Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Blue 258

Blue 258

...

...

07
Nov10

 

 

Que ninguém me fale mais em seguir o coração. Ou em ser verdadeira para comigo própria. Que ninguém ouse abrir a boca. Se o faço, se o fiz, foi por saber o valor do que fazia. Valor para mim, e para ninguém mais. Que ninguém ouse voltar a dizer-me que se deve deixar falar o coração.

As palavras magoam, ferem, perfuram o coração, destroem a alma. Que ninguém ouse então falar-me do valor que tem cada uma destas coisas quando há sofrimento no meio. Não me falem da dor nas palavras, quando a vejo nos olhos de quem quero bem. Quando a sinto.

Não me falem em ser verdadeira, quando inflijo tanta dor. Quando destroço o coração de alguém por quem tenho tanta afeição. Não me falem mais no coração, quando acabo de partir um em mil e um pedacinhos.

 

 

 

 

 

Do coração que é parvo

01
Nov10

 

Há uma miúda, a Blue, que diz que o coração é parvo. Se é parvo ou não, essa não é a questão. O que conta, o que importa mesmo, é o que se sente, o que alguém nos faz sentir. Porque acreditem, podemos estar com uma pessoa e não sentir absolutamente nada - o coração em estado de repouso condicionado como se a velhice tivesse tomado conta de nós antes do tempo; podemos cruzar o caminho de outro e sentir o coração bater descompassado - ah, afinal estou viva, ai como bate este coração, de um vermelho fulgurante que me trespassa a alma.

E ao passar por esse alguém na rua, sentimos o coração bater a mil. Ao vislumbrar um só pedacinho seu, sentimos o abalo do coração. E isso, meus amigos, é a forma do coração vos dizer: segue naquela direcção.

O que fazes parada(o)? Corre! Segue o (teu) coração.

 

 

 

 

 

Pouco importa como começou (ou como começam) todos os assuntos do coração. De alguma forma começam, mesmo sem se procurar, mesmo sem se saber, mesmo sem nos apercebermos logo de seguida. Começam. Acontecem. Dão-se. Damo-nos.

 

 


It started out as a feeling
Which then grew into a hope
Which then turned into a quiet thought
Which then turned into a quiet word

And then that word grew louder and louder
'Til it was a battle cry

 

 

O coração quando sente, não nega. Negamos nós por ele, batendo o pé, incrédulos a princípio, e logo depois, contrariados por algo que sabemos não poder controlar. Finalmente, assumimos o que prova ser inegável: é impossível contrariar algo que já faz parte de nós. Seria negarmo-nos a nós próprios. Negarmos quem somos. Tentamos, todavia, calar o coração. Amordaçamo-lo. Sequestramo-lo. Fazemos dele refém. Mas ele não se cala. Ele não cede. Ele não verga. Procuramos então seguir outro caminho, percorrer um atalho, desviar por uma estrada secundária.

Queremos ludibriá-lo, e ele apercebe-se disso. Dispara continuamente balas de sentimentos. Tiros certeiros. Acerta-nos com cada um deles, e nós aguentamos, tentamos manter o passo firme, mas começamos a sentir a fraqueza,  sentimos o sangue esvair-se, quase tombamos, procuramos apoio, voltamos a erguer a postura, buscamos as forças para continuar, não sei eu onde, mas percebemos que não dá. Pensamos então que o melhor será então voltar atrás, mas nisto do coração não há voltar atrás, e ainda melhor do que voltar atrás, é cortar caminho, saltar muros, cair,  esfarraparmo-nos, sangrar mais um bocado, (re)abrir feridas, e levantarmo-nos, mesmo que a muito custo, mas seguir, seguir sempre o coração.

 

 


Never give up loving
Unless you have to
Never leave your lover
Unless you must
Cause it will haunt your
Empty heart forever
Til your body turns to dust

 

 

E se nos perdermos? Não sabemos o caminho. Sabemos onde queremos chegar, o destino, mas não sabemos como chegar lá. Não temos mapas, direcções ou indicações de um posto de turismo qualquer. Não. Temos de nos armar em descobridores e traçar o nosso próprio trilho. Se é difícil? É. Muito. Se encontramos sempre o nosso destino? Nem sempre. Se mesmo assim vale a pena? Vale. Quanto mais não seja porque nos vamos encontrando a nós pelo caminho. E só por isso, vale a pena.

 

 

I never loved nobody fully
Always one foot on the ground
And by protecting my heart truly
I got lost in the sounds
I hear in my mind
All these voices
I hear in my mind all these words
I hear in my mind all this music

And it breaks my heart
And it breaks my heart
And it breaks my heart
It breaks my heart

And suppose I never ever met you
Suppose we never fell in love
Suppose I never ever let you kiss me so sweet and so soft
Suppose I never ever saw you
Suppose we never ever called
Suppose I kept on singing love songs just to break my own fall
Just to break my fall
Just to break my fall
Break my fall
Break my fall

All my friends say that of course its gonna get better
Gonna get better
Better better better better
Better better better

 

 

 

P.S. E porque devemos deixar o coração falar, e porque estou farta de litígios entre a razão e o coração, o blogue terá um novo autor. Dentro em breve, o coração falará livremente.

Das dúvidas maiores que se levantam #1

15
Jun10

 

E agora, perguntam vocês, e muito bem: ó Blue, afinal, como é? Seguimos o coração, não seguimos, corremos, paramos, deixamo-nos amar... afinal, como é?

 

E a  Blue, responde: sigam o coração. Corram. Corram muito. Desatem a correr como se não houvesse amanhã. E continuem a correr. Quando repararem que correm como loucos, saltam muros, atravessam rios, continuem. Continuem. Estão no bom caminho. Se perderem um sapato ou uma sapatilha, durante a corrida, não se importem, lancem o outro pé ao ar, libertem-se por completo do calçado. Corram descalços. Sintam, a terra,  a erva, a água, a areia nos pés. Molhem a roupa, sujem-se de terra. Deixem que as roseiras vos cortem a pele.

Quando se lembrarem dos tempos de criança, em que tudo era um campo aberto, palco de aventuras, podem sentir-se felizes. Estão a fazer as coisas bem. Continuem a correr. Ou então, parem por um momento, deitem-se na relva, braços abertos e rosto virado ao sol. E aproveitem a sensação. É única.

 

 

 

And just remember, follow your heart. Always.

 

Seguir o coração

14
Jun10

 

[imagem surripiada d' o amor é um lugar estranho]

 

 

Seguir o coração. Não haja dúvida de que devemos seguir o coração. Sim, disso não tenho dúvidas. Ao senti-lo bater descompassado cá dentro, como um motor de uma 4L  a querer saltar cá para fora, devemos mesmo largar tudo o que temos nas mãos, e começar a correr.  E estarmos preparados para correr a maratona. Dar tudo por tudo, mesmo quando pensamos não restarem forças.

A voracidade de um sentimento e a tenacidade de um indivíduo, constata-se precisamente naquele momento em que pensamos desistir, em que sentimos não ter mais fôlego para continuar a correr. E no entanto, um ânimo, uma força revigorante que vem bem lá de dentro, dá-nos o impulso para corrermos mais uns quilómetros*.

 

 

 

*Há também a hipótese de acabarmos a corrida de coração estropiado.