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Blue 258

Blue 258

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Quando as palavras da Daniela parecem ter sido escritas só para mim

05
Nov19

Para quem corres?

No final de tudo, para quem corres? Quando mais nada importa a não ser o que de verdade importa, para quem corres? Quando não te resta nada, quando precisas de um lugar seguro para cair, para quem corres? Quando tens tudo, quando precisas de mostrar o teu coração a transbordar, para quem corres? Para quem corres, mesmo que em segredo, mesmo que só no silêncio do teu coração?

Para quem corres?

Quando precisas de um abraço que te envolva e te esconda do mundo, para quem corres? Quando precisas de uma mão que te resgate e te agarre bem, para quem corres? Quando precisas de um olhar que te invada por dentro e te toque a alma, para quem corres? Quando precisas de um sorriso que te pare o mundo e te salve o dia, para quem corres? Quando precisas de um beijo que te arrepie e te cure as dores, para quem corres?

Para quem corres?

É que, por muitos caminhos que corras, no final de tudo, quando mais nada importa a não ser o que de verdade importa, tu só corres para o amor que te chega quando mais nada chega.

Daniela, a menina dos abraços

 

Dos roubos

10
Out10

 

Quando encontramos algo (palavras, fotografias, sentimentos ou momentos), que vai dentro da linha do que andamos a escrever, a pensar ou até a sentir (ou porque simplesmente nos diz tanto), roubamos.

Harold Ross

 

 

 

Não havia luz que te tornasse melhor

 

«Não havia luz que te tornasse melhor. Apagaram-se porque sopraste da frente os pedaços que te ligavam ao mundo. E correste. Correste pela encosta e não deixaste que te apanhasse. Ao invés, troçavas do cansaço dos dias e das horas em que sinto falta de ti.

O que te faz desligar e reinventar todas as vezes que deixamos a nossa casa e nos aventuramos nas vidas dos outros? Queres conquistas? Fazemo-las todos os dias, cada um com mais sorte que o outro. E crescem os dias. Levam-nos com eles as milagrosas manhãs de neblina em que abraçados vencemos o frio e acabámos deitados.

No cimo da encosta que subimos, cada um com sua vontade, escrevemos palavras de amor numa correria desenfreada.

Pelo caminho deixámos a vida que os outros querem para nós e que nos sugerem todos os dias. Mal sabíamos, que um dia, seria a nossa a que chegaria primeiro.»

 

 

Liliano Pucarinho, no night indigo

 

 

Corro, e tu corres comigo

24
Set10

Se cada detalhe fica imbuído na nossa constituição, no teu caso é por demais. A cada salto, a cada pedra, a cada árvore, vejo-te. Vejo-te. Procuro fechar os olhos e continuo a ver-te. É ainda pior, sinto-me perder o equilibrio e vejo a passada a diminuir. Correr, tenho de continuar a correr. Não posso parar. Não. Procuro centrar-me em mim. O nariz frio. Boca entreaberta. Caninos meio expostos. A pelagem molhada. As patas que sulcam a terra quente. A chuva que insiste em cair. E o sangue a ferver. O sangue ferve. E eu corro. Corro. Corro cada vez mais. E mais. Procuro chegar ao limite das minhas forças. Corro, querendo fugir. Falhando. Por me sentir correr para ti. Corro, e tu corres comigo.

 

É hora de ir caçar novamente

24
Set10

Chegamos a um impasse. Nesta encruzilhada, a chuva começa a cair sobre nós. O fumo desprende-se da terra quente como que sem vontade.  A puerilidade do acto de deixar-se ir. Etéreo.  Aprendi com o caminho percorrido até aqui. Aprendi. Assimilei cada detalhe do teu rosto, cada característica do teu corpo, cada sinuosidade do teu movimento.

A chuva cai sobre nós, as gotas deslizam pela pelagem, tombam na terra escura. Uivamos em uníssono.  Pareces despedir-te de mim, deixando-me um até já, nunca um adeus. Pode ser que nos voltemos a encontrar. No mesmo espaço, noutro tempo. Agora foi fora de tempo.  E eu uivo, querendo dizer-te que também vou partir, mergulhar na noite, correr por aí. Correr, pelo simples prazer de correr. Correr.

Lançamos de novo o uivo em direcção à lua cheia, que o rebate na solidão da noite. Quebramos barreiras. Um nervosismo parece tomar conta de mim: mantenho o olhar fixo na lua, enquanto que te avalio de perfil. Permaneces imóvel. E hoje, acima de tudo hoje, imponente.

Pareces esperar, pacientemente. Esperas que parta de mim a decisão. A decisão de partir. Encorajo-me e centro o meu olhar em ti. Deixa-me gravar-te na minha memória mais uma vez. Já fazes parte de mim. E quando me lançar nessa escuridão, levo-te comigo. Parte de ti vai comigo. E deixo-te parte de mim. Uma caçada mal sucedida somente aperfeiçoa as habilidades e reaviva o desejo. E eu lanço-me a correr. Não espero que partas tu primeiro, não conseguiria ver-te partir. Corro. Corro. Cada vez mais. Corro.

Caçadora incansável. Destemida, impetuosa. É hora de ir caçar novamente. Esta noite, corro por aí... perdida. Enquanto o meu uivo ressoa na escuridão desta noite fria.

 

Das dúvidas maiores que se levantam #1

15
Jun10

 

E agora, perguntam vocês, e muito bem: ó Blue, afinal, como é? Seguimos o coração, não seguimos, corremos, paramos, deixamo-nos amar... afinal, como é?

 

E a  Blue, responde: sigam o coração. Corram. Corram muito. Desatem a correr como se não houvesse amanhã. E continuem a correr. Quando repararem que correm como loucos, saltam muros, atravessam rios, continuem. Continuem. Estão no bom caminho. Se perderem um sapato ou uma sapatilha, durante a corrida, não se importem, lancem o outro pé ao ar, libertem-se por completo do calçado. Corram descalços. Sintam, a terra,  a erva, a água, a areia nos pés. Molhem a roupa, sujem-se de terra. Deixem que as roseiras vos cortem a pele.

Quando se lembrarem dos tempos de criança, em que tudo era um campo aberto, palco de aventuras, podem sentir-se felizes. Estão a fazer as coisas bem. Continuem a correr. Ou então, parem por um momento, deitem-se na relva, braços abertos e rosto virado ao sol. E aproveitem a sensação. É única.

 

 

 

And just remember, follow your heart. Always.