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Blue 258

Blue 258

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#22 Sob as estrelas

07
Dez09

 

Ambos ardemos neste fogo que nos consome. Este fogo que deflagrou quando o teu corpo tocou no meu. Este fogo que pede mais... e que nos consumirá até nada restar de nós.

 

Quentes, sufocados no calor do nosso beijo, presos pela doçura do nosso abraço.  Queremos ver-nos livres das roupas que ainda nos prendem... que ainda nos detêm. Queremos espaço, queremos liberdade, queremos ter-nos... sim... eu quero ter-te... tanto como tu mostras querer-me a mim.

Perco-me na tua pele morena... delicio-me com o teu perfume... com o cheiro da tua pele... com o teu sabor... Colo os meus lábios aos teus... Derreto-me na doçura da tua boca... sinto os teus lábios doces que agora percorrem demoradamente o meu pescoço, os meus ombros, o meu peito... iniciando depois a viagem de regresso... partindo do peito... deslizando pelos ombros... até ao pescoço... e voltando... a colar-se aos meus.... em mais um beijo avassalador.

A nossa pele suada,  o teu perfume que se envolve com o meu... o teu sabor... o meu sabor... o nosso sabor. A tempestade agora confinada ao ensejo dos nossos corpos em se possuírem.

A acalmia paira lá fora. Fortes gotas de condensação deslizam através do vidro. São marcadores da tórrida paixão a que nos entregamos. Aquela que nos consome... aos poucos... e cada vez mais.

Apenas o ar frio da noite... poderá acalmar o calor dos nossos corpos... tonificar os nossos sentidos... e deixar-nos então mergulhar conscientemente na doce loucura que nos envolve.

 

Façamos do areal o nosso leito. Façamos inveja às estrelas... incapazes de arder como nós. Saciemos a tua sede... e a minha fome... de ti... da mesma forma. A única possível. Sob estas estrelas que brilham...

 

#8 O fogo da bruma

07
Nov09

 

Envoltos na bruma, despertamos. Aos poucos, recuperamos os sentidos...

Os nossos corpos estendidos... a cama feita no chão, mesmo em frente à lareira.

O fogo, praticamente extinto. O ar penetrante. 

Levanto-me. Envolta no lençol, abro a porta para o terraço. O nevoeiro parece acariciar-me a pele, sorvendo a doçura de cada poro. A bruma envolve a casa, aquela, na praia, sem vizinhos por perto. E hoje, mesmo que os tivéssemos, não existiriam, e mesmo que existissem, não conseguiriam perfurar a muralha que nos envolve - casa, o areal defronte, uma ínfima parte do mar... e nós. Só isso existe. Só isso é nosso. Só isso importa.

Caminho pela areia, em direcção à água. Está frio, mas pareço não me importar. Deslumbro-me com a mística que me rodeia. O meu olhar perde-se por entre o nevoeiro... por entre o que esconde... e o que deixa vislumbrar.

Caminhas pela areia, descalço. Em direcção a mim, sempre em direcção a mim. Envolves-me com o teu abraço quente, e distrais-me... de onde me tinha perdido. Encaminhas-me para dentro.

Na lareira, o fogo parece ganhar vida novamente - intrépido, consome a madeira, parecendo não saber que ao consumi-la, se consome a si próprio também. Assim é o fogo. Louco na ânsia de consumir, e quanto mais louco o desejo, mais depressa se consome.

Volto para a cama improvisada desta noite. Sento-me - virada para o fogo, que parece começar a aquecer. Sobre a mesinha, dois Irish Coffees. O aroma forte, quente e doce,  envolvido numa neblina misteriosa, alcança os meus sentidos... e lentamente, começa a penetrar o meu corpo... e a apoderar-se dos meus sentidos. Sinto o vidro quente nas mãos... aproximo o copo da boca... e sorvo o aroma da canela, exótica, misteriosa; deixo-me adoçar pela nata, cremosa e espessa; sinto-me revigorar pelo sabor do café, negro e forte... e finalmente, o malte... que brinca com todos os sabores, que os mistura, que os eleva... e decompõe... tal como o fogo.

Sinto-me entorpecer... sinto-me ceder aos sentidos, que parecem subjugar-me... sinto o teu beijo frio na minha pele. Abro os olhos. Pareço despertar.

Sinto o teu corpo que me envolve. Vejo o mistério da canela no castanho dos teus olhos. Provo a doçura dos teus beijos nas minhas costas. Sinto o estímulo do café no arrepio que me percorre as veias, como as tuas mãos percorrem o meu corpo. Sinto o vigor do malte, e brincas, como brincas... queres pôr-me em combustão lenta... como queres... e pões. Como desejo consumir-me no teu fogo... e que tu... te consumas no meu.

 

 

 

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