Terça-feira, 12 de Abril de 2016

E isto dos pedaços

Tem sido inevitável para mim pensar no tempo dedicado (quando o que eu queria dizer era desperdiçado mesmo) a uma pessoa quando se está numa relação. Quando se investe, quando nos damos, porque nos damos de facto - damos o melhor e o pior de nós.  Deixamos de ser um "eu" e com outro "eu" passamos a ser um "nós". Nós somos saídas, jantares, somos brincadeiras, somos gargalhadas, somos obrigações e deveres; somos tudo o que já éramos e mais ainda porque somos também tudo o que o outro é. Ou quase tudo.

Sempre acreditei que não nos devemos (e não podemos mesmo) esquecer da nossa individualidade, de sermos o "eu", de termos o nosso tempo, de sermos. Só. Porque somos, não deixamos de o ser. Não fizemos uma operação em que nos tornámos siameses: continuamos a ser quem somos, a pensar como pensamos e a querer o que queremos. Mas a vida em conjunto é isso mesmo e é inevitável que mude muita coisa. Cedemos, porque temos de ceder, fazemos espaço para o outro porque temos que o fazer. É assim uma relação.

E quando essa relação acaba? Como justificar aquele sentimento de tempo perdido? Poderemos nós afirmar que foi tempo perdido quando na realidade foi um caminho, que a dada altura, decidimos percorrer? Foi parte da nossa vida. Foi. E é disso que nos devemos lembrar.

E os pedacinhos de nós que fomos deixando ao longo do caminho? Um aqui, outro acolá, mais outro ali. E esses pedacinhos de nós, que demos, por vezes embrulhados em fita de cetim, com tanto cuidado, tanto carinho. E esses pedacinhos? O que é feito deles? Não podemos agora voltar atrás e recolhê-los um a um. E na próxima vez? Voltarei a dar mais de mim, voltarei a deixar pedacinhos meus ao longo do caminho? Parece que sim. E se um dia fico sem pedacinhos para dar?

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publicado por blue258 às 18:41
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Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

...

«Meu amor, não quero mais palavras rasgadas. Nem o tempo cheio de pedaços de nada. Não me dês sentidos para chegar ao fim. Meu amor, só quero ser feliz. Meu amor, não quero mais razões para apagar o que nasce e renasce e nos faz acordar. A loucura faz medo se for medo o teu chão, mas é ar e é terra dentro do coração. É ar e é terra dentro do coração. Meu amor, não quero mais silêncio escondido. Nem a dor do que cai em cada gesto ferido. Quero janelas abertas e o sol a entrar. Quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. Eu quero o meu mundo inteiro dentro do teu olhar. E hoje vê, a estrada é feita para seguir. E hoje sente, a vida é feita de sentir. E hoje vira do avesso o mundo e vê melhor. Deste lado é mais puro, é teu, é tão maior. Deste lado é mais puro, é meu, é tão maior.»

 

(Mafalda Veiga, Estrada)

 

 


Roubado do Abraça-me bem.  E ironia do destino: abraça-me bem.



publicado por blue258 às 22:57
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Terça-feira, 1 de Junho de 2010

#39 Lugares

 

Lugares. Há algo nos lugares que nos marca. Parecem mesmo imiscuir-se em nós. E neles deixamos parte do que somos. Será esta simbiose que os torna especiais. Só nossos. Até os partilharmos com alguém. E mais alguém deixar lá parte de si. E levar consigo um pedaço daquele lugar. Aí deixam de ser só nossos. Foi assim que aquele lugar passou a ser teu também. E eu, tua.

 

Vem ter comigo àquele sítio. Aquele, junto à praia.

 

 

Espero por ti, encostada ao carro. Ao chegar, trazes aquele olhar traquina e sorriso malandro - cá para mim, voaste o caminho todo com ele nos lábios. Deténs o carro. Fixas-te em mim.  O teu sorriso abre-se ainda mais e os teus olhos fecham-se num olhar aberto.

Sais. Fechas a porta, encostas-te e deixas que os teus braços chamem por mim. Respondo encolhendo-me no teu abraço. Pouso a cabeça naquele sítio, naquele... e deixo-me estar. Sinto como se tivesse chegado a casa após uma longa ausência. Rosto rendido no teu peito e mãos tranquilas. Sim, cheguei a casa.

Respiro o perfume da tua pele na camisa. As minhas mãos acariciam o teu peito, as tuas costas, deixando-te enlaçado pela cintura. O meu rosto não descola do teu peito, e timidamente, os meus lábios beijam-te a pele através do tecido. Sinto o calor do teu corpo. A tua respiração. Sinto as tuas mãos acariciarem-me as costas com doçura. Envolves-me num abraço doce, suave, forte e destemido.

 

Lembro o primeiro abraço. E volto a sentir-me miúda nos teus braços. E tu, tal como da primeira vez, por me sentires miúda ou a ânsia de te ter, deixas que a ternura tome conta de ti. E esperas preso num momento que quer mais e ainda assim quer segurar o agora.

Permaneço abraçada a ti, rosto deliciado no teu peito. Os teus lábios beijam-me os cabelos, depois o rosto. Sinto a tua respiração quente que se imiscui na minha boca. Procuro resistir. Fazer perdurar aquele momento.

Os meus lábios beijam o teu peito. Em pontas de pés, beijam o ombro... o pescoço. Tocam ao de leve na tua pele. Absorvem o teu cheiro. Molhados,  beijam-te novamente a pele. Conquistam o teu sabor.

 

Follow me now
To a place you only dreamt of
Before I came along

When I first saw you
I was deep in clear blue water
The sun was shining
Calling me to come and see you
I touched your soft skin
And you jumped in with your eyes closed
And a smile upon your face

 

 

Apercebo o meu corpo que já se insinua contra o teu. E o teu que começa a responder ao apelo do meu. Mordo-te delicadamente o ombro... o pescoço. Apercebo a tua boca que quer a minha... e resisto. Mordo-te o outro ombro. Beijo-te a pele... o pescoço. Perco-me no teu pescoço, no teu perfume, no cheiro da tua pele. Perco-me. No teu abraço. Encontro-me... em ti.

Sinto com se não te tivesse à muito. Uma saudade que rói por dentro. Uma fome... de ti. Não resisto mais... lanço-me no teu beijo. Os teus lábios esperavam impacientes pelos meus e as tuas mãos acompanham-nos agora. A tua boca recebe a minha, ambas insaciáveis. Queriam-se insaciavelmente e beijam-se agora insaciáveis. Um beijo que é querer. Entrega. Um beijo que somos nós. E que nos reduz. A um beijo.


 


música: Underwater Love - Smoke City

publicado por blue258 às 13:15
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