Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

Eu não sei quem trago comigo (quer dizer, lá no fundo, até sei - sabe o coração, que é parvo)

 

Eu fui devagarinho, com medo de falhar, não fosse esse o caminho certo, para te encontrar. Fui descobrindo devagar... cada sorriso teu. Fui aprendendo a procurar, por entre sonhos meus. Eu fui assim chegando, sem entender porquê. Já foram tantas vezes tantas... Assim como esta vez. Mas é mais fundo o teu olhar, mais do que eu sei dizer. É um abrigo pra voltar ou um mar pra me perder.

 

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade. A gente finge mas sabe que não é verdade. Foge ao vazio enquanto brinda, dança e salta. Eu trago-te comigo... e sinto tanto, tanto a tua falta.

 

Eu fui entrando pouco a pouco. Abria a porta e vi que havia lume aceso e um lugar pra mim. Quase me assusta descobrir que foi este sabor que a vida inteira procurei,  entre a paixão e a dor.

 

Lá fora o vento nem sempre sabe a liberdade. Gente perdida balança entre o sonho e a verdade, foge ao vazio, enquanto brinda, dança e salta. Eu trago-te comigo... E sinto tanto, tanto a tua falta.

 

 

 

P.S. A minha menina dos abraços tem uma pontaria...


publicado por blue258 às 23:22
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Domingo, 17 de Outubro de 2010

Não me morras nunca

Dou por mim a pensar no tempo. No tempo que decorre e discorre intravenosamente, sem nos pedir licença, sem nos pedir perdão. Perdão pelos segundos, pelos minutos, pelas horas que nos rouba sem misericórdia, impiedoso, incontrolável, assassino a sangue-frio.

Perco-me na imagem desfocada que ainda guardo de ti. Fotografia corroída pelo tempo. Papel empedernido, desgastado pelas vezes sem conta que te voltei a segurar nas mãos, que te segurei junto do peito. Imagens, momentos, recordações. O teu olhar. O teu sorriso.  Os contornos do teu rosto. Temo a recordação que a ausência fará de ti.

Eis que o tempo se entranha no meu corpo. Debilita, como doença maldita que nos rouba a memória. De momentos, de quem fomos, de quem ainda somos. Discorro no tempo. Penso num mundo sem ti. Penso em mim, sem ti. Não encontrar mais esse sorriso. Esse olhar profundo que nos embriaga e desperta ao mesmo tempo. Não  me morras nunca.

 

 

"do they collide?"
I ask and you smile.
With my feet on the dash
The world doesn't matter.

 

 

música: Passenger Seat - Death Cab For Cutie

publicado por blue258 às 14:53
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Sábado, 18 de Setembro de 2010

E abraçar-te agora?

Isso é que era. Apertar o teu corpo contra o meu. Sentir o coração a bater descompassado no peito. No meu e no teu. Pousar a cabeça naquele sítio. Naquele. Aquele que é meu e só meu. Aquele que parecia estar à minha espera. E terminar a tarde nos teus braços.  Esperar pelo pôr-do-sol, perdida nos teus beijos. Sentir a noite salgada abater-se sobre a areia. Deliciar-me com o teu sorriso. Abraçar-te ainda mais forte, movida pelo frio que se começa a fazer sentir.  Abraçar-te na procura do teu calor. Afundar-me na tua ternura, na tua serenidade. Nesta noite, céu estrelado - se bem que nada é mais envolvente do que o brilho do teu olhar - o mais belo dos últimos tempos.

 


publicado por blue258 às 12:00
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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

#43 Espero por ti

Sentada no sofá. Aconchegada no teu abraço. Cabeça pousada naquele sítio, naquele, naquele... tu sabes, tu sabes... Envolta por uma doçura que parece não ter fim... e o teu cheiro impregnado em mim, em mim, em mim... E espero o toque das tuas mãos, o calor do teu corpo, o mel do teu olhar... enquanto os meus olhos vislumbram a chuva que brinca na praia e o vento que acaricia a vidraça. Espero por ti, na casa da praia, aquela, sem vizinhos por perto.

 

 

Give me more than one caress
To satisfy this hungryness
We are creatures of the wind
Wild is the wind

 

O marulhar sobe de tom e o vento sibila a tua ausência... o mar ama revoltado, voltando-se para a lua, suplicando a sua doçura. E a lua, impávida e serena, parece troçar lá do alto. O mar, agora encrespado, procura lançar o seu manto salgado cada vez mais alto. Quer atingir a lua, tocá-la, envolvê-la, e diluir-se na sua doçura. Falha, e rebenta a sua fúria nas rochas. Maldiz a lua e jura amor ao sol. Ao sol, a quem vê indiferente de dia. Ao sol.

Mas é a lua que ama, foi esta quem  o enfeitiçou. E eis que chegas tu, acalma a revolta lá fora,  e um calor se apodera do meu corpo. Entras, e ao ver-te, o meu coração bate descompassado a melodia afinada do amor. Aproximas-te, e os acordes soam mais alto. Levanto-me e voo na tua direcção: já o coração pula de emoção. Corro para o teu abraço, inspiro profundamente o cheiro da tua pele, uma e outra vez... mais uma vez. Resguardo o meu corpo no calor do teu, afundo-me na tua doçura, perco-me no castanho dos teus olhos. Acaricio-te o rosto, e ronronando como um gato, peço-te: abraça-me com força. Abraça-me...

Abraça-me. E tu sorris, desarmando-me, quando desarmada estava eu, e mesmo que não estivesse, ao ver-te sorrir com o olhar, deixo cair as armas ao chão, e ao ver esse sorriso doce nos teu lábios, perco as forças, e rendo o meu corpo ao teu. A ti. À tua vontade.

 

You... touch me... I hear the sound of mandolins
You... kiss me... With your kiss my life begins

Love me, love me... Say you do
Let me fly away... With you

 

 

música: Wild is the Wind - Cat Power

publicado por blue258 às 00:09
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Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

#38 Dança comigo

 

Uma harmonia deliciosa espraia-se pela casa.  Entusiasma a madeira. Trespassa a pedra.  Desafia a areia. Insinua-se no mar. Perde-se na crista das ondas.

Vem almoçar a casa. Salada de legumes frescos e  nozes. Lombo assado com ananás. Vinho tinto.  Tons de vivacidade polvilhados pelas orquídeas selvagens, aqui e ali.  Azuis profundos, roxos exuberantes, amarelos luminosos, vermelhos imperiais. Vem almoçar a casa... aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

Oiço-te chegar. Espero-te à porta. Entras e beijas-me num abraço. Aquele abraço que alimenta... e tempera a alma. E nesse mesmo abraço  enlaço-te firmemente pela cintura e a minha boca suspira: dança comigo.

Num abraço ainda mais apertado, beijas-me o pescoço, os ombros... as tuas mãos percorrem as minhas costas, o pescoço, os ombros... também elas beijam. Também elas querem beijar. A tua mão esquerda afunda-se no meu cabelo e a direita conquista os meus lábios... que sem demora cedem aos teus.

Com esse olhar enlevado de ternura... o mesmo que tens neste momento, sorriso malandro nos lábios, esse, esse mesmo que te aflora agora aos lábios, apertas o meu corpo contra o teu, e sussurras ao meu ouvido:

 

When we dance, angels will run and hide their wings

 

 

E eu entrego uma vez mais a minha boca à tua. Dou-me por inteiro num só beijo. No teu beijo. E num beijo sabes que sou tua. Um beijo que é entrega mútua. Beijamo-nos como se o amor não tivesse fim. Os corpos rendem-se à paixão... As almas ao amor.

 

 

The priest has said my soul's salvation
Is in the balance of the angels
And underneath the wheels of passion
I keep the faith in my fashion
When we dance, angels will run and hide their wings

 




música: When We Dance - Sting

publicado por blue258 às 19:41
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Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

Dreams in fog

E eu acho que esta noite sonhei com o Jude. É verdade, já andava com saudades dele. Mas aparecer-me assim, nos sonhos, sem avisar, não está com nada. Estava tudo muito enevoado, embora conseguisse reconhecer-lhe perfeitamente o sorriso malandro e aquele olhar delicioso.

Para a próxima, Jude, ficas avisado: prepara-me um jantar à luz de velas. Num jardim romântico. Com um belo de um vinho cor de sangue. Pelo menos isso. Não se assaltam assim os sonhos sem mais nem menos. Há que ser cavalheiro.

 

 


publicado por blue258 às 19:58
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Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

Estou aqui...

Com um sorriso de orelha a orelha... e não vos posso dizer porquê.

 

 

Ah! E nada de mentes pecaminosas por aí à solta... não é nada disso.

Mas a verdade é que estou. Eu não ando bem, não haja dúvida. Ando parva.

A Primavera não me faz bem. Está provado. Mais do que provado. Sem dúvida.

 


publicado por blue258 às 00:50
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Sábado, 28 de Novembro de 2009

#18 Encontros

 

Bilhetes. Espectáculo. Música ao vivo. Surpresa.

Espero-te na entrada. Veste-te... linda, como sempre.

 

Visto a saia preta. Blusa... de seda índigo.  Sóbria. Serena. Sapato de tacão alto. Trench coat negro como a noite. Cabelo solto.

 

Uma multidão parece assomar aos meus olhos. E eis que os meus olhos se centram em ti. Alto, moreno... que perdição de homem, penso eu. Os ombros largos envergam o casaco sóbrio, delineando o porte altivo que te define. Homem seguro de si. Detentor do abraço mais forte, mais envolvente... mais inolvidável.

Ofusco-me no brilho dos teus olhos. Meu Deus, sempre brilharam assim?   Prendo-me nesse teu sorriso delicioso de menino. Sorrio também... e é o teu sorriso que conduz os meus passos.

Envolves-me no calor do teu abraço. Acaricias o meu rosto com o teu. E eu, deixo que me envolvas...  e procuro o calor do teu corpo. Refugio-me do frio no interior do teu casaco. Encosto o meu corpo ao teu.  E o calor do teu... revela o frio no meu. Aquela pele fina e sensível, cede, como cede... e mostra a revolta ao frio. Abraçados desta forma, penso  em como me fazes gostar deste tempo...

As portas abrem-se. A multidão, querendo entrar, pressiona-nos ainda mais, um contra o outro. Sinto o calor da tua pele. Sinto o frio do meu corpo que se insinua perante o teu. Mostro-te o sorriso mais doce... ao dizer-te: 

 

 É do frio... não penses noutra coisa.

 

Respondes-me com uma gargalhada doce, jovial... parece divertir-te a minha sinceridade. À medida que a multidão se esforça por entrar, empurram-nos ainda mais... um contra o outro. Cedemos ao beijo mais doce e apaixonado de todos os tempos. Nada mais existe. Nada. Tudo o mais desaparece. A multidão. A cidade. Só nós dois parecemos existir sob o céu estrelado. Até o frio evapora sob o calor que agora nos envolve. Com o meu corpo firmemente pressionado contra o teu, sinto esse mesmo calor que se apodera de ti. Munida de um sorriso repleto de malícia, digo...

 

 Isto... é que já não é do frio...

 

De sorriso rasgado, enlevado pela menina que sabes que não sou... abraças-me ainda mais... e beijas-me... e perdemo-nos nesse beijo intemporal.

 

Lá dentro. Sentados. Em silêncio. No entanto, falando constantemente... incessantemente. Seguras a minha mão esquecida na tua perna. E assim ficamos. E antevejo que em momentos, o teu braço me envolva, e me segure junto de ti. E assim ficamos... até que termine o espectáculo.

 

Caminhamos em direcção à praia. Vamos passear, dizes tu. Está uma noite... perfeita. Expões-me ao frio. Sei o que procuras. Sei o que queres.

Deixas que o vento embata no meu rosto... esperas as faces rosadas pelo frio,  os lábios que escurecem naturalmente. Procuras que a pele fina e sensível do peito ceda aos avanços do frio. E aí, aí, envolves-me, proteges-me no calor do teu corpo. Acalmas o frio com a doçura do teu beijo. Delicias-te com os meus lábios frios... Até os envolveres completamente no calor da tua boca.

Vamos para o carro, digo-te eu agora. Presenteias-me com  esse sorriso de menino, esse olhar apaixonado... que me entontece. Onde estiveste tu?

Vamos para o carro. Não temos tempo... vontade... de chegar a casa. Aquela, na praia, sem vizinhos por perto.

 

 

Slow Dancing In A Burning Room (Acoustic) by John Mayer on Grooveshark
música: Slow dancing in a burning room - John Mayer

publicado por blue258 às 18:22
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