— Beijinhos.

 

(nem dois minutos volvidos - que dois minutos, dois segundos, toca o telemóvel mais uma vez)

 

— Diz...

— Oh, vamos sair! Não podemos ficar em casa feitas velhas! E é sexta-feira à noite! Logo numa sexta-feira!

(eu a querer dizer logo que sim, mas a pensar vá-se lá saber em quê, e ela insiste)

— Vamos Raquelinha, vamos beber um copo, um, só um, e vimos cedo.

— Ok, vamos então. Mas não é para demorar muito.

 

E eu adoro estas alturas em que se diz: é só um copo, vimos cedo, não vamos demorar. Adoro. Porque geralmente, acaba por não ser um só copo, as horas parecem correr, nós parecemos não nos importar, e o cedo faz-se um não tão cedo assim, e o demorar pouco transforma-se naquele, ficava mais, a música está boa, mas já estou no ponto para me atirar para a cama e adormecer em menos de 30 segundos.

 

Era uma vez...

10
Fev10

... um belo fim-de-semana. Junta-se a malta - engraçado como depois de uns copos a malta começa a parecer porreira (mas já me estou a desviar do assunto) - e vai-se para os copos (é o que é, e não vale a pena pôr-me com eufemismos). Malta cheia de garra e de vida - e muita garganta  - mete-se nos shots.

Ora, eu, sou esquisita, e no que toca a shots, gosto de Kalashnikovs - absinto, vodka, limão e açúcar - mas, lastimavelmente, a coragem pareceu faltar aos demais, e ninguém acompanhou. Acompanhei eu na Tequilla - da qual posso afirmar não gostar mesmo nada - o sal, a tequilla, o limão (é mesmo o limão a minha parte preferida). Valente fim-de-semana. Cheguei a segunda-feira toda partida, só para que saibam.

Todavia, pareço ser daquele tipo de pessoa que consegue, deixar o bichinho a morder nos restantes. Daí ontem à noite, tudo ter alinhado no absinto - loucura  geral, óbvio. E para relembrar o  bom que foi, mais uns shots hoje depois de almoço. Só alguns.  Almoço que já tinha sido regado com vinho. De tarde, trabalhou-se que foi uma coisa louca. Podem imaginar.

 

Mas continuo a dizer que a culpa é da fada verde. Eu só ajudei à festa, pronto.