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Blue 258

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Sede de luar

23
Jun10

A noite cai e doce se aduna o luar.

E eu ainda te bebo, beijo e  mordo. Bebo-te.

Uma sede que não tem fim, que se alimenta de si própria.

 

 

Sede de te beber, beijar a tua pele morena, inebriar-me no teu perfume.

Sede de me abandonar ao teu abraço e esquecer-me de mim.

Sede de momentos perdidos no tempo. Sem hora, sem lugar.

Sede de luar. E de pele. Da tua. Sede de ti.

 

 

#29 Sob o luar

01
Fev10

 

Inertia Creeps by Massive Attack on Grooveshark

 

O areal espelha o luar.  No mar profundo e nos negros céus cintilam as estrelas. A coberto da noite, caminhas em direcção a mim. Ao ver-te, o meu corpo serpenteia instintivamente no leito de areia. Apoio os cotovelos. Depois as mãos. Ergo o olhar em direcção a ti. Não sei se é o meu olhar que hipnotiza, se os teus passos decididos sob as estrelas.  Quem  comandará esta noite?

Estendes as mãos. Pedem as minhas. Entrego-tas. Queres retirar-me do leito que será o nosso. Não o sabes. Adivinharás? Resisto e puxo o teu corpo para a areia. Os teus joelhos ainda mal tocaram o chão, e já eu colo o meu corpo ao teu. As minhas mãos deslizam fervorosamente pelos teus ombros, pelo teu pescoço, pelo teu rosto, enquanto as pernas te entrelaçam, prendendo-te, no aperto mais doce. Sentes o meu nariz frio que te provoca a pele. Inalo o teu cheiro como  se uma droga fosse. Parece anestesiar-me. Vagueio entre o ombro e o pescoço. Perdida num limbo. 

 

Colo os lábios à tua pele. Sinto a pele perder todos os limites. Beijo-te. Mordo-te. Acordo como se de um sonho se tratasse. Beijo-te com ainda mais desejo. Mordo-te com ainda mais tesão.  Lanço os meus lábios nos teus. A minha boca na tua. O meu beijo, no teu. Mordo-te os lábios. Porque me fizeste esperar? Sorris. Mordo-te novamente. Desta vez, deixo-te o lábio a sangrar.  Deliciado, com a minha impetuosidade, soltas uma gargalhada. Conheces-me tão bem. Lês-me... perfeitamente. E tu sabes disso. Ostentas  esse sorriso louco que me desarma. Esse sorriso matreiro, provocante e doce que me ocupa agora o pensamento. Esse mesmo. Beijo-te loucamente. Fervorosamente. Ávidamente. As minhas mãos  seguram a tua cabeça, os meus dedos perdem-se por entre os teus cabelos. Quero ter-te num só beijo. Neste beijo.  Quero ter-te.

Pelo pensamento cruzam todas as vontades que sinto num só momento, neste momento. Tudo o quanto te desejo fazer.  Mas a boca... a boca, essa não fala, beija. E como te beija. Quero-te. Quero-te. Como te quero.

Desaperto-te as calças, preciso de te ter. Preciso de te sentir. Quero refrear-me, saborear-te devagarinho, uma e outra vez, mas não consigo... demoraste tanto a chegar! Sorris, matreiro. Deliciado. Conheces-me bem. Balanço o meu corpo sobre o teu, e numa dança que ambos parecem conhecer perfeitamente, encaixam, como se fossem um só. E de uma só vez. De uma só vez.

 

Beijo-te perdidamente. Mordo-te desalmadamente. E deliro com cada movimento. A cada movimento. Deixo que o prazer se apodere do meu corpo, deliro com a explosão que rapidamente se propaga a cada célula do meu corpo. Até à mais recôndita. E tu sorris. Esse sorriso matreiro e malandro. Esse sorriso rasgado. E esses olhos que brilham. Conheces-me tão bem...