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Blue 258

Blue 258

Das carruagens paradas. Dos sentimentos cristalizados numa gota de orvalho.

01
Dez10

O amanhecer junto à carruagem. Os passos aparentemente seguros e determinados, na erva molhada, no caminho de areia. Passos aparentemente seguros e determinados. Os meus e os teus. Aparente. Porque será que connosco tudo parece ser aparente?

A determinação que pareciam ganhar os meus passos, quando fugiam dos teus. Determinação aparente. Somente aparente. Lembro-me de estarmos a dez metros de distância um do outro. E tão perto. Tão perto. De tão perto que estávamos, sorriste. Ou terá sido pela figura que fazíamos? Ou... por ser tão evidente que eu fugia?

Um frente a frente impiedoso. Porque deixou a dor, a dor, a nu. Incrivelmente visível. Porque se via, porque se sentia, como se sente na pele quente o frio da gota de orvalho que acaba de cair da árvore despida. Porque se vê, porque se sente, como se sente na alma a clareza atordoante da manhã que parecemos não querer receber.





You don't move slow
Taking steps in my directions
The sound resounds, echo
Does it lesson your affection
No




Da sexta que se fez sábado*

29
Nov10

Da saída de sexta. Das horas tardias a que não nos deitamos. Do alvorecer resiliente que entrava pelas janelas. Do almoço que se prolongou pela tarde. Do regressar a casa para jantar com as famílias. Das oito da noite de sábado. Um novo recorde, pensei eu.

 

Do muito que há para dizer. Do que fica por escrever. Do nada. Do tudo.

 

 

I’m like a soldier with no cause to fight. Playing with bar boys to test you just right. I watch your features, I check for a sign... of some kind of failure, then I feel sublime. Now I know I have to live without you... I can only bend so far. Guess it’s time to make some moves... without you. Now you’ve gone and trashed my heart.

 

*Nem todas as sextas se fazem sábado da mesma forma... mas eu já percebi que contigo, contigo, o tempo deixa de existir. As horas vergam sob um poder misterioso qualquer que pareces deter. Os minutos deixam de contar. Os segundos deixam de existir. Não sei como o fazes, só sei que o fazes. É assim sempre que estou contigo. Sempre.

...

28
Out10
«Ele partiu antes de tempo. Se é que existe um tempo nisto das partidas ou nas coisas da paixão. E isto não era mais que coisas da paixão.

Ele partiu e ela só se permitiu dizer espera quando tudo em si teve a certeza de que ele não poderia já ouvi-la. Depois disse baixinho era tempo, à espera que a voz enchesse de qualquer coisa o vazio. Sabendo que não há tempo nisto das esperas e que as esperas têm tudo menos tempo. Não há tempo nas coisas da paixão.»



Ana, no Fogo Posto




Não me morras nunca

17
Out10

Dou por mim a pensar no tempo. No tempo que decorre e discorre intravenosamente, sem nos pedir licença, sem nos pedir perdão. Perdão pelos segundos, pelos minutos, pelas horas que nos rouba sem misericórdia, impiedoso, incontrolável, assassino a sangue-frio.

Perco-me na imagem desfocada que ainda guardo de ti. Fotografia corroída pelo tempo. Papel empedernido, desgastado pelas vezes sem conta que te voltei a segurar nas mãos, que te segurei junto do peito. Imagens, momentos, recordações. O teu olhar. O teu sorriso.  Os contornos do teu rosto. Temo a recordação que a ausência fará de ti.

Eis que o tempo se entranha no meu corpo. Debilita, como doença maldita que nos rouba a memória. De momentos, de quem fomos, de quem ainda somos. Discorro no tempo. Penso num mundo sem ti. Penso em mim, sem ti. Não encontrar mais esse sorriso. Esse olhar profundo que nos embriaga e desperta ao mesmo tempo. Não  me morras nunca.

 

 

"do they collide?"
I ask and you smile.
With my feet on the dash
The world doesn't matter.

 

 

...

04
Out10

Perdemos repentinamente
a profundidade dos corpos
os enigmas singulares
a claridade que juramos
conservar.
Mas levamos anos
a esquecer alguém
que apenas nos olhou.


Tivesse ainda tempo
e entregava-te o coração.

José Tolentino Mendonça

 


 

Roubado d' A Rapariga que Matou o Coração.

 

 

Tenho tempo. A vida leva-me a correr por outros caminhos, mas tenho tempo. Tenho. E tenho um querer que me indica o caminho. Faz-me saltar muros, voltar atrás, percorrer atalhos, caminhar na noite escura. Mas estou a caminho. Vou entregar-te o coração. Ou será que já o tens? Que já mo roubaste naquele dia em que o tempo parou?

 

 

 

P.S. Sara Maria, agora começo a perceber o que pode levar alguém a matar (ou a querer matar) o coração. Este parvo, que parece não saber o que faz, que se agarra a um olhar, a um toque, a um sentimento perdido algures no tempo. Que não deixa mais ninguém ocupar aquele lugar. Que permanece vazio. Até um dia... em que tudo muda. Ou não.

 

 

...

23
Set10

Este frio, esta chuva, trazem-me à memória momentos de extrema doçura. Será talvez por isso que sorrio. Apesar do frio, o meu corpo exala um calor intenso. Imagino que produzido pelo coração. É ele o detentor de todas as marcas de doçura. Palavras, carinhos, abraços, beijos. Entrega. Comunhão de almas. E o coração, que de parvo não tem nada, encerra em si o mel, preservando-o. Guardando-o como um tesouro. Guarda-te a  ti. Bem cá dentro do meu peito.

 

 

 

 

P.S. E hoje vou dormir com um sorriso nos lábios. Vou. Vou adormecer a pensar em ti. Vou. Embalada por uma banda sonora que é especial. É. Ainda é. E sempre será. É esse o poder de uma banda sonora. É esse o poder dos momentos mágicos gravados no tempo.

 

...

18
Set10

Já não me lembrava de sair à varanda, descalça, e a estas horas. E com este sentimento que conheço tão bem. E a banda sonora que me parece perfeita. Apesar de, esta noite, o céu não estar estrelado. E para ver a lua tenho de olhar na direcção do mar e pôr-me em bicos de pés porque está baixa e o pinheiro em frente quase não me deixa ver. Mas vejo-a da minha varanda. Vejo-a.

 

 

E com isto quero dizer... aquilo que já não digo há algum tempo. E que há exactamente 57 segundos atrás (o tempo em que fiquei bloqueada a pensar no que ia escrever) tinha a firme convicção de que o ia dizer aqui no blogue. Primeiro, pensei num sms. Depois disse a mim mesma que não. Um email? Isso é que não, decidi eu rotundamente. Blogue! No blogue sim, pensei eu. E cá vim eu.

 

Comecei por banalidades, fiz um drifting numa private joke... e dei por mim a ponderar novamente. Vi logo que estava tudo fudido. Menina, trata é de escrever que afinal não vais dizer o que cá vinhas dizer.

 

 

P.S. Este blogue já não é o que era.

 

 

...

07
Set10

Encontros. Não importa o género, a crença, o modo de vida. Encontros. Dão-se. Sem saber como ou porquê, se as coincidências operam ou não. Encontros. Que juntam alguém à nossa vida. Que acrescentam.

 

 

 


The past, the present,
And the future,
Are all side by side,
Hand in hand.
You move and change,
Yet you go nowhere:
Everything stays the same.
You stare at me,
And ask me questions,
Makes me nervous,
This room it keeps a constant tone
While I'm on a roller coaster

 

 

Life should be a fucking roller coaster. Happy b-day, Di. Enjoy life.